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Review! Testamos (e aprovamos) tiras para detecção de álcool em leite

RAFAEL FAGNANI

EM 17/10/2019

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A adição de etanol em leite é um tipo de fraude praticada para disfarçar a aguagem. Para detectar essa adulteração, a prova oficial é bastante eficaz, porém laboriosa e demorada. Mas será que há outro método simples, rápido e que possa ser utilizado até mesmo na triagem do leite cru? A resposta é sim! São tiras vendidas em farmácias cuja finalidade original é detectar resíduos de álcool em leite materno. Confira aqui nossa análise e validação desse método alternativo que pode ser facilmente incorporado na rotina de recepção de laticínios.

A aguagem do leite é uma prática relativamente comum, com frequência média de 10% a 14%, o que pode variar dependendo da realidade local. Para disfarçar os efeitos da aguagem na crioscopia e não serem pegos, alguns fraudadores adicionam etanol no leite. Nesse caso, o álcool funciona como um reconstituinte da crioscopia, diminuindo o ponto de congelamento do leite e dando margem para a adição fraudulenta de água.

Apesar de pouco usual, a adulteração do leite cru com etanol é uma prática que prejudica toda a cadeia produtiva. Estima-se que ela ocorra em uma frequência média de 7%. Porém, esse dado pode ser ainda maior, uma vez que a prova para detecção de resíduos de etanol não é realizada de forma rotineira. Normalmente a análise é feita apenas quando há suspeita da adição de álcool, como erros na leitura do crioscópio, baixo ponto de congelamento acompanhado de:

(1) acidez normal;

(2) ausência de detecção de outros reconstituintes de crioscopia, como cloreto de sódio e açúcar.

Se você quer saber mais sobre a interpretação de análises de fraudes em leite acesse o Curso de Inspeção de Leite e Derivados na plataforma EducaPoint.

A análise oficial descrita pelo Mapa para detecção de resíduos de etanol em leite é bastante sensível, podendo detectar concentrações menores do que 0,01%. Os pontos negativos é que essa análise requer vidrarias e reagentes controlados, como a solução sulfocrômica feita a base de ácido sulfúrico. Ainda, o teste demora cerca 15 minutos, pois é necessário ferver um grande volume amostral de leite (100mL), o que é outro ponto negativo.

A solução para esses complicadores seria um teste rápido e com a mesma eficiência do teste oficial. Porém ele ainda não existe, pelo menos não especificamente para leite bovino. Hoje, o que temos no mercado são tiras que detectam resíduos de álcool no leite materno, um teste rápido voltado para mães lactantes que querem tomar bebida alcoólica sem comprometer a saúde do bebê. Esse teste é vendido em farmácias norte-americanas e europeias com diversos nomes: MilkScreen™, Safe Milk™, Pure Milk™ e Alcohol Breast Milk Test (Pregmate). A leitura dos resultados pode ser feita em 2 minutos.

Devido à similaridade entre o leite das espécies, seria muito provável que esses testes também detectassem resíduos de etanol em leite bovino. Foi o que testamos. Escolhemos a marca Milkscreen™ devido à melhor sensibilidade prometida pelo fabricante, ao custo e à disponibilidade para importação.

A pesquisa foi desenvolvida durante a iniciação científica da aluna Fernanda Montanholi de Lira, dentro do programa de mestrado em ciência e tecnologia do Leite da Unopar. Hoje o trabalho já foi aceito para publicação no Journal of Dairy Research. Os resultados foram ótimos, e você pode conferi-los no infográfico abaixo:

Apesar de ter uma menor sensibilidade em comparação ao teste oficial, o Milkscreen™ conseguiu detectar resíduos em concentrações maior ou igual a 0,017%. Esse desempenho já é suficiente ao considerarmos a realidade das fraudes, uma vez que as adições de etanol ocorrem em porcentagens médias de 0,15%.

Mesmo depois de 48h sob refrigeração, ambos os testes mantiveram a sensibilidade. Essa realidade simula as atuais condições de estocagem do leite cru regulamentadas pela IN77.

Ambos os testes foram menos eficientes quando realizados em amostras ácidas (>18ºD). Porém o desempenho do Milkscreen™ foi mais afetado, o que limita seu uso. Assim, a recomendação é utilizá-lo apenas em amostras dentro da faixa de normalidade de acidez (14º-18ºD).

O teste oficial é susceptível à resultados falso-positivos quando há adição de formol. Já o Milkscreen™ é mais específico e seu desempenho não é afetado quando há resíduos desse conservante.

Portanto, fica claro que o desempenho do Milkscreen é semelhante ao teste oficial para detecção de etanol em leite bovino. Possuindo vantagens em relação à simplicidade e rapidez de resultados, viabilizando seu uso inclusive na triagem da recepção dos laticínios, sempre combinando-o com o teste oficial para o diagnóstico final.

Infelizmente os testes rápidos ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro, sendo necessário importá-los. Como o princípio químico dos testes é bem simples, estamos desenvolvendo e validando um teste similar ao Milkscreen™, destinado especificamente para leite bovino.

E você? Acha que esses testes seriam úteis para a sua realidade? Compartilhe suas ideias aí nos comentários! Elas são sempre bem-vindas e enriquecem a coluna!

RAFAEL FAGNANI

Rafael Fagnani é professor na UNOPAR orientando alunos no curso de mestrado em ciência e tecnologia de leite e derivados. É formado em medicina veterinária com mestrado e doutorado em ciência animal pela UEL.

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