Embora tenha quase 60 anos de atuação em proteínas animais e liderança em segmentos como linguiça, a Aurora ainda busca ganhar escala em laticínios, área em que atua há pouco mais de uma década. “Tem muita gente que ainda não conhece os lácteos da Aurora. O Auro Pro vem justamente para mostrar que a marca também pode entregar boa nutrição nessa categoria”, afirma Ricardo Chueiri, diretor de mercado e consumo da Aurora Coop.
O movimento reflete um mercado que cada vez mais aposta no estilo de vida focado no bem-estar. Antes da Aurora, marcas como Piracanjuba, Nestlé e Ferrero também apostaram em produtos proteicos. A cooperativa quer ampliar a presença em categorias premium, fortalecer o portfólio de maior margem e aumentar sua participação dentro dos lares brasileiros. Hoje, a Aurora está presente em 77% dos domicílios do país, ante menos de 40% há cinco anos.
No último ano, a empresa fechou com um faturamento de R$ 26,9 bilhões, o que representou um crescimento de 8,3% em relação a 2024. Para este ano, o objetivo é manter o crescimento de cerca de 8%.
A disputa pelo mercado de proteínas
A linha Auro Pro Whey começa a ser divulgada aos varejistas nesta segunda-feira (18/5) e no próximo mês já deve estar nos mercados. O lançamento inclui bebidas proteicas com 15 gramas de proteína sem adição de açúcar e lactose. Os sabores são de chocolate, morango, capuccino e baunilha. A companhia também criou uma versão voltada ao público adolescente, chamada Auro Pro Teen. A diferença é a quantidade reduzida de proteína, 10 gramas, e um design pensado para o público jovem.
“O fato de entrarmos depois no mercado de bebidas proteicas permitiu observar o que funcionou, o que não funcionou e desenvolver um produto com sabor muito competitivo”, diz Chueiri. “Já temos uma presença muito forte nos supermercados e nas gôndolas. A força da marca Aurora deve ajudar bastante na recepção dessa nova linha.” O lançamento também chega com valor competitivo no mercado, por cerca de R$ 7,20 e por cerca de R$ 5,4o para a versão pensada para adolescentes.
O movimento também acompanha uma mudança mais ampla no consumo de alimentos. O executivo afirma que a companhia monitora o avanço de produtos ligados à saudabilidade e ao consumo proteico, impulsionado por academias, dietas e medicamentos para perda de peso. “Sabemos o quanto o consumo saudável ganha importância. Estamos atentos para que nossos produtos façam parte de uma dieta equilibrada", diz Chueiri.
A empresa aposta que o lançamento das bebidas proteicas pode aumentar a visibilidade da operação de lácteos e abrir espaço em categorias de maior crescimento no varejo alimentar.
Da linguiça ao premium
A Aurora construiu sua força histórica no mercado de linguiças. Mas nos últimos anos a empresa acelerou uma estratégia para ampliar sua presença em categorias de maior valor agregado.
Em 2022, lançou a linha Aurora Premium, com linguiças gourmet, hambúrgueres, cortes temperados e produtos voltados ao churrasco. Depois vieram itens de frios e embutidos premium, como salames, copa fatiada e presuntos importados da Espanha e da Itália. A cooperativa também ampliou a linha de empanados de frango. “O consumidor está sofisticando o consumo dentro de casa”, afirma. “Ele sai menos e busca experiências melhores no próprio lar.”
O avanço dos produtos premium ajuda a elevar o ticket médio e fortalecer a imagem da marca. A estratégia ganhou tração com a aquisição da Gran Mestri, em 2025, marca de queijos especiais. A operação incluiu produtos como parmesão, provolone e gorgonzola e grana padano.
Fazer a marca ser vista
Desde 2020, a Aurora acelerou os investimentos em marketing para ampliar sua presença entre os consumidores. A cooperativa passou a apostar mais em campanhas de televisão, patrocínios e ações de mídia para fortalecer a marca nacionalmente.
A estratégia marcou uma mudança para uma empresa que, até então, tinha atuação mais discreta em comunicação. “O nosso papel era justamente fortalecer a marca e deixar a Aurora mais evidente para o consumidor”, afirma Chueiri.
O movimento também incluiu uma renovação da identidade visual e das embalagens. A empresa modernizou o design dos produtos e reforçou o posicionamento ligado à origem cooperativista da companhia, formada por produtores rurais.
Em 2025, o crescimento foi de 8,3%. Dos R$ 26,9 bilhões faturados, 40% vem da exportação de carnes, voltada para os mercados da China, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Europa e Estados Unidos.
As informações são do portal Exame, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Leia também:
Como a proteína de soro de leite está redefinindo a economia global de laticínios
Crescente demanda por proteína impulsiona nova tendência de bebidas