Trump e estreito de Ormuz: repercussões nos lácteos podem ir muito além das commodities

As hostilidades crescentes no Oriente Médio atingiram um novo ápice após as declarações do presidente norte-americano Donald Trump que confirmam um bloqueio naval no estreito de Ormuz. Entenda as possíveis repercussões do conflito no mercado brasileiro

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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As tensões no Oriente Médio aumentaram após Donald Trump anunciar um bloqueio naval no estreito de Ormuz, sem acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã. O bloqueio impactou os preços do petróleo, que superaram US$100 por barril. Isso torna o leite em pó da Nova Zelândia menos competitivo, favorecendo Uruguai e Argentina como fornecedores para mercados como Argélia e Oriente Médio. O Brasil também pode ver aumento nas importações desses países. O Fórum MilkPoint Mercado discutirá essas dinâmicas no Dairy Vision 2026.
As hostilidades crescentes no Oriente Médio atingiram um novo ápice após as declarações do presidente norte-americano Donald Trump que confirmam um bloqueio naval no estreito de Ormuz. Apesar das tentativas de negociação e cessar fogo entre as partes no começo de abril, EUA e Irã não chegaram a um acordo que aliviasse as tensões geradas em um dos principais canais mundiais de escoamento de commodities essenciais para o comércio internacional. 

Sem trégua no conflito e nas negociações sobre armamento nuclear, Trump anunciou em uma rede social que bloqueará o estreito por completo e abordará os navios que pagaram taxas de liberação ao governo do Irã. Adicionalmente, o presidente norte-americano afirmou que realizará a remoção de qualquer explosivo remanescente nas águas da via naval. 

Trump e estreito de Ormuz: repercussões nos lácteos podem ir muito além das commodities - foto trump - foto papa

Ainda que os EUA se comprometam a reabrir a circulação eventualmente, a situação gera pressão no trânsito de navios no local, repercutindo nos preços de commodities no mundo todo. Já na segunda-feira, quando o bloqueio de Trump passou a valer oficialmente, o preço do petróleo ultrapassou os US$100 por barril.

Os efeitos nos lácteos vão além do preço do diesel e fertilizantes no Brasil

Com um dos principais eixos de escoamento do petróleo fechado e a alta em potencial nos custos de frete, o leite em pó da Nova Zelândia passa a ser menos competitivo nos mercados da Argélia e do Oriente Médio, importantes compradores internacionais do produto. Dessa forma, estes mercados devem passar a buscar outros mercados que possam suprir sua demanda e que não estejam afetados diretamente pelas instabilidades no estreito.

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Durante o último Fórum MilkPoint Mercado, Vitor Vieira, Trader de Commodities no Grupo Interfood, apresentou projeções que mostram Uruguai e Argentina como principais candidatos para suprir a demanda de leite em pó integral da Argélia e de outros mercados no Oriente Médio. Considerando um cenário onde os custos de frete da Nova Zelândia continuem a subir, ambos os países sul-americanos devem se tornar mais competitivos. 

De acordo com Vitor, outro ponto que favorece as exportações do Uruguai e Argentina frente à Nova Zelândia é a aproximação do período de entressafra na Oceania, diminuindo a produção leiteira por lá em um período onde os sul-americanos tendem a já estar recuperados e mais prontos para suprir a necessidade do mercado.

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Ao mesmo passo, Valter Galan, sócio da MilkPoint Ventures, também apontou no Fórum MilkPoint Mercado que os derivados lácteos de Argentina e Uruguai devem seguir competitivos no abastecimento do mercado brasileiro, o que pode manter o volume de importações brasileiras destes países

Desta forma, os agentes no mercado brasileiro devem permanecer em alerta para a competição pelo produto uruguaio e argentino e oscilações nos preços em decorrência disso e também em relação às exportações do Mercosul para outros países, que podem reduzir os volumes enviados ao nosso mercado. 

A próxima edição do Fórum MilkPoint Mercado acontecerá no Dairy Vision 2026, trazendo uma leitura aprofundada sobre preço, risco, comportamento e cenários, conectando tendências globais às decisões que movem o mercado brasileiro no segundo semestre e em 2027.

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Material escrito por:

Maria Alice Trevizam

Maria Alice Trevizam

Editora de Conteúdo Jr. no MilkPoint e Jornalista pela PUC Campinas

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