A economia do sono: como a busca por descanso está criando oportunidades para lácteos e alimentos

A privação de sono está se tornando um grande negócio à medida que os consumidores passam a se preocupar cada vez mais com a qualidade do descanso. Mas como o mercado de alimentos e bebidas está respondendo a esse cenário?

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A falta de sono é uma preocupação crescente, associada a problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e saúde mental. Estima-se que o mercado global de alimentos e bebidas para melhorar o sono cresça de US$ 9,4 bilhões em 2025 para US$ 16,7 bilhões em 2033. Ingredientes como GABA, melatonina e camomila são comuns em produtos voltados para o sono. Empresas, como Nestlé, investem nesse segmento, criando produtos que integram relaxamento em rotinas noturnas.
A falta de sono tornou-se uma preocupação crescente entre consumidores e especialistas em saúde, já que dormir mal está associado a diversos problemas, que vão desde fadiga no dia a dia até doenças cardiovasculares, diabetes, maior vulnerabilidade a infecções, ganho de peso e problemas de saúde mental.

Estudos reforçam essa relação. Uma análise com dados do UK Biobank, envolvendo 247.867 adultos, mostrou que dormir menos de seis horas por noite aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2, mesmo com alimentação considerada saudável. 

Apesar da preocupação crescente, a indústria de alimentos e bebidas ainda explora pouco esse mercado em comparação com outras áreas da nutrição funcional, como proteínas e nutrição esportiva.

Um mercado em expansão

O mercado global de alimentos e bebidas voltados ao sono foi estimado em cerca de US$ 9,4 bilhões em 2025 e pode alcançar aproximadamente US$ 16,7 bilhões até 2033, com uma taxa média anual de crescimento de cerca de 8,6%.

Grande parte desse crescimento está relacionada ao estilo de vida contemporâneo, caracterizado por altos níveis de estresse, jornadas intensas de trabalho e uso constante de tecnologia, fatores frequentemente associados à piora da qualidade do sono.

Uma pesquisa com 9.500 consumidores em 13 países revelou que 57,6% das pessoas consideram dormir melhor um dos principais objetivos de saúde. Outro levantamento indica que cerca de 68% dos consumidores demonstram interesse em produtos que auxiliem na qualidade do sono, e quase metade deles afirma que estaria disposta a pagar por soluções consideradas eficazes.

Quais ingredientes ajudam a dormir melhor?

Entre os ingredientes frequentemente associados ao relaxamento e à melhora do sono estão compostos como GABA, L-teanina, magnésio, camomila, extrato de chá verde e triptofano

Continua depois da publicidade

Algumas fórmulas também incluem a melatonina, um hormônio naturalmente produzido pelo organismo e responsável por regular o ciclo sono-vigília. Em alimentos e suplementos, ela é utilizada para apoiar o relaxamento e ajudar na regulação do ritmo biológico.

Também cresce o desenvolvimento de produtos voltados ao consumo noturno, geralmente com baixo teor de açúcar ou sem cafeína. A proposta é integrar esses itens a rituais cotidianos antes de dormir, como beber um chá ou consumir um pequeno snack.

Empresas globais de lácteos e derivados já observam a oportunidade

Grandes empresas do setor alimentício também passaram a observar o potencial desse mercado. Entre elas está a Nestlé, que vem investindo no desenvolvimento de produtos voltados a necessidades nutricionais específicas de consumidores, especialmente a partir da meia-idade.

Recentemente, a empresa lançou uma bebida chamada Vital, formulada com compostos bioativos destinados a apoiar a qualidade do sono, a recuperação muscular e a saúde da pele. Segundo a companhia, a busca por rotinas de saúde mais proativas e personalizadas tende a impulsionar a expansão desse mercado nos próximos anos.

A economia do sono: como a busca por descanso está criando oportunidades para alimentos e lácteos

Outras empresas também têm apostado nessa tendência. A estadunidense Functional Chocolate Company lançou um produto chamado Sleepy Chocolate, uma barra de chocolate amargo formulada para consumo noturno e combinada com ingredientes botânicos associados ao relaxamento, como camomila, passiflora, erva-cidreira e raiz de valeriana.

A economia do sono: como a busca por descanso está criando oportunidades para alimentos e lácteos

No Reino Unido, a Tom Parker Creamery desenvolveu uma bebida láctea destinada ao consumo antes de dormir, enriquecida com ingredientes como camomila, lavanda e valeriana. A proposta é transformar um produto cotidiano em parte de um ritual de relaxamento noturno.

A economia do sono: como a busca por descanso está criando oportunidades para alimentos e lácteos

Produtos amigos do sono no Brasil

No Brasil, esse tipo de produto também começa a ganhar espaço, acompanhando a tendência global de alimentos funcionais voltados ao sono. Um exemplo é a linha Ninho Hora de Dormir, também da Nestlé, formulada com camomila, magnésio, vitamina B6 e um mix de vitaminas e minerais, com proposta de ajudar no relaxamento antes de dormir e apoiar uma rotina noturna mais tranquila.

Continua depois da publicidade

Além das bebidas lácteas, o mercado brasileiro também tem visto o surgimento de produtos inovadores, como achocolatados e chocolates com melatonina, ingrediente associado à regulação do ciclo do sono. Marcas e iniciativas como Chocosono e Doce Noite apostam nesse conceito ao combinar chocolate com compostos que estimulam o relaxamento, posicionando esses produtos como parte de rituais noturnos de bem-estar. 

A economia do sono: como a busca por descanso está criando oportunidades para alimentos e lácteos

Uma nova fronteira para alimentos funcionais

À medida que cresce a conscientização sobre a relação entre sono e saúde geral, aumenta também o interesse por produtos capazes de apoiar uma rotina de descanso mais equilibrada. Para especialistas, o potencial desse mercado é significativo, mas as marcas precisam ter cuidado para não prometer soluções milagrosas.

A tendência aponta para produtos que se integrem a hábitos saudáveis e rotinas noturnas de relaxamento. Combinando ingredientes funcionais, formatos familiares e posicionamento ligado ao bem-estar, a chamada “economia do sono” pode se consolidar como uma das próximas grandes oportunidades para a indústria global de alimentos e bebidas.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também:

Entre o prazer e a saúde: o desafio da indulgência saudável

EUA: Starbucks lança bebidas engarrafadas de café com proteína

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 5

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?