Foto: Felipe Sousa/Acervo pessoal
Felipe é casado com o belga Lionel Plaquette, criador da manteiga artesanal Plaquette, ultra tradicional, exposta no stand em uma caixa preta de jóias. A iguaria voa nos aviões das classes superiores da Lufthansa e em jatos privados, embalados como bombons de 20 g. Também mima os clientes de hotéis de luxo de Paris, Mônaco, Miami ou Dubai. Eles têm um grande portfólio de sabores de manteigas: flor de sal, trufas brancas de Alba, da Itália; algas da Bretanha francesa e outras. Mas foi com os sabores vindos da inspiração brasileira que levaram os dois prêmios.
Foto: Felipe Sousa/Acervo pessoal
O próximo projeto de Felipe é exportar suas manteigas para o Brasil, com previsão para enviar a primeira remessa em março de 2027. "Estive no Mundial do Queijo como jurado em abril e vi como o mercado brasileiro de lácteos é promissor, ainda mais agora que as Bets foram proibidas, tenho certeza que as pessoas vão buscar prazer e conforto em queijos e produtos lácteos", confia Felipe, que estará no país nos próximos dias para a prospecção de mercados, entre eles a Casa Santa Luzia, em São Paulo.
Manteiga em família
"Felipe deu ideia de lançar esses sabores mais 'calientes' para homenagear suas mães, a adotiva, Rosilene, que é maranhense, e Léa, a biológica, que é paraense", disse Lionel, orgulhoso. "Então eu também quis dar esse presente para minhas sogras, como um buquê de cores e sabores, principalmente para agradecer essa paciência excepcional com que administraram toda a energia e criatividade de Felipe" brincou ele. O brasileiro começou a trabalhar com as manteigas em 2020 e está na Europa há dez anos.
Foto: Felipe Sousa/Acervo pessoal
Rosilene, a mãe adotiva, foi quem sugeriu o chimichurri. "A irmã dele, Fernanda, também nos ajudou na criação, testamos muitos tipos da receita", disse Lionel. O resultado é uma manteiga com gosto de América Latina, "todas as ervas, esse lado picante, reconfortante, mas que transmite uma tipicidade excepcional".
Para homenagear Léa, foi Lionel quem sugeriu a pimenta "pelo seu jeito muito impulsivo, muito vivo, muito vulcânico, foi justamente essa intensidade, o lado "caliente" que a manteiga buscou capturar", disse Lionel. Mas há também doçura. Lionel lembra que Léa adora flores, cultiva seu pequeno jardim. Por isso, a manteiga traz "esse lado floral e aromático da pimenta". O contato entre os dois nunca foi profundo pela distância e pelo idioma: "infelizmente não tive o prazer de conversar de forma filosófica ou mais profunda com essas duas mães", lamenta, "mas o que fica é a doçura do olhar, apesar desse caráter bem marcado, arraigado, quase cortante, inoxidável da minha sogra", filosofa o produtor, emocionado.
As informações são do Blog Só Queijo, de Débora Pereira, do Paladar, Estadão.
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