Da produção caseira aos prêmios internacionais: o caso de sucesso da Pé de Queijo em MT

Criada em Nobres (MT) durante a pandemia, a Pé de Queijo conquistou medalhas no Mundial da França com receitas autorais e hoje impulsiona o turismo gastronômico local.

Publicado por: MilkPoint

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A pandemia levou o casal Sandra e Edmar Trindade a mudar-se de Várzea Grande para Nobres, MT, onde fundaram a Pé de Queijo. A microempresa, dedicada à produção artesanal de queijos e doces de leite, conquistou prêmios internacionais, incluindo reconhecimento na França. Com planos de expansão, a marca agora também oferece degustações e participa de feiras gastronômicas. O leite utilizado é local, e há planos para criação de vacas leiteiras para garantir a procedência dos produtos.
A pandemia de covid-19, decretada em 2020, fez muitas pessoas repensarem seu modo de vida, trabalho e objetivos a serem alcançados. Nesse processo de “recalcular a rota”, o casal Sandra Braz da Silva Trindade e Edmar Trindade trocou a rotina em Várzea Grande para viver na tranquilidade de Nobres, Mato Grosso. Desde então, os planos só prosperaram. Da fabricação de queijo fresco para consumo, a empreendedora aprimorou a receita, desenvolveu variedades e ostenta na parede da loja da Pé de Queijo vários prêmios e reconhecimento internacional conquistado na França.

Presente em inúmeras feiras de queijos pelo país e fora dele, a Pé de Queijo inaugurou sua primeira loja recentemente, no Distrito Roda D’Água, próximo a Bom Jardim, em Nobres. No local, o casal vende doces de leite com variações de café e limão, diferentes tipos de queijo e o carro-chefe da casa, o requeijão, que é o produto mais premiado. Hoje a fábrica da marca processa 100 litros de leite por dia, mas a meta é chegar a 300 litros/dia. Não mais que isso, para que a produção não perca sua principal característica: o artesanal, feito com afeto e dedicação. Pilares que conquistaram fregueses locais e até de fora do Brasil.

Sandra conta que trabalhava com vendas em Várzea Grande, mas que era o sonho do marido levar a família para viver na área rural. Após o planejamento, decidiram pela mudança para Nobres, onde a empreendedora também tentaria seguir com as vendas, mas ainda não havia encontrado o produto certo.

Nesse período, ela fazia queijos frescos para o consumo da família, mas a receita arrancava elogios de todos que provavam. “Quem comia perguntava: ‘tem para levar?’. Mas não tinha. Eram só oito litros, quando muito 10. Mas eu pensei que aquilo ali poderia dar certo. Eu sempre fui apaixonada pelo artesanal e decidi fazer um queijinho, vai que cola. Nessa época, comprava 20 litros de leite do vizinho para fazer queijo fresco e doce de leite. Me aventurava no requeijão, que eu amava, mas só tinha as dicas que minha tia tinha me dado”, relembra Sandra.

Ela viu ali a possibilidade de investimento e foi atrás de formar o negócio familiar. Com cursos, ela aprendeu novas receitas e estruturou a microempresa com a ajuda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Desde então, decidiram pelo nome Pé de Queijo em substituição ao anterior, que “não pegou”, e colheram frutos da prosperidade do negócio.

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Logo vieram homenagens na Assembleia Legislativa (ALMT), na prefeitura da cidade e convites para participação em festivais. A marca foi premiada na categoria ‘Ouro’ no 3º Mundial do Queijo do Brasil 2024. Em 2025, a Pé de Queijo levou produtos para a 7ª edição do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, na França, que é a maior referência na produção de queijos para o Brasil. Ao todo, 26 países participaram do evento e o Brasil recebeu 58 medalhas.

Da produção caseira aos prêmios internacionais: o caso de sucesso da Pé de Queijo em MT

Foto: Sebrae/MT

“Foi surreal e muito impactante participar. O que eu pude ver é que a gente pode crescer muito nesse lugar, que é muito vasto. Naquilo em que nosso clima não é favorável, podemos nos adaptar para produzir queijos de muita qualidade. Não é à toa que essa comitiva da França veio aqui nos espiar. Mato Grosso conseguiu chamar a atenção deles”, disse Sandra.

Além de chamar atenção para a qualidade dos produtos, a empresária afirma que a Mons Formation (Maison Mons), uma das mais conceituadas escolas para queijeiros, avalia a criação de cursos voltados para brasileiros.

Expansão de produtos e cadeia de produção local

Além dos queijos e doces, um serviço lançado pela marca é a degustação, que exige agendamento. No modelo, o cliente aprecia todos os produtos com combinações e harmonizações. Um dos mais pedidos é a burrata com carne-seca, queijo com doces e ceviche de queijo.

Hoje o leite usado na fabricação dos produtos é comprado na comunidade local. Contudo, há planejamento de criação das próprias vacas leiteiras, o que me garantiria o controle total da procedência da matéria-prima usada pela marca.

Festival Gastronômico

A Pé de Queijo participou da Feira Gastronômica de Nobres, onde expôs seus produtos existentes na loja e também o espeto de queijo coalho enrolado em bacon, que foi sucesso total. O evento foi promovido pelo Sebrae, em parceria com a Prefeitura de Nobres. “A nossa ideia é que essa feira se consolide e vire uma tradição em Nobres, como acontece em Nossa Senhora do Livramento, onde existe uma feira fixa que já se tornou uma referência para a comunidade e para quem visita o município”, afirmou a secretária municipal de Turismo, Indústria e Comércio de Nobres, Bruna Fava.

Para o gerente metropolitano do Sebrae, Julio Prior, a feira é uma maneira de valorizar os produtores locais e também atrair ainda mais os turistas que buscam o ecoturismo na cidade. “O trabalho do Sebrae Mato Grosso é aproximar esses pequenos comerciantes do turista para que ele tenha uma experiência completa”, destacou.

As informações são da Gazeta Digital, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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