Qual o real papel de um consultor?

Alexandre M. Pedroso e Ricardo O. Rodrigues estreiam coluna sobre o papel estratégico do consultor na pecuária leiteira e como ele pode gerar mais valor. Confira!

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É com muita animação e entusiasmo que iniciamos esta série de artigos para o MilkPoint.

A idéia é usar nossas décadas combinadas de experiência na prestação de serviços técnicos para fazendas produtoras de leite e empresas de nutrição e saúde animal, para apresentar nossa visão de como consultores podem fazer a diferença e, de fato, contribuírem significativamente para que as fazendas sejam mais lucrativas e sustentáveis. Nossa expertise está fortemente calcada em nutrição, manejo da alimentação, ambiência e bem-estar animal, mas nossas “andanças leiteiras” pelo Brasil e em diferentes países nos deram uma visão ampla do que é importante para tornar as operações mais eficientes.

Para começar, vamos refletir sobre o que define um consultor. Segundo o ChatGPT 4.1, um consultor é um(a) profissional especializado, contratado por empresas (sim, fazendas são empresas!) para fornecer conselhos, diagnósticos e soluções voltados à melhoria de processos, estratégias e resultados, utilizando conhecimentos específicos para impulsionar mudanças e inovações necessárias ao sucesso do negócio. Parece simples, né? Consultor, ou consultora, é a pessoa que passa a vida dando palpites na forma de trabalhar das empresas! Brincadeiras à parte, quem está “na lida” da consultoria sabe que de simples não tem nada.

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Em nossas andanças pelo mundo do leite vemos que há opiniões diversas sobre quais são, ou deveriam ser, as principais funções e responsabilidades de um consultor. Mas, baseado em nossas experiências, destacamos:

  • Diagnóstico de Problemas: Identificar desafios, pontos fracos e potenciais oportunidades para melhoria nas operações da fazenda.

  • Recomendação de Soluções: Desenvolver e sugerir estratégias ou planos de ação baseados em melhores práticas e análises detalhadas, para tornar a fazenda mais eficiente.

  • Implementação de Mudanças: Auxiliar ou liderar a execução das soluções propostas, acompanhando o atingimento dos objetivos.

  • Capacitações e Treinamentos: Qualificar as equipes para que possam executar corretamente as práticas e processos implementados.

  • Monitoramento e Avaliação: Medir o impacto das mudanças, ajustando estratégias conforme necessário.

  • Gestão de Projetos: Conduzir projetos de transformação, inovação ou reestruturação das operações da fazenda.

Definitivamente não é pouca coisa. E considerando o exposto acima, convidamos os leitores desse artigo para uma reflexão: faz sentido para um consultor realizar trabalhos de rotina em uma empresa/fazenda? Por exemplo, deve ser papel do consultor coletar amostras de alimentos para realização de análises bromatológicas, ou coletar amostras de leite durante a ordenha para realização de análises de qualidade? 

Um consultor é remunerado pelo seu tempo. Para gerar o máximo valor para quem o contrata, esse tempo precisa ser investido em atividades que não podem ser realizadas pelos colaboradores da empresa/fazenda. Se isso acontece, o benefício-custo do consultor é sempre positivo. Para exercer de melhor forma o seu papel, um bom consultor precisa ter habilidades e competências diferenciadas, dentre as quais destacamos:

  • Visão analítica, para poder interpretar dados e contextos corretamente. Sem isso, não consegue propor soluções eficazes.

  • Comunicação clara, para transmitir informações técnicas de forma acessível a pessoas de diferentes níveis técnicos e intelectuais.

  • Capacidade de influenciar positivamente as pessoas para engajar equipes e conseguir liderar mudanças.

  • Capacidade de fazer gestão de conflitos, lidando com resistências internas e mediando soluções que beneficiem a empresa/fazenda.

  • Conhecimento técnico robusto em sua(s) área(s) de especialidade (nutrição, reprodução, qualidade do leite, finanças, etc.).

  • Flexibilidade e adaptabilidade para lidar com diferentes ambientes, culturas e demandas da empresa/fazenda e seus colaboradores.

Em nosso trabalho, buscamos constantemente identificar onde e como podemos contribuir para aumentar a eficiência de nossos clientes. Para isso, é essencial manter uma postura estratégica, sem nos envolver diretamente nas rotinas operacionais da empresa ou fazenda. Precisamos ser vistos pelas equipes como parceiros disponíveis para ajudar na resolução de problemas e na melhoria do desempenho. Quando o consultor assume funções operacionais e se torna “mais um” colaborador, perde sua função principal — e, nesse contexto, acaba representando um custo elevado para o cliente.

Nos próximos artigos dessa coluna, apresentaremos exemplos práticos do que entendemos ser um bom trabalho de consultoria, que gera valor real para os clientes. Esperamos que gostem!

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Material escrito por:

Alexandre M. Pedroso

Alexandre M. Pedroso

Doutor em Ciência Animal e Pastagens, CowSignals Expert, especialista em nutrição, manejo e bem-estar de bovinos leiteiros.

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Ricardo O. Rodrigues

Ricardo O. Rodrigues

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Claudio H. de Bem
CLAUDIO H. DE BEM

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/05/2025

Parabéns Alexandre e Ricardo, pelo excelente artigo de abertura da série! A forma clara, entusiasta e tecnicamente fundamentada com que abordaram o papel do consultor no setor leiteiro é inspiradora. A experiência prática de vocês, aliada à visão estratégica e à ênfase na geração de valor real para as fazendas, mostra com precisão como a consultoria deve evoluir: saindo da rotina operacional para se tornar agente de transformação. A estrutura didática do texto, os exemplos e reflexões apresentados tornam a leitura envolvente e extremamente útil para profissionais do setor.
Alexandre M. Pedroso
ALEXANDRE M. PEDROSO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 13/05/2025

Muito obrigado pelas palavras, meu amigo! Seguimos fazendo o que gostamos e acreditamos!
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