Durante muito tempo associada quase exclusivamente a frequentadores de academia e atletas, a proteína deixou de ser um nicho. Hoje, tornou-se uma megatrend global, impulsionando inovação em toda a indústria de alimentos, bebidas e suplementos.
Dados da empresa de inteligência de mercado SPINS mostram a dimensão desse movimento: as vendas de suplementos proteicos e substitutos de refeição cresceram em ritmo de dois dígitos, com aumento de 13% em volume e 12,4% em valor no último ano. Só os suplementos de proteína movimentaram cerca de US$ 8,6 bilhões em 2025. Para comparação, os eletrólitos — a segunda maior categoria — geraram US$ 266 milhões no mesmo período.
Esse crescimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. À medida que mais pessoas adotam um estilo de vida ativo, a proteína passa a ser vista não apenas como um nutriente para performance esportiva, mas como um componente central da alimentação voltada à saúde e ao bem-estar.
Da academia para o consumo cotidiano
Nos últimos anos, a proteína saiu do universo dos shakes e suplementos esportivos para entrar em produtos muito mais diversos. Hoje, ela aparece em alimentos cotidianos — de lanches e bebidas a sobremesas e refeições prontas.
Na indústria de alimentos e bebidas, a proteína passou a ser tratada como um ingrediente de valor agregado, capaz de elevar o perfil nutricional de praticamente qualquer categoria de produto.
Mas nem todos os formatos têm o mesmo desempenho no mercado. Alguns têm se mostrado especialmente promissores.
A evolução dos formatos: do pó às bebidas prontas
Os tradicionais pós proteicos continuam relevantes — especialmente os derivados de soro do leite (whey) — que ainda dominam o mercado de suplementos e substitutos de refeição. No entanto, a forma de consumir proteína está evoluindo rapidamente.
Produtos prontos para beber (RTD — ready to drink) estão ganhando espaço entre consumidores que buscam praticidade. Essas bebidas oferecem uma solução rápida para quem deseja aumentar a ingestão de proteína sem recorrer a preparações ou misturas. Esse movimento acompanha um padrão mais amplo da indústria: nutrição funcional combinada com conveniência.
Proteína como base da nutrição funcional
A proteína também vem sendo incorporada a produtos com diferentes objetivos nutricionais — desde suporte muscular até saciedade e controle de peso.
Isso reflete um mercado em expansão, no qual consumidores procuram alimentos que entreguem benefícios claros à saúde, mas que ainda ofereçam sabor, textura e prazer de consumo.
Ao mesmo tempo, a inovação em ingredientes permite desenvolver produtos com altos níveis de proteína sem comprometer a experiência sensorial, um desafio histórico para formuladores.
O próximo passo da tendência
À medida que a nutrição ativa se torna mais popular, a proteína tende a se consolidar não apenas como um diferencial de produto, mas como um componente padrão de formulação.
O nutriente já ultrapassou o nicho esportivo e passou a fazer parte da alimentação de consumidores de diferentes perfis — de atletas e praticantes de atividade física a pessoas interessadas simplesmente em manter uma dieta mais equilibrada.
Nesse cenário, a grande questão para a indústria deixa de ser se os produtos devem conter proteína — e passa a ser como entregá-la da forma mais eficiente, saborosa e conveniente possível.
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As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.