Laticínio é rotina, não exceção
Antes de qualquer preferência, um dado de base: o laticínio é presença diária na cozinha brasileira. Entre os respondentes, 50% afirmam consumir leite, queijo, manteiga e companhia todos os dias, e outros 22% quase todos os dias — somados, 72% têm laticínio na mesa diariamente ou quase. No outro extremo, “raramente” reúne só 6%, e apenas 3% dizem evitar ou não comprar nenhum tipo. É uma categoria sem sazonalidade e sem público relevante de rejeição: o consumo é transversal e cotidiano.
A cesta láctea: queijo, leite e manteiga em empate técnico no topo
Quando o assunto é o que de fato entra no carrinho, três itens praticamente empatam na liderança: queijo (79,6%), leite (77,6%) e manteiga (77,4%) aparecem em cerca de 8 de cada 10 cestas. Logo atrás vem o creme de leite, presente em 68,8% das compras — quase 7 em cada 10 —, seguido de requeijão e cream cheese (57,9%), leite condensado (54,5%) e iogurte (54,4%). Os queijos especiais, mais premium, já alcançam 34,4% — 1 em cada 3 cestas. O retrato é de uma cesta ampla e densa: o brasileiro não compra um laticínio, compra vários ao mesmo tempo.
Na cozinha, o doce lidera — mas o salgado encosta
O laticínio não fica só no café da manhã: vira ingrediente. Entre quem cozinha, 61,4% usam leite e derivados na maioria ou em boa parte das receitas, e apenas 5,9% quase nunca recorrem a eles. Nos tipos de preparo, as sobremesas e doces lideram as menções (66,0%) e os bolos e tortas vêm logo em seguida (64,6%) — mas o salgado encosta: molhos e cremes salgados aparecem em 61,9%, à frente de lanches e pizzas (53,8%) e de gratinados e pratos de forno (51,9%). Doce e salgado dividem a geladeira quase em pé de igualdade — o que multiplica as ocasiões de uso e o espaço de receita para a categoria.
Na gôndola, um empate técnico triplo decide a compra
Não há um único fator que mande na escolha da marca. Preço (23,6%), sabor e qualidade (22,2%) e marca conhecida (21,5%) estão em empate técnico no topo dos critérios de decisão — nenhum deles isola a preferência. A “versão certa para a receita” pesa para 14,7%, promoção e disponibilidade para 10,6%, e a validade ou o frescor fecham a lista com apenas 7,4%. A leitura é boa notícia para quem constrói marca: preço importa, mas divide o palco com sabor e reputação — o consumidor não decide por desconto sozinho.
O “sabor de antigamente” vence o light na gôndola
Perguntados sobre as versões que costumam comprar, 40,3% dizem buscar o integral tradicional — o “sabor de antigamente”, mais encorpado — e outros 32,1% afirmam não sair do tradicional de jeito nenhum. Somados, dois terços do público puxam para o clássico.
As versões modificadas ficam atrás: light, desnatado e zero gordura reúnem 28,2%, sem adição de açúcar 17,9% e o orgânico ou artesanal 11,2%. A exceção relevante é o zero lactose, que já entrou no carrinho de 25,4% — 1 em cada 4. Não se trata de rejeitar o comer bem — o laticínio segue percebido como alimento de todo dia. O que não virou maré foi o “light”; a necessidade real (a intolerância à lactose) é que avança, como a frente de crescimento mais concreta da categoria.
Fidelidade frouxa: 3 em cada 4 topam trocar de marca
Se a decisão está dividida, a lealdade está solta. 39,8% se dizem abertos a experimentar marcas novas por gosto próprio, e 36,2% topam trocar diante de uma boa indicação ou promoção — juntos, 76% do público está disponível para mudar. Só 12,7% compram outra marca apenas se faltar a de sempre, e apenas 11,3% se declaram fiéis absolutos, sempre às mesmas marcas. Numa categoria de compra recorrente e quase diária, essa fidelidade frouxa é o dado mais estratégico da pesquisa: são milhões de decisões de compra reabertas toda semana.
O que isso revela
O consumo de laticínio no Brasil é diário, amplo e emocional antes de ser racional. O público quer o sabor cheio da versão tradicional, mantém uma cesta variada e não guarda lealdade a marca — 3 em cada 4 topariam trocar.
Para indústria, varejo e mídia, a leitura é direta: com preço, sabor e marca empatados na decisão, e com a fidelidade em aberto, o campo de disputa é o sabor e a qualidade percebida, não o desconto isolado. As versões light têm público, mas são nicho gradual; a frente de crescimento com base real é o zero lactose, já dentro de 1 em cada 4 carrinhos. Quem cozinha todo dia com laticínio está pronto para ser reconquistado — a cada compra.
Metodologia
Pesquisa própria do Receiteria, realizada em formato pop-up integrado ao conteúdo do site, entre 30 de junho e 3 de julho de 2026. Foram 1.000 respondentes únicos, identificados por sessão anônima, sendo 73% deles no celular. A amostra cobre todas as regiões do país — São Paulo concentra 34%, seguido de Rio de Janeiro (9%) e Minas Gerais (9%). Os percentuais de cada questão são calculados sobre a base de quem respondeu àquela pergunta; nas perguntas de múltipla escolha, a soma ultrapassa 100%.
A coleta seguiu a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018): a participação foi voluntária, as respostas são anônimas e agregadas, não houve coleta de dados pessoais sensíveis e nenhuma informação individual é compartilhada ou comercializada. Os dados são usados exclusivamente em caráter estatístico.
As informações são do Observatório Receiteria.
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