A responsabilidade de quem fala pelo leite

Influenciar é educar. Mostrar o campo exige ética e técnica, sob risco de transformar informação em espetáculo e prejudicar a imagem de toda uma cadeia!

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
O agro se destacou nas redes sociais, conectando o público urbano ao campo, mas a busca por engajamento tem gerado conteúdos antiéticos e irresponsáveis. Vídeos de situações delicadas, como partos complicados e doenças, são mostrados sem contexto, prejudicando a credibilidade do setor leiteiro. Isso impacta a formação de jovens profissionais, arrisca a segurança dos animais e distorce a imagem pública da produção animal, podendo alimentar movimentos contrários ao consumo de leite. É essencial que influenciadores sejam responsáveis e éticos na comunicação.

O agro ganhou espaço nas redes sociais. Veterinários, estudantes e produtores passaram a mostrar sua rotina no campo, aproximando o público urbano e ajudando a construir pontes entre o campo e a cidade. Até aí, excelente! Afinal o público urbano urge por se conectar com o campo.

O problema começa quando a busca por engajamento ultrapassa o limite da ética, da responsabilidade técnica e do bom senso. 

Cada vez mais, vemos conteúdos que transformam situações delicadas — como partos distócicos, doenças ou procedimentos invasivos — em espetáculo. Vacas em sofrimento, bezerras com complicações, ou até protocolos de tratamento sem respaldo científico nenhum são mostradas sem contexto, sem explicação técnica e, pior, muitas vezes de forma incorreta. O resultado? Um desserviço que ameaça não apenas a credibilidade de quem produz, mas todo o setor leiteiro. 

Aqui listo  três riscos reais que estamos vivendo:

 

A formação dos jovens profissionais em Ciência Animal

As redes sociais tornaram-se uma das principais fontes de informação para estudantes e recém-formados. O problema é que muitos desses “influencers do campo” ou não têm a formação e experiência técnica adequada — ou, quando têm, sacrificam o conhecimento técnico para gerar visualizações e venderem seus posts, cursos e afins.

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Assim, jovens profissionais são expostos a protocolos cientificamente não comprovados, ilusões de cursos que os prometem deixá-los milionários e tantos outros prejuízos para toda uma classe profissional que está apenas começando

 

O produtor em risco

Muitos produtores, especialmente os mais jovens e conectados, acabam reproduzindo o que veem nas redes sociais. Aplicam protocolos sem supervisão veterinária, adotam práticas de manejo que não fazem o menor sentido ou tentam “copiar” procedimentos que exigem formação técnica.

Um vídeo irresponsável pode gerar danos irreversíveis aos animais, prejuízos econômicos e risco à segurança alimentar.

Não se trata de censura — trata-se de responsabilidade! Quem fala para o público precisa obrigatoriamente entender o peso da própria voz. Um conteúdo equivocado pode custar muito mais do que curtidas: pode custar a vida de animais, a reputação de uma fazenda e danos a saúde pública

 

A imagem pública do setor leiteiro

O terceiro e talvez mais perigoso impacto é o risco reputacional.

Quando vídeos de vacas em sofrimento, partos complicados ou procedimentos dolorosos são postados fora de contexto, sem explicação técnica ou sem mostrar o cuidado envolvido, a mensagem que chega ao público urbano é distorcida.

O resultado? O combustível perfeito para movimentos contrários à produção animal. 

Uma única postagem mal pensada pode colocar todo o setor numa posição dificílima de reverter, abrindo espaço para campanhas de desinformação e ataques ao consumo de leite e derivados.

 

Influenciar é também educar

O termo “influencer” vem de influenciar — e isso exige consciência.

Quem fala sobre vacas, fazendas e ciência animal fala em nome de toda uma cadeia. Mostrar a realidade do campo é importante e necessário, mas isso deve vir acompanhado de contexto técnico, ética e empatia.

Às empresas que sustentam as postagens patrocinadas, o recado é muito simples: Cuidado para que isso não seja um grande tiro no pé para todo o setor. Contratar um influenciador deve primeiro passar pelo filtro técnico e depois ético e não apenas pela visualização da marca. Quantos produtos foram derrubados por publicidade irresponsável ao longo das últimas décadas

O leite é um alimento nobre. E comunicar sobre ele exige nobreza equivalente.

A assinatura deste texto em especial é minha, porém convido todos os colunistas e leitores deste portal a comentarem aqui abaixo se concordam com a visão apresentada.

Um forte abraço!

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Material escrito por:

Hayla Fernandes

Hayla Fernandes

Colunista MilkPoint. Falo sobre como o leite deveria estar no século 21. @leiteforadacaixa e @vacafelizoficial.

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Donizeti Antônio Pimenta
DONIZETI ANTÔNIO PIMENTA

PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO

EM 30/10/2025

Muito boa a sua opinião sobre o assunto tem ter responsabilidade para divulgação de conteúdos sim meus parabéns pela matéria
Márcia Saladini Vieira Salles
MÁRCIA SALADINI VIEIRA SALLES

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/10/2025

Parabéns pela matéria. Comunicar com ética e conhecimento técnico é essencial para toda cadeia leiteira. Como pesquisadora e coordenadora do Ruminant Welfare nos deparamos frequentemente com conteúdos nas redes sociais que prestam um desserviço para a cadeia do leite e para o bem-estar dos animais de produção. Precisamos de respostas inteligentes como a deste artigo para frear estas desinformações.
Fernando back
FERNANDO BACK

FORQUILHINHA - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/10/2025

Perfeito Hayla. Mídias sociais podem se tornar como um caminhão sem freio com os resultados já previstos.
Sinara Silva Romeiro
SINARA SILVA ROMEIRO

MEDEIROS NETO - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2025

Parabéns pelo texto. Acredito que devemos começar a falar sobre esses "especialistas em nada", que muitas vezes só mancham a imagem do agro. Pois na tentativa de gerar engajamento em suas postagens, publicam conteúdos sem nenhum respaldo científico.
Marius Cornélis Bronkhorst
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2025

Bom dia
Hayla você tem toda razão.
É muito mais fácil destruir algo sólido do que construir algo mesmo frágil.
O setor deve sim se organizar e educar qto ao assunto
Fernanda Giacomo Ragazzi
FERNANDA GIACOMO RAGAZZI

TRÊS RIOS - RIO DE JANEIRO - ZOOTECNISTA

EM 24/10/2025

Parabéns pelo texto Hayla, vivemos hoje uma era de tanta informação com desinformação e intenções distorcidas, que precisamos realmente estar atentos a tudo! Não basta aparecer nas redes sociais, é preciso lembrarmos antes do nosso dever ético, social e moral! Parabéns por essa reflexão importante em nosso meio! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Bruno Corrêa Machado Rodrigues
BRUNO CORRÊA MACHADO RODRIGUES

MUTUM - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/10/2025

Colocações perfeitas!
Fábio Rodrigo Medeiros Guilhermano
FÁBIO RODRIGO MEDEIROS GUILHERMANO

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/10/2025

Artigo muito bem estruturado e mais do que providencial, tem muita informação de "Prateleira" sendo difundida de forma a ser normalizada que está colocando o check os conceitos básicos e que levam a resultados satisfatórios e desejáveis nas mais difrenets áreas ligadas a nossa atividade leiteira.

Parabéns Hayla!
Matheus Santos
MATHEUS SANTOS

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2025

Artigo sensacional! Infelizmente o número de seguidores, likes e comentários de um post ou conta tem se tornado parâmetro de confiança quanto ao conteúdo, que muitas das vezes não possui nenhum respaldo científico.
Kennya Siqueira
KENNYA SIQUEIRA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2025

Parabéns, Hayla. Belo texto. Super responsável!
Valéria Quintana Cavicchioli
VALÉRIA QUINTANA CAVICCHIOLI

GOIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2025

Hayla, você foi cirúrgica ao mencionar quem fala ao público precisa compreender o peso da própria voz!
Que essa mensagem possa furar a bolha, em prol de uma comunicação ética e responsável.
Adriane Moraes
ADRIANE MORAES

LIMEIRA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 24/10/2025

Parabéns Hayla por seu texto que contextualiza bem a responsabilidade de apoiar o setor produtivo e defender nosso leite de cada dia!
Carla Bittar
CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2025

Hayla, parabéns pelo texto! Eu venho chamando atenção sobre essa "ciência do instagram" já faz um tempo. Temos muitas fazendas adotando práticas de manejo de bezerras sem nenhum respaldo científico, o que tem resultado em uma série de problemas. As redes socias encurtam o tempo para a chegada de informação, mas a informação deve ser passada com base científica e muita responsabilidade.
Rodrigo de Almeida
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 23/10/2025

Parabéns por mais um excelente artigo Hayla. Os três pontos levantados são pertinentes, mas por ser professor de Bovinocultura de Leite da UFPR, e por conta do meu envolvimento com a formação de futuros zootecnistas e médicos veterinários (aproximadamente 3.500 graduandos em 27 anos de docência), acho muito desafiador conviver com esta preocupação desmedida em publicar, postar, receber likes e curtidas, etc. que alguns jovens alunos já apresentam.
Leandro Ebert
LEANDRO EBERT

JÚLIO DE CASTILHOS - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/10/2025

Precisamos menos de influencers profissionais e mais profissionais com influencia.

Parabéns pelo texto! Forte abraço
Ricarda Maria dos Santos
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 23/10/2025

Parabéns pelo texto Hayla! Totalmente de acordo! Sempre tive essa preocupação, principalmente pesando nos estudandes que ainda não a capacipdade ade julgar o que é certo ou errado!
Alexandre M. Pedroso
ALEXANDRE M. PEDROSO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/10/2025

Parabéns pelo texto Hayla! 200% de acordo, a responsabilidade é grande!
Leonardo Dantas Da Silva
LEONARDO DANTAS DA SILVA

BOTUCATU - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/10/2025

Pura verdade, não só no agro mas em quase tudo.

Somam-se a isso imagens de IA que prestam um desserviço danado ao setor.

Sou cético quanto a uma solução.
Mas compactuo com ações como essa, do texto, de mostrar o problema e suas consequências.

Parabens Hayla por "cutucar essa ferida".
Gabriel Cardozo de Almeida Lara
GABRIEL CARDOZO DE ALMEIDA LARA

SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/10/2025

Excelente as suas colocações!!!
Renato Nogueira
RENATO NOGUEIRA

CASA BRANCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 25/10/2025

Perfeito Hayla. Confesso que não consigo mais acompanhar Instagram . Apesar de ter uma revista do setor e precisar estar lá ,os exageros , a vontade sem medidas de criar engajamento tem me incomodando demais . Você foi muito feliz no artigo. Grande abraço
Qual a sua dúvida hoje?