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Quais os desafios que Ozempic representa para os laticínios?

POR MARIA LUÍZA TERRA

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/07/2024

6 MIN DE LEITURA

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Medicamentos como a Ozempic têm ganhado destaque nas redes sociais e canais de notícias. O uso de GLP-1 (peptídeo 1 semelhante ao glucagon), como o Ozempic, tornou-se popular como solução para perda de peso. Diferente de modas dietéticas passageiras, esses medicamentos são amplamente endossados por celebridades e têm atraído a atenção tanto da mídia quanto das empresas alimentares, que se preocupam com as mudanças nos hábitos de consumo e seu impacto financeiro.

À medida que entendemos mais sobre os efeitos a longo prazo desses medicamentos, surgem questões sobre o seu impacto na demanda por alimentos. Medicamentos como o Ozempic vieram para ficar? E o que significa a sua crescente popularidade para as vendas de alimentos e as tendências de consumo?

Phil Plourd, presidente da Ever.Ag Insights, compartilhou no 2024 Pennsylvania Dairy Summit que 1 em cada 100 pessoas está tomando medicamentos GLP-1 nos EUA. “Esse número aumentará à medida que se tornar mais barato e eventualmente for oferecido em forma de comprimido”, afirmou. Plourd destacou que, anteriormente, 98-99% dos usuários desses medicamentos com GLP-1 eram diabéticas tipo 2, mas agora menos de 70% utiliza para essa condição, com um crescente número de pessoas usando-os para perda de peso. “Acho que é algo para ficar de olho como uma tendência potencial no futuro.”

No podcast The Dairy Download, Darren Seifer, consultor da indústria de bens de consumo e serviços de alimentação Circana, teve opinião similar à de Plourd, “Parece que está em todas as manchetes, mas menos de 5% pessoas estão usando esses medicamentos com o intuito de perder peso. Estamos continuamente monitorando esse crescimento.”

Como Ozempic pode impactar as vendas de alimentos no varejo

Empresas como Walmart, Frito Lay e Pepsico estão atentas ao impacto dos medicamentos GLP-1, que parecem estar alterando os hábitos alimentares dos consumidores. Com a economia pressionando os gastos, Darren observou que os consumidores não deixarão de comprar alimentos, mas farão escolhas mais criteriosas.

“A prioridade é comida,” disse Darren. “Depois de decidir sobre alimentos e bebidas, há menos dinheiro para gastar em roupas e tecnologia. Os consumidores estão fazendo escolhas mais conscientes sobre como gastar seu dinheiro.”

Embora a redução no volume e na frequência de compras seja observada, nem todas as pessoas em uma casa estão usando o medicamento, então as necessidades alimentares dos outros membros permanecem. “Ainda é um comportamento pequeno, mas crescente,” comentou Darren. “Precisamos continuar observando para ver como se manifesta.”

Segundo Darren, os usuários de Ozempic tendem a evitar carboidratos, álcool e calorias, buscando uma dieta mais rica em proteínas. No entanto, 40% dos adultos, em geral, já buscam mais proteínas em suas dietas. Além disso, há um grupo de consumidores que está mais focado na alimentação mais saudável. “Isso deve ser uma coisa que o mercado precisa estar atento.”

Dan Frommer, fundador e editor-chefe do The New Consumer, mencionou que quaisquer efeitos recentes se baseiam em uma pequena porcentagem da população e num curto período. “Pessoas estão consumindo mais proteínas para compensar a perda de massa muscular causada pelo medicamento,” disse ele. Suas pesquisas mostraram resultados semelhantes ao relatado por Darren: pessoas disseram estar consumindo menos carboidratos e menos lanches. 

Pamela Kaufman, analista de tabaco e alimentos embalados do Morgan Stanley, possui opinião semelhante. Segundo ela, as indústrias de alimentos, bebidas e restaurantes poderão ver uma demanda mais fraca, especialmente por alimentos não saudáveis e opções com alto teor de gordura, doces e salgados.

Pamela descreveu o impacto dos medicamentos para perder peso, como o Ozempic, no comportamento do consumidor. “Dois terços dos pacientes relataram comer três ou mais lanches por dia antes de iniciar os medicamentos, enquanto 74% relataram comer dois lanches ou menos após iniciar os medicamentos”, diz Kaufman.

Produtos de confeitaria e salgadinhos parecem estar em maior risco devido ao aumento do uso de medicamentos para obesidade, com analistas prevendo uma queda no consumo de até 3% até 2035.

As cadeias que vendem principalmente alimentos considerados não saudáveis enfrentam um risco a longo prazo, com previsão de crescimento das vendas nas mesmas lojas entre 1% e 2%. As cadeias de fast food que oferecem alimentos não saudáveis enfrentam riscos a longo prazo, enquanto algumas redes de fast-casual já estão adaptando seus menus.

Enquanto observamos como o Ozempic continua a mudar de um medicamento pré-diabético para um medicamento para perda de peso, a indústria alimentar, incluindo a indústria dos laticínios, está explorando como estes medicamentos podem potencialmente remodelar o futuro do consumo de alimentos.

GoodsRX Health compartilha que os principais alimentos a ser evitados pelos usuários de Ozempic são os alimentos ricos em gordura, com destaque para os lácteos com alto teor de gordura, como sorvete, creme, manteiga e alguns queijos. Eles dizem que quando combinados com Ozempic, a probabilidade de desenvolver efeitos colaterais intestinais aumenta.

Darren Seifer, entretanto, acredita que os laticínios possam ter uma certa vantagem. “Os lácteos já possuem as propriedades que os consumidores buscam no geral, e o que consumidores que estão usando o medicamento estão procurando. Altos níveis de proteínas e diferentes formas em que vários desses produtos são baixos em carboidratos. Há coisas que são naturais para vários dos produtos lácteos que alguns desses consumidores também estão procurando.”

A Nestlé, por exemplo, lançou a linha Vital Pursuit, focada em consumidores de medicamentos para perda de peso GLP-1 nos EUA, oferecendo produtos ricos em proteínas e nutrientes essenciais, porcionados diferentemente para adequar ao apetite do usuário de medicamentos para perder peso. Os primeiros produtos são pizza e sanduíche.

“Estamos aproveitando nosso profundo conhecimento dos consumidores e da ciência nutricional para nos mantermos à frente das tendências que estão moldando os comportamentos dos consumidores e inovando em nosso portfólio para oferecer produtos que as pessoas vão adorar”, disse Steve Presley, CEO da Nestlé América do Norte. 

A Danone tem observado um crescimento na procura por seus iogurtes de alta proteína e baixa caloria nos EUA. “Nossos iogurtes proteicos estão saindo rapidamente das prateleiras. Esses produtos atraem tanto os consumidores em tratamento com GLP-1 quanto aqueles que buscam gerenciar seu peso ou bem-estar”, ressaltou Juergen Esser, vice-presidente executivo de finanças da Danone.

Reconhecendo essa crescente demanda, a Danone está investindo em novas linhas de iogurtes proteicos e funcionais. Esses produtos visam suprir as deficiências vitamínicas que podem surgir com a ingestão reduzida de alimentos.

Ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre a permanência desses medicamentos no mercado e seus impactos a longo prazo. Dan Frommer acredita que os consumidores sempre buscarão maneiras fáceis de serem mais saudáveis ou perder peso, sem grandes mudanças na dieta. 

Darren sugere monitorar a tendência antes de fazer grandes investimentos, destacando a importância de ajustar porções e nutrientes conforme necessário. “O que precisamos fazer é continuar a monitorar antes de montar um plano e começar a gastar dinheiro nisso. Não estamos certos sobre qual direção isso está indo. Se isso continuar aumentando, elevando o número de consumidores com necessidades similares, acho que há formas de atender essas necessidades.”

Dan também compartilha a incerteza sobre o futuro do medicamento. “Ainda não sabemos os impactos a longo prazo na saúde dessas pessoas, não sabemos o interesse das pessoas a médio prazo uma vez que experimentem efeitos colaterais ou talvez algumas pessoas percam o peso que precisavam e consigam manter, o que normalmente não acontece. Provavelmente terá que usar por longo tempo ou usar periodicamente para que continue seu efeito.”

 

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Referências

Dairy herd
CNN Brasil
Startse
IDFA
Nestle
BHBFood

 

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