Nestlé destina R$ 150 milhões à parceria com produtores de leite até 2027

O investimento ocorre em um cenário de crescente concentração da atividade leiteira, marcado pela redução do número de propriedades e pelo aumento da escala e da produtividade das fazendas que permanecem na atividade.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 4

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A Nestlé investirá R$ 150 milhões entre 2025 e 2027 para fortalecer sua relação com produtores de leite no Brasil, em um mercado em concentração. A empresa busca profissionalizar a atividade leiteira, focando na qualidade e na sustentabilidade. A Nestlé adquire cerca de 1 bilhão de litros de leite por ano e planeja aumentar a produção de soro. A estratégia visa fidelizar produtores e implementar práticas de agricultura regenerativa, visando maior competitividade no mercado internacional.
A Nestlé está destinando R$ 150 milhões, no período de 2025 a 2027, para fortalecer o relacionamento com produtores de leite no Brasil. O investimento ocorre em um cenário de crescente concentração da atividade leiteira, marcado pela redução do número de propriedades e pelo aumento da escala e da produtividade das fazendas que permanecem na atividade.

Para Barbara Sollero, Gerente Executiva de Compras de Leite da Nestlé, essa transformação reflete a necessidade de profissionalização de uma atividade que disputa capital e rentabilidade com outras culturas agrícolas. “O que a gente vem vendo são produtores cada vez mais profissionais, olhando para a fazenda como uma empresa rural, com muito mais gestão dos custos e implementação de tecnologias”, afirma.

Na ponta da captação, as 17 empresas e cooperativas participantes do ranking da Abraleite captaram 40% do leite formalmente inspecionado no Brasil ou, aproximadamente, 11 bilhões de litros em 2025. O volume representa alta de 6,5% sobre o ano anterior, enquanto o número de fornecedores dessas empresas recuou 3,2% no mesmo período.

Atualmente, a multinacional suíça adquire aproximadamente 1 bilhão de litros de leite fresco por ano, além de cerca de 100 milhões de litros de soro. A companhia prevê ampliar em 15% a produção de soro de leite até 2029 com a retomada da operação em Carazinho (RS). Este movimento também está relacionado ao aumento da demanda por lácteos proteicos produzidos a partir deste insumo no contexto das mudanças de hábitos motivadas pelas "canetas emagrecedoras".

Continua depois da publicidade

Barbara afirma que a prioridade da empresa não é necessariamente ganhar participação no mercado, mas agregar valor à matéria-prima destinada a produtos como os da marca Ninho. Ainda assim, a Nestlé está entre as maiores compradoras de leite do país. A executiva observa que a concentração favorece a logística das indústrias, mas torna ainda mais estratégico preservar o relacionamento com fornecedores competitivos.

Figura 1
Fonte: AgFeed. 

Fidelização pela qualidade

A estratégia de relacionamento também procura garantir que os investimentos feitos nas propriedades leiteiras tragam resultados duradouros para a companhia. “Eu quero transformar esse produtor, mas quero que ele esteja comigo no longo prazo”, reforça. Para isso, a remuneração dos fornecedores considera as condições de mercado e critérios de qualidade. Quem investe em melhorias pode obter condições comerciais mais favoráveis.

Diferentemente das cadeias de aves e suínos, a captação de leite não costuma funcionar por contratos de integração. Os produtores têm mais liberdade para negociar sua produção com diferentes compradores. “A gente acredita muito que, trabalhando dessa forma transparente, com parceria, temos produtores fidelizados. O pequeno é o nosso futuro. O pequeno que quer crescer”, projeta.

Continua depois da publicidade

Parte dos recursos anunciados será destinada, além da assistência técnica, a práticas de agricultura regenerativa. Essas iniciativas ganharam força a partir de 2021, quando a empresa intensificou a implementação de seus compromissos globais de descarbonização. O trabalho envolve adoção de tecnologias, melhoria da gestão e redução das emissões de carbono, buscando conciliar desempenho ambiental e rentabilidade.

Brasil exportador?

A concentração também avança entre as indústrias. Segundo estimativas citadas por Barbara, as cinco maiores compradoras de leite do Brasil, que respondiam por aproximadamente 25% da captação há uma década, hoje se aproximam de 30%. O movimento acompanha a expansão de grandes grupos e as aquisições de empresas menores, embora o mercado brasileiro permaneça fragmentado.

Para a executiva, essa reorganização pode ajudar o país a desenvolver uma cadeia leiteira mais competitiva internacionalmente. O Brasil ainda depende de importações de lácteos para atender parte do consumo doméstico, diferentemente de outras cadeias agropecuárias nacionais com forte presença nas exportações.

Barbara avalia que a evolução da produtividade, dos padrões de qualidade e da sustentabilidade será determinante para mudar esse cenário. “A gente ainda tem uma série de questões para superar, de qualidade e eventualmente de sustentabilidade, emissões de carbono. Isso vai ser consequência dessa maior profissionalização”, analisa.

As informações são do AgFeed, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint. 

Vale a pena ler também: 

Balança comercial: importações de lácteos voltam a crescer e ampliam déficit em setembro

Queijos artesanais ajudam pequenos produtores de leite do RS a permanecer na atividade

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 4

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?