A Contagem de Células Somáticas (CCS) apresenta tendência de alta, revelando que poucas fazendas possuem resultados que indicam um controle rigoroso de sanidade. Além disso, os teores de sólidos, como gordura e proteína, permaneceram estagnados na última década no país. Com apenas 20% das amostras apresentando gordura aceitável e 16% com proteína adequada, o setor enfrenta um custo de não qualidade agravado por perdas durante o transporte e armazenamento em carretas que geram novas contaminações.
Para Lima, o caminho para a melhoria exige constância de propósito e políticas de pagamento mais assertivas, sugerindo que a penalização por baixa qualidade é muitas vezes um estímulo mais eficaz do que a simples bonificação para mudar hábitos permanentes no campo.
Dando sequência à discussão sobre incentivos e sinais de mercado, Julia Nunes, Analista de Inteligência de Mercado da MilkPoint Ventures, questionou se a indústria brasileira está de fato enviando os estímulos corretos ao produtor via precificação. O diagnóstico aponta que o país ainda é fortemente dependente do volume e evolui de forma muito mais lenta na produção de sólidos quando comparado aos grandes players globais, o que compromete a competitividade e a inserção no mercado internacional.
Ela desmistificou a ideia de que a seleção genética para volume exclui a de sólidos, pontuando que é possível buscar ambos os objetivos simultaneamente, desde que o sistema de remuneração seja redesenhado para valorizar a qualidade nutricional do leite e garantir a viabilidade econômica de quem investe em melhorias.
Complementando a visão de eficiência e tecnologia, Roberto Zucchetti, Gerente de P&D da Envirolyte Brasil, apresentou o conceito de Higienização 4.0, propondo uma transição da força bruta química para a inteligência de interface nos processos industriais. O uso da Ativação Eletroquímica (ECA) surge como uma alternativa que redefine os pilares de ESG na indústria de alimentos ao substituir métodos agressivos por soluções baseadas em católitos e anólitos. Essa tecnologia permite uma limpeza eficaz que protege a integridade dos equipamentos, reduz a dependência de altas temperaturas e diminui drasticamente o número de enxágues, gerando economia de água e energia.
No debate final que reuniu os palestrantes, a percepção da audiência reforçou que a fragmentação da indústria é o principal obstáculo para o avanço dos sólidos no Brasil. A conclusão central do bloco foi de que a qualidade do leite é a base inegociável para a rentabilidade de toda a cadeia, e o futuro do setor depende da capacidade de transformar dados em decisões estratégicas que unam os interesses do produtor, da indústria e do consumidor final.
O setor lácteo vive um novo momento: o debate vai além do produto e envolve consumo, saúde, estratégia e posicionamento. Em 2026, o Dairy Vision inaugura uma fase mais exclusiva e estratégica, reunindo líderes nos dias 27 e 28 de outubro, no Bourbon Resort (Atibaia/SP), para discutir o futuro dos lácteos. A edição integra o Fórum MilkPoint Mercado, ampliando a leitura sobre preços, risco e cenários e reforçando o objetivo de antecipar movimentos e qualificar decisões. Saiba mais: https://www.dairyvision.com.br/