De 12 a 38 L por vaca: como a biotecnologia revolucionou a produção de leite no sertão do Ceará

Uma fazenda em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, utiliza melhoramento genético e diferentes biotecnologias reprodutivas para elevar a produtividade do rebanho leiteiro. Entenda!

Publicado por: MilkPoint

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Uma fazenda em Quixeramobim, Ceará, implementa melhoramento genético e biotecnologias reprodutivas, aumentando a produção de leite de 12 para 38 litros por vaca/dia em 30 anos. O manejo inclui inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in vitro. A dieta dos animais é cuidadosamente planejada. A atividade leiteira gera cerca de 5 mil empregos e impacta a economia local, envolvendo diversas etapas da cadeia produtiva.

Uma fazenda em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, utiliza melhoramento genético e diferentes biotecnologias reprodutivas para elevar a produtividade do rebanho leiteiro. O trabalho, iniciado há cerca de 30 anos, fez a produção média por vaca passar de aproximadamente 12 para 38 litros de leite por dia.

O processo começou com a inseminação artificial, avançou para a transferência de embriões e chegou à fertilização in vitro. Atualmente, todo o rebanho da propriedade é resultado de uma dessas biotecnologias, com seleção dos animais desde os primeiros meses de vida.

Jânio Lima, administrador da fazenda, explica os critérios adotados para definir os animais que permanecem no processo de melhoramento. “Tudo isso é feito com rigorosos critérios de seleção e de avaliação nutricional para que venha a compor essa dieta, para que esses animais venham a expressar o seu máximo potencial”, afirma Jânio Lima.

As bezerras são acompanhadas desde cedo e chegam à idade reprodutiva por volta dos dois anos. O planejamento genético também permitiu que a propriedade chegasse a 2026 com a quantidade de animais e o nível de produção alcançados sem precisar comprar novos exemplares de outras propriedades.

De 12 a 38l por vaca: como a biotecnologia revolucionou a produção de leite no sertão do Ceará

Foto: reprodução

Tecnologia transforma rotina de fazenda no Sertão Central

A adoção das novas tecnologias também modificou a estrutura da fazenda. Os grandes espaços de pastagem deram lugar a alojamentos e galpões adaptados ao manejo do gado leiteiro. A rotina dos animais é dividida em diferentes períodos ao longo do dia. O primeiro banho ocorre por volta das 2h da manhã, seguido pela ordenha e alimentação. As atividades se repetem em ciclos durante o dia, com períodos destinados também ao descanso e à ruminação.

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“São várias rotinas funcionando simultaneamente dentro da fazenda para que as coisas aconteçam e os resultados sejam alcançados”, explica Jânio Lima. A organização do manejo busca reduzir o estresse e manter os animais dentro de uma rotina controlada, com alimentação, descanso e ruminação distribuídos ao longo do dia.

Alimentação e bem-estar ajudam a elevar produtividade

A alimentação é outro componente do sistema de produção. A dieta inclui silagem de milho, caroço de algodão e ração especializada. Os ingredientes são misturados em uma máquina e distribuídos aos animais em porções ao longo do dia. A propriedade também utiliza um sistema que conduz o leite diretamente da ordenha para os tanques de resfriamento. Dessa forma, o produto é encaminhado pelo sistema de tubulação sem contato manual nessa etapa.

Para Jânio Lima, a combinação entre seleção genética, manejo e alimentação está relacionada ao desempenho alcançado pelo rebanho. “Tudo isso favoreceu para que a gente conseguisse chegar em 2026 com a quantidade de animais, com a produção que aqui estamos hoje sem a necessidade de comprar animais fora”, pontua o administrador da fazenda.

Pecuária leiteira movimenta empregos e renda em Quixeramobim

A produção de leite também tem impacto direto na economia de Quixeramobim. De acordo com Zé Maria Pimenta, secretário de Agricultura do município, a atividade está presente em diferentes distritos e envolve uma cadeia que ultrapassa os limites das propriedades rurais.

Segundo o secretário, o trabalho de melhoramento genético na região começou há cerca de três décadas. Na época, produtores foram enviados a Pernambuco para participar de um curso voltado à disseminação da técnica.

Zé Maria Pimenta, secretário de Agricultura de Quixeramobim, destaca a evolução da produtividade registrada desde então. “Esse trabalho começou exatamente há 30 anos atrás, quando nós mandamos 200 pequenos produtores de vaqueiros para fazer curso de inseminação lá no estado de Pernambuco. Aí começamos esse trabalho de melhoramento genético aqui na nossa pecuária de leite. Naquela época, a vaca boa de leite aqui dava 10 litros de leite. E nessa fazenda que vocês estão visitando, a média é de praticamente 40 quilos de leite por cada vaca que vocês estão vendo aqui”, destaca Zé Maria Pimenta.
A atividade responde por cerca de 5 mil dos mais de 11 mil empregos com carteira assinada existentes no município.

O secretário também aponta a presença da produção de leite nos distritos de Quixeramobim e a circulação de renda gerada pela atividade. “Todos os outros distritos tem alguém tirando leite, tem alguém produzindo leite, tem alguém gerando riqueza. Tudo isso por conta dessa atividade milagrosa. Que nós temos aqui, que é a nossa pecuária”, explica. A cadeia envolve não apenas os produtores e trabalhadores diretamente ligados à ordenha, mas também atividades relacionadas à alimentação dos animais, equipamentos, serviços e demais etapas necessárias para manter a produção.

Biotecnologia moderniza produção de leite no Ceará

O modelo adotado na propriedade reúne melhoramento genético, biotecnologia reprodutiva, alimentação planejada e manejo do rebanho. A combinação dessas estratégias transformou a rotina da fazenda e permitiu ampliar a produtividade das vacas ao longo das últimas décadas. A experiência também mostra como a pecuária leiteira ocupa espaço na economia de Quixeramobim, tanto pela produção rural quanto pela geração de empregos e pela movimentação de atividades ligadas à cadeia do leite.

As informações são do GCMais.

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