Segundo ele, o nível técnico das fazendas avançou significativamente nos últimos anos, tornando indicadores produtivos elevados um requisito básico para permanecer competitivo. "O índice zootécnico não é mais diferencial. Ele é pré-requisito para entrar no jogo", afirmou.
Para Marcelo, a realidade atual do setor exige que os produtores busquem ganhos adicionais de eficiência e gestão para preservar margens cada vez mais pressionadas. "Temos que fazer mais, testar coisas diferentes e buscar atividades que agreguem valor. Apenas produzir bem já não garante lucro."
Crescimento sustentado pela consistência
A experiência da Fazenda Cobiça ilustra essa visão. Com atuação exclusiva na atividade leiteira e toda a área agrícola direcionada para abastecer o sistema de produção, a propriedade está desenvolvendo um novo ciclo de expansão. O projeto prevê uma operação para aproximadamente 5 mil vacas, incluindo a implantação de uma nova sala de ordenha rotatória.
Apesar do crescimento contínuo ao longo dos anos, Marcelo atribui os resultados a um fator específico: consistência. "Se eu tivesse que definir a Fazenda Cobiça em uma palavra, seria consistência", destacou.
Segundo ele, essa estabilidade operacional é construída por meio de metodologia de trabalho, simplificação constante dos processos, auditorias internas e acompanhamento rigoroso dos indicadores. O monitoramento sistemático permite identificar desvios rapidamente e promover ajustes antes que eles comprometam os resultados.
Benchmarking como ferramenta de evolução
Outro ponto enfatizado por Marcelo foi a importância do benchmarking para acelerar melhorias.
A Fazenda Cobiça participa de grupos formados por propriedades de alto desempenho, utilizando a comparação de indicadores como referência para definição de metas e padrões operacionais. Além da comparação com outras empresas, a equipe realiza benchmarking interno, avaliando a própria evolução ao longo do tempo.
Segundo ele, acompanhar os melhores desempenhos do setor ajuda a identificar oportunidades de melhoria e evita que a gestão se acomode diante dos resultados já alcançados.
Produzir mais sem aumentar o consumo
Um dos exemplos apresentados foi a evolução da eficiência alimentar da fazenda ao longo da última década.
Marcelo mostrou que, entre 2015 e 2025, o consumo dos animais permaneceu praticamente estável, enquanto a produtividade continuou avançando. O resultado foi um ganho expressivo na eficiência econômica do sistema.
Segundo ele, essa evolução foi construída por meio da combinação de genética, conforto animal e aperfeiçoamento contínuo das estratégias de manejo.
A mensagem foi clara: ganhos consistentes de rentabilidade não dependem apenas de aumentar a produção, mas de produzir mais utilizando os mesmos recursos.
Dados confiáveis antes de qualquer análise
Na parte econômica da apresentação, Marcelo reforçou que a qualidade da informação é a base de qualquer tomada de decisão.
Para ele, antes de analisar indicadores financeiros, é necessário garantir a confiabilidade dos dados. Isso inclui práticas como conciliação bancária diária, alocação correta das despesas e acompanhamento detalhado dos custos de produção.
Entre os indicadores monitorados pela gestão da Fazenda Cobiça estão fluxo de caixa, resultado operacional, nível de endividamento e análise individual de cada componente de custo. No entanto, ele fez um alerta aos produtores: acumular números não gera resultados por si só. "Não adianta ter apenas o número. Ele precisa servir para alguma coisa", afirmou.
Técnica e gestão caminham juntas
Ao longo da palestra, Marcelo Branquinho reforçou que o sucesso das fazendas leiteiras modernas depende cada vez menos de ações isoladas e cada vez mais da integração entre técnica, gestão e disciplina operacional.
Em um ambiente de margens mais estreitas e crescente competitividade, os produtores que conseguem transformar dados em decisões, processos em consistência e eficiência técnica em resultado econômico tendem a construir operações mais resilientes e preparadas para crescer de forma sustentável.
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