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Perdas embrionárias em bovinos: principais causas e como evitar - Parte 1

EDUCAPOINT

EM 17/02/2020

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Por Ricarda Maria dos Santos e José Luiz Moraes Vasconcelos
 
No mundo todo, a perda embrionária pode ser responsável pela maior perda econômica isolada para os produtores de bovinos. Com 40 milhões de vacas e novilhas de corte expostas anualmente à reprodução nos Estados Unidos, as perdas anuais devidas à mortalidade embrionária são superiores a 2,2 bilhões de reais. No Brasil, com mais de 70 milhões de vacas de corte anualmente em reprodução, as perdas causadas pela mortalidade embrionária podem ser duas vezes maiores.
 
Os mecanismos envolvidos no estabelecimento e manutenção da prenhez são complexos e, tomando por base a literatura, foram poucos os progressos alcançados nos últimos 90 anos para reduzir o desperdício de embriões. 
 
As perdas embrionárias são definidas como as perdas que ocorrem entre a fertilização até o dia 42 da prenhez, quando a diferenciação e a implantação já ocorreram. As perdas que acontecem após o dia 42 são geralmente denominadas perdas fetais.
 
As perdas embrionárias são ainda divididas em duas categorias e classificadas como Mortalidade Embrionária Precoce (MEP; da fertilização até o dia 27) e Mortalidade Embrionária Tardia (MET; do dia 28 ao 42). A maior parte da mortalidade embrionária é representada pela mortalidade embrionária precoce, com relato de taxas variando de 20 a 40% em bovinos de corte. A mortalidade embrionária tardia ocorre em 3 a 14% de vacas e novilhas de corte.
 
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Fatores genéticos que afetam a perda embrionária
 
As anomalias genéticas respondem por aproximadamente 10% das perdas embrionárias e geralmente resultam em falha na prenhez nas duas primeiras semanas. A expressão de genes letais pode causar a morte do embrião nos primeiros 5 dias da gestação. Um outro transtorno genético que contribui para a morte embrionária é um número anormal de cromossomos em algumas ou em todas as células embrionárias. Esta é a anomalia genética mais comum e geralmente resulta na morte embrionária.
 
As causas do número anormal de cromossomos incluem polispermia (quando mais de um espermatozóide fertiliza um óvulo) e erros meióticos nos gametas ou no embrião em desenvolvimento. Pode haver uma incidência mais elevada de polispermia quando as inseminações artificiais ocorrem mais próximas do momento da ovulação, não dentro do período ideal de 12 horas após o início do estro.
 
Em geral, os espermatozóides precisam de cerca de 6 horas no trato reprodutivo da fêmea para que ocorra a capacitação, antes que tenham capacidade de fertilização. Assim sendo, quando as inseminações ocorrem próximo do momento da ovulação, o ovócito está disponível para a fertilização, mas precisa esperar que ocorra a capacitação do espermatozóide. Durante este período de espera, o ovócito "envelhece" e começa a perder sua capacidade de bloquear a polispermia. Mesmo que o ovócito seja capaz de fazer o bloqueio, este envelhecimento parece resultar em um atraso ou interferência no desenvolvimento do embrião e, desta forma, diminui a qualidade do embrião.
 
Na verdade, a inseminação realizada mais próxima do momento da ovulação resulta em taxa de fertilização mais elevada, mas em qualidade embrionária menor. As inseminações mais próximas do início do estro podem resultar em taxas de fertilização mais baixas, mas sobrevivência embrionária mais alta. Juntos, estes fatos sugerem que é importante alguma seleção natural para a fertilização pelo espermatozóide "mais apto". Há relatos de incidências mais altas de polispermia e aumento do número de cromossomos após a inseminação de vacas superovuladas.
 
Já sabemos há anos que a mestiçagem acentua virtualmente todos os aspectos da reprodução. Isto se deve ao valor genético aditivo e não aditivo que resulta da mestiçagem. Quando cruzamos duas raças, o valor genético aditivo destes cruzamentos resulta em uma progênie que é a média dos pais. Este valor genético aditivo é tudo o que obtemos com a mestiçagem para algumas características (como as características de carcaça). Contudo, o valor genético não aditivo destes cruzamentos resulta em melhorias na progênie, que é melhor do que a média dos pais (as características de produção são exemplos). Algumas vezes, o valor genético não aditivo destes cruzamentos resulta em melhoria tão dramática que a progênie é melhor em certas características do que qualquer um dos pais.
 
A reprodução é um dos exemplos em que o vigor híbrido da mestiçagem resulta em melhora no desempenho reprodutivo. É provável que nem toda esta melhora esteja relacionada com uma melhora na sobrevivência embrionária, mas pelo menos uma parte pode ter relação. As anomalias genéticas também podem causar mortalidade embrionária tardia (dia 27 a 42) ou mortalidade fetal (depois do dia 42 da gestação). A mortalidade fetal estava aumentada entre bovinos Hereford quando se comparou animais endogâmicos com os não endogâmicos. Além disso, com o aumento do nível de endogamia também aumentou o nível de mortalidade fetal.
 
Fatores nutricionais que afetam a perda embrionária
 
Efeitos da Energia e da Proteína. É provável que as deficiências nutricionais maiores das dietas de animais reprodutores tenham efeitos prejudiciais sobre a fertilidade. Há poucos dados experimentais relativos à nutrição que diferenciam a taxa de fertilização e a mortalidade embrionária. Sabemos, entretanto, que os níveis de energia e proteína da dieta desempenham papel no sucesso da gestação.
 
Sabe-se há bastante tempo que as vacas cobertas quando estão ganhando peso (aumentando o escore de condição corporal) têm taxas de prenhez mais elevadas do que as vacas que são cobertas quando estão perdendo peso. A diminuição dos níveis de progesterona após a cobertura pode ser responsável pela diminuição da fertilidade/ aumento da mortalidade embrionária entre as vacas cobertas durante o balanço energético negativo.
 
Um possível mecanismo pelo qual o balanço energético negativo poderia resultar em diminuição da produção subsequente está relacionado ao tamanho do folículo ovulatório. As novilhas que receberam altos níveis de energia tiveram taxa de crescimento maior dos folículos dominantes quando comparadas com as novilhas alimentadas com baixos níveis de energia. O tamanho do folículo ovulatório tem relação positiva com o estabelecimento e a manutenção da prenhez, bem como com a produção subseqüente de progesterona.
 
Pode-se fazer o manejo das vacas para que ganhem condição corporal determinando o seu escore corporal ao parto ou logo após, e fazendo o ajuste adequado das dietas. O uso de gordura na alimentação após a parição pode aumentar a densidade energética das dietas, mas esta prática não aumentou as taxas de concepção ao primeiro serviço, de tal forma que somente deve ser considerado quando for esta a fonte mais barata de energia. 
 
Alguns pesquisadores concluíram que o fornecimento de gordura a vacas de corte durante aproximadamente 60 dias antes da parição pode resultar em uma melhora de 6,4% na taxa de prenhez durante a estação de monta seguinte. O mecanismo envolvido nesta melhora parece estar mais relacionado com um intervalo de anestro mais curto após o parto do que com um aumento da sobrevivência embrionária.
 
Devemos ter em mente que, para a maioria dos nossos rebanhos de vacas, iniciamos a fase reprodutiva muitas vezes durante o pico da lactação. Por causa das demandas da produção de leite sobre as necessidades energéticas, a maioria das vacas está exposta à reprodução durante a fase de balanço energético negativo. Vacas com elevada produção de leite podem sofrer balanço energético negativo ainda maior e aumento da mortalidade embrionária quando as condições da forragem são limitantes.
 
Tem sido mostrado que o excesso de proteína (especialmente a proteína degradável no rúmen) aumenta a mortalidade embrionária nas vacas. O aumento do metabolismo ruminal da proteína resulta em aumento do nitrogênio uréico e da amônia do sangue, e diminuição do pH uterino no dia 7 após o estro. Estes estudos sugerem que tanto as taxas de fertilização como a sobrevivência inicial do embrião (antes do dia 17) estão comprometidas, e que as causas prováveis são uma alteração da produção de hormônio (principalmente progesterona) e um pH uterino mais ácido. Os animais mantidos a pasto raramente estão expostos a excesso de proteína em suas dietas.
 
Casos extremos de consumo excessivo de proteína ocorrem quando os animais estão em pastos de alfafa e trigo. Os efeitos benéficos da suplementação de proteína foram relatados para bovinos alimentados com proteína não degradável no rúmen antes da parição ou durante a fase reprodutiva. Não é conhecido o mecanismo exato (ou os mecanismos) pelos quais a ingestão de proteína não degradável melhora a fertilidade, mas é provável que esteja ligado a diminuição da mortalidade embrionária.
 
Efeitos das Toxinas. O nitrato é um composto vegetal prevalente em épocas de estresse das plantas e que pode tornar-se um problema. O nitrato em si não é particularmente tóxico para os animais. Os nitratos consumidos pelos ruminantes são normalmente reduzidos à amônia, absorvidos e excretados, assim sendo convertidos pelas bactérias em proteína bacteriana. A intoxicação por nitrato ocorre quando o consumo na ração e na água é de tal ordem que os nitratos são convertidos em nitritos. Os nitritos se ligam à hemoglobina e diminui sua capacidade de transporte de oxigênio, o que poderia levar à morte embrionária em casos menos graves.
 
Devido ao mecanismo que leva à intoxicação por nitrato, os bovinos suspeitos de terem sido intoxicados devem ser manipulados o menos possível, o mais calmamente possível, para minimizar as suas necessidades de oxigênio. Altos teores de nitratos são muitas vezes encontrados em plantas que foram submetidas a estresse por más condições de crescimento, como seca, frio e tempo encoberto, danos provocados pelo granizo e geada.

Plantas como aveia, milheto, sorgo e milho são particularmente suscetíveis a altos teores de nitrato e devem ter seu conteúdo de nitrato testado antes do uso para pastejo/arraçoamento. As fontes de água também podem ser ricas em nitratos e fontes novas devem ser testadas. As dietas utilizadas na época de cobertura ou para vacas prenhes não devem ultrapassar 5.000 ppm de nitratos com base na matéria seca.
 
* Baseado em artigos publicados no site MilkPoint.
 
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Fontes consultadas:
 
Estratégias para reduzir perdas embrionárias - Parte 1 (https://www.milkpoint.com.br/colunas/jose-luiz-moraes-vasconcelos-ricarda-santos/estrategias-para-reduzir-perdas-embrionarias-parte-1-49752n.aspx)
 
Estratégias para reduzir perdas embrionárias - Parte 2 (https://www.milkpoint.com.br/colunas/jose-luiz-moraes-vasconcelos-ricarda-santos/estrategias-para-reduzir-perdas-embrionarias-parte-2-50157n.aspx)
 
Estratégias para reduzir perdas embrionárias - Parte 3 (https://www.milkpoint.com.br/colunas/jose-luiz-moraes-vasconcelos-ricarda-santos/estrategias-para-reduzir-perdas-embrionarias-parte-3-50569n.aspx)
 

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