Está dito: a proteína seguirá como a maior tendência alimentar de 2026. No entanto, esse macronutriente não será o único movimento a moldar o próximo ano. Outras tendências emergentes vêm ganhando espaço e já figuram entre as principais apostas de fornecedores de ingredientes para os próximos 12 meses.
Essas mudanças, algumas ainda de nicho e outras avançando rapidamente, estão prestes a redesenhar o cenário de alimentos e bebidas como o conhecemos. A seguir, as principais previsões de tendências alimentares para 2026, além das proteínas.
A fibra é a nova proteína
Embora a proteína continue dominando a formulação de alimentos e bebidas em 2026, especialistas apontam que a fibra vem assumindo um protagonismo semelhante. Essa é a avaliação da Nexira, fornecedora francesa de goma acácia.
“É uma tendência que observamos há muitos anos, mas agora parece que todos os planetas estão se alinhando”, afirma Julie Imperato, gerente de marketing e comunicação da empresa.
Ela se refere à convergência de diferentes movimentos que estimulam o consumo de fibras, desde o avanço do uso de medicamentos GLP-1 — nos quais as fibras contribuem para a sensação de saciedade — até o foco crescente na saúde intestinal. A fibra de acácia, além de atuar como emulsificante, estabilizante e texturizante, oferece benefícios prebióticos, auxiliando na nutrição das bactérias benéficas do intestino.
A conscientização sobre a saúde intestinal continua a crescer, a ponto de alguns especialistas afirmarem que “a fibra será a nova proteína”.
A linha entre suplementos e alimentos fica cada vez mais tênue
O mercado de alimentos e bebidas funcionais vive um momento de forte expansão, impulsionado por ingredientes que prometem benefícios específicos à saúde. Essa tendência reflete o desejo dos consumidores por uma nutrição que vá além da simples manutenção do organismo.
Para Nadia Ustinova, gerente global de marketing de inovação da FrieslandCampina Ingredients, esse movimento aponta claramente para o futuro do setor.
“A indústria está cada vez mais confundindo as fronteiras entre suplementos e alimentos”, explica, citando produtos desenvolvidos para aliviar o estresse ou promover a saúde do cabelo e das unhas. Essas necessidades, antes associadas aos setores de suplementos, beleza ou nutracêuticos, agora passam a ser atendidas também por alimentos e bebidas.
“Essa é a maior tendência — não apenas para 2026, mas para os próximos anos. Queremos que a nutrição faça mais por nós”, afirma.
Substituição de ingredientes por sustentabilidade e rentabilidade
A instabilidade no fornecimento de ingredientes-chave vem forçando os fabricantes a buscar alternativas, não apenas por razões ambientais, mas também por sustentabilidade econômica.
“A volatilidade das matérias-primas é extremamente difícil de administrar”, afirma Gabriele Primavera, diretor de marketing estratégico e desenvolvimento de negócios da Nexture. Ingredientes como cacau e ovos, afetados por escassez global, tornaram-se especialmente desafiadores de obter.
“Hoje, sustentabilidade não diz respeito apenas a salvar o planeta, mas também à sobrevivência dos negócios.”
Esse movimento ocorre em um contexto de novos surtos de gripe aviária, registrados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, que afetam diretamente a oferta e os preços dos ovos e levam os fabricantes a repensar suas formulações.
Longevidade e envelhecimento saudável
Com a população idosa crescendo mais rapidamente do que qualquer outro grupo etário, o envelhecimento saudável desponta como uma das grandes tendências de 2026. O que chama a atenção, porém, é a evolução desse conceito para algo mais amplo: a longevidade.
Essa tendência não se limita às faixas etárias mais avançadas. Consumidores interessados em viver mais e com melhor qualidade de vida estão sendo incentivados a cuidar da saúde desde muito cedo — em alguns casos, desde o nascimento.
“Antes, quem passava dos 70 anos era considerado velho. Hoje, muitas pessoas chegam aos 90 ou até aos 100 anos com altos níveis de atividade”, explica Valérie Lemarq, gerente global de produtos de saúde e nutrição da Rousselot. Esse novo cenário faz com que os consumidores busquem alimentos com propriedades que ajudem a manter a vitalidade e a funcionalidade por mais tempo. “É uma tendência para toda a vida.”
E as proteínas?
Por fim, as proteínas seguem no centro das atenções. Embora alguns analistas apontem uma possível desaceleração, outros projetam continuidade no crescimento da demanda. O consenso, ao menos para 2026, é que não há sinais de queda no curto prazo.
As proteínas devem permanecer como uma força dominante nas formulações de alimentos e bebidas, consolidando-se como uma das tendências mais relevantes a acompanhar no próximo ano.
As informações são traduzidas do Dairy Reporter.