Por décadas, a resposta parecia óbvia: o produtor de leite. Hoje, no entanto, modelos mais estruturados mostram que essa conta pode (e deve) ser compartilhada ao longo da cadeia. O varejo e o foodservice ocupam uma posição estratégica na cadeia; são o ponto de contato direto com o consumidor e o laticínio e, em alguns modelos, estão cada vez mais próximos do produtor. Eles são, portanto, stakeholders chave nessa transformação da cadeia do leite e tem bastante influência para alavancar novos conceitos e padrões.
Além disso, com as pressões regulatórias e exigências ESG, essa mudança de comportamento e colaboração de várias partes da cadeia é muito necessária. Se essa tendência desce a cadeia apenas como uma lista de requisitos sem contrapartida, o resultado é previsível: mais burocracia, margens ainda mais apertadas e pouca previsibilidade para planejamento. Mas quando varejo e indústria assumem papel ativo na construção da estratégia, o cenário muda. Em vez de apenas negociar preço, passam a estruturar programas conjuntos, com metas claras, incentivos definidos e divisão clara de responsabilidades ao longo da cadeia.
É a transição de uma lógica de commodity pricing para uma arquitetura de value chain integration. Isso significa sair de uma lógica puramente transacional para a construção de valor. Quando as parcerias são bem estruturadas, o produtor passa a operar dentro de uma estratégia clara de mercado. Em vez de apenas reagir às exigências, o produtor participa da construção das soluções.
Corresponsabilidade como estratégia, não como concessão
A transformação da cadeia exige investimento. Reduzir emissões, melhorar indicadores produtivos e atender a novos padrões ambientais demandam recursos financeiros e planejamento de longo prazo.
Tatiani Bula Sundgaard, da Arla Foods, é direta ao diagnosticar o problema e apontar o caminho. “Essas parcerias são fundamentais para agregar valor ao leite, incentivar o produtor a ser cada vez mais eficiente e sustentável e ainda dividir a responsabilidade desse financiamento necessário para a mudança. O produtor e o consumidor não vão pagar a conta sozinhos e, além de importante, essa parceria é uma responsabilidade conjunta da cadeia toda – incluindo o varejo e o foodservice. A Arla Foods colabora diretamente com seus clientes para oferecer valor agregado aos produtos, mais opções aos consumidores e mais valor ao leite. A missão da empresa é garantir o maior valor possível para o leite dos nossos produtores, ao mesmo tempo que criamos oportunidades para o seu crescimento.”
A declaração reforça um ponto central: a sustentabilidade econômica da cadeia leiteira depende da corresponsabilidade entre os elos. Se apenas um agente absorve custos adicionais, o sistema se fragiliza. Quando a responsabilidade é compartilhada, cria-se um ambiente mais estável para investir e evoluir.
Em um mercado global cada vez mais competitivo, competir apenas por volume ou preço é uma estratégia limitada, e a diferenciação passa pela capacidade de gerar valor percebido e verificável pelo consumidor e pelo produtor. Isso exige alinhamento, dados compartilhados e compromisso mútuo do campo à gôndola.
Parcerias com varejo e foodservice, quando bem estruturadas, deixam de ser acordos comerciais sofisticados e passam a funcionar como instrumentos de posicionamento de mercado, mecanismos de financiamento coletivo da transformação e vetores de construção de resiliência competitiva de longo prazo.
Para entender como esse modelo funciona na prática, com casos reais e exemplos de influência direta no campo através de programas e projetos pilotos financiados por diversos parceiros do varejo e foodservice garanta seu lugar no Milk Pro Summit. A palestra "Parcerias para produção com o varejo e foodservice: o exemplo da Arla Foods", com Tatiani Bula Sundgaard, vai trazer esse modelo nos dias 28 e 29 de maio, no Milk Pro Summit. Se você toma decisões na cadeia do leite, essa é a conversa que você não pode perder. Garanta já a sua vaga.