É com muita animação e entusiasmo que iniciamos esta série de artigos para o MilkPoint.
A idéia é usar nossas décadas combinadas de experiência na prestação de serviços técnicos para fazendas produtoras de leite e empresas de nutrição e saúde animal, para apresentar nossa visão de como consultores podem fazer a diferença e, de fato, contribuírem significativamente para que as fazendas sejam mais lucrativas e sustentáveis. Nossa expertise está fortemente calcada em nutrição, manejo da alimentação, ambiência e bem-estar animal, mas nossas “andanças leiteiras” pelo Brasil e em diferentes países nos deram uma visão ampla do que é importante para tornar as operações mais eficientes.
Para começar, vamos refletir sobre o que define um consultor. Segundo o ChatGPT 4.1, um consultor é um(a) profissional especializado, contratado por empresas (sim, fazendas são empresas!) para fornecer conselhos, diagnósticos e soluções voltados à melhoria de processos, estratégias e resultados, utilizando conhecimentos específicos para impulsionar mudanças e inovações necessárias ao sucesso do negócio. Parece simples, né? Consultor, ou consultora, é a pessoa que passa a vida dando palpites na forma de trabalhar das empresas! Brincadeiras à parte, quem está “na lida” da consultoria sabe que de simples não tem nada.
Em nossas andanças pelo mundo do leite vemos que há opiniões diversas sobre quais são, ou deveriam ser, as principais funções e responsabilidades de um consultor. Mas, baseado em nossas experiências, destacamos:
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Diagnóstico de Problemas: Identificar desafios, pontos fracos e potenciais oportunidades para melhoria nas operações da fazenda.
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Recomendação de Soluções: Desenvolver e sugerir estratégias ou planos de ação baseados em melhores práticas e análises detalhadas, para tornar a fazenda mais eficiente.
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Implementação de Mudanças: Auxiliar ou liderar a execução das soluções propostas, acompanhando o atingimento dos objetivos.
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Capacitações e Treinamentos: Qualificar as equipes para que possam executar corretamente as práticas e processos implementados.
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Monitoramento e Avaliação: Medir o impacto das mudanças, ajustando estratégias conforme necessário.
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Gestão de Projetos: Conduzir projetos de transformação, inovação ou reestruturação das operações da fazenda.
Definitivamente não é pouca coisa. E considerando o exposto acima, convidamos os leitores desse artigo para uma reflexão: faz sentido para um consultor realizar trabalhos de rotina em uma empresa/fazenda? Por exemplo, deve ser papel do consultor coletar amostras de alimentos para realização de análises bromatológicas, ou coletar amostras de leite durante a ordenha para realização de análises de qualidade?
Um consultor é remunerado pelo seu tempo. Para gerar o máximo valor para quem o contrata, esse tempo precisa ser investido em atividades que não podem ser realizadas pelos colaboradores da empresa/fazenda. Se isso acontece, o benefício-custo do consultor é sempre positivo. Para exercer de melhor forma o seu papel, um bom consultor precisa ter habilidades e competências diferenciadas, dentre as quais destacamos:
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Visão analítica, para poder interpretar dados e contextos corretamente. Sem isso, não consegue propor soluções eficazes.
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Comunicação clara, para transmitir informações técnicas de forma acessível a pessoas de diferentes níveis técnicos e intelectuais.
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Capacidade de influenciar positivamente as pessoas para engajar equipes e conseguir liderar mudanças.
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Capacidade de fazer gestão de conflitos, lidando com resistências internas e mediando soluções que beneficiem a empresa/fazenda.
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Conhecimento técnico robusto em sua(s) área(s) de especialidade (nutrição, reprodução, qualidade do leite, finanças, etc.).
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Flexibilidade e adaptabilidade para lidar com diferentes ambientes, culturas e demandas da empresa/fazenda e seus colaboradores.
Em nosso trabalho, buscamos constantemente identificar onde e como podemos contribuir para aumentar a eficiência de nossos clientes. Para isso, é essencial manter uma postura estratégica, sem nos envolver diretamente nas rotinas operacionais da empresa ou fazenda. Precisamos ser vistos pelas equipes como parceiros disponíveis para ajudar na resolução de problemas e na melhoria do desempenho. Quando o consultor assume funções operacionais e se torna “mais um” colaborador, perde sua função principal — e, nesse contexto, acaba representando um custo elevado para o cliente.
Nos próximos artigos dessa coluna, apresentaremos exemplos práticos do que entendemos ser um bom trabalho de consultoria, que gera valor real para os clientes. Esperamos que gostem!