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Probióticos de nova geração: benefícios à saúde e aplicações em produtos lácteos

ADRIANO GOMES DA CRUZ

EM 14/12/2020

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 23/12/2020

Os probióticos são microganismos vivos capazes de promover benefícios à saúde. São amplamente utilizados pela indústria de laticínios para atenuar a saudabilidade dos derivados lácteos.

Os microrganismos atualmente estudados como próxima geração de probióticos podem representar gêneros e espécies que nunca antes foram utilizados pela indústria de alimentos em matrizes alimentícias das mais diversas origens. Embora o interesse em ampliar seu espectro seja muito relevante, grandes desafios para a ciência e para a indústria são gerados.

As principais questões referentes a próxima geração de probióticos são representadas por sua eficácia e segurança, assim como os aspectos tecnológicos sobre a utilização desses microrganismos no processamento de alimentos. A grande maioria desses microrganismos apresentam características metabólicas que as tornam difíceis de serem usadas no desenvolvimento de novos produtos, principalmente na produção de alimentos em larga escala como métodos de viabilidade em laboratório.

Atualmente, os principais candidatos que estão sendo estudados nesse novo escopo de probióticos incluem cepas dos gêneros Bacteroides, Clostridium, Faecalibacterium e Akkermansia. Akkermansia muciniphila é uma bactéria anaeróbia estrita, Gram-negativa, de formato oval e não apresenta motilidade.

Akkermansia muciniphila tem sido relacionada à saúde intestinal e melhora do estado metabólico de indivíduos que apresentam obesidade e diabetes tipo 2. Esses efeitos benéficos tem sido explicados pela sua capacidade de promover a melhora da barreira intestinal prejudicada induzida por dieta rica em gordura. Uma de suas características mais importantes é a sua capacidade de utilizar as mucinas intestinais, glicoproteínas da camada de muco do epitélio, como única fonte de carbono e nitrogênio.

Bacteroides são microrganismos anaeróbios obrigatórios e não formam esporos, não apresentam motilidade, possuem forma de bastonete e pontas arredondadas. A maioria das células é resistente a 20% dos sais biliares e é altamente favorecida na presença de muco colônico. B. fragilis ATCC25285 é considerada um promissor probiótico de próxima geração em função da sua capacidade em atenuar a inflamação induzida por patógenos e melhorar o quadro do espectro autista.

Outra cepa promissora é a B. fragilis ZY312, capaz de atenuar a infecção por Vibrio parahaemolyticus e a diarreia induzida por antibióticos. Clostridium butyricum é um bacilo Gram-positivo, formador de esporo e anaeróbio obrigatório, sendo um microrganismo muito sensível a presença de oxigênio e recebe esse nome em função de sua capacidade de produzir grandes quantidades de ácido butírico. Nos últimos anos, alguns estudos utilizando cepas de C. butyricum buscaram encontrar evidências que relacionem sua administração com a prevenção e/ou tratamento de algumas doenças.

Faecalibacterium prausnitzii é uma bactéria anaeróbia, não formadora de esporo, Gram-negativa e produtora de butirato. É uma das espécies mais comuns do filo firmicutes presentes em humanos, representando cerca de 8% da microbiota colônica total e desempenhando função importante na saúde intestinal (Heinken et al., 2014). Os benefícios da F. prausnitzii têm sido associados principalmente ao butirato produzido pela fermentação de carboidratos e incluem resposta imunomoduladora no hospedeiro, melhora da integridade da barreira intestinal e propriedades anti-inflamatórias.

Probióticos de próxima geração representam um tema de grande relevância para a ciência e para a indústria de alimentos, uma vez que novos microrganismos com potenciais características benéficas à saúde humana aumentam seu espectro e contribuem para o desenvolvimento e elaboração de novos produtos alimentícios que respondem ao crescente interesse da população por saúde e qualidade de vida. Entretanto, existe uma tendência para que esses microrganismos sejam possivelmente utilizados como produtos bioterapêuticos e comercializados principalmente como suplementos dietéticos no futuro.

Desta forma, estudos que avaliam o potencial de aplicação dos probióticos de próxima geração em matrizes alimentícias, ainda são escassos e fazem-se necessário para que sejam avaliados seus efeitos nos parâmetros intrínsecos tecnológicos e sensoriais bem como estudos clínicos utilizando modelo animal e humano. Entendendo que as produtos lácteos são as principais matrizes alimentícias comercializadas adicionadas de probióticos, é natural que sejam os primeiros candidatos de adição aos de  nova geração.

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Autores 

Matheus R. S. do Carmo, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ),
Departamento de Alimentos;

Ramon Silva Rocha,  Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ),
Departamento de Alimentos e Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária,  Niterói, Rio de Janeiro, Brasil;

Jonas T. Guimarães, Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária,  Niterói, Rio de Janeiro, Brasil;

Tatiana C. Pimentel, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR), Campi Paranavaí;

Celso F. Balthazar, Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária,  Niterói, Rio de Janeiro, Brasil;

Erick A. Esmerino, Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Veterinária,  Niterói, Rio de Janeiro, Brasil;

Adriano G. Cruz, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ),
Departamento de Alimentos.

Referências

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Chen, D., Jin, D., Huang, S., Wu, J., Xu, M., Liu, T., Dong, W., Liu, X., Wang, S., Zhong, W., Liu, Y., Jiang, R., Piao, M., Wang, B. & Cao, H. (2020). Clostridium butyricum, a butyrate-producing probiotic, inhibits intestinal tumor development through modulating Wnt signaling and gut microbiota. Cancer Letters, 469,  456-467.

Hill, C., Guarner, F., Reid, G., Gibson, G. R., Merenstein, D. J., Pot, B., Morelli, L., Canani, R. B., Flint, H. J., Salminen, S., Calder, P. C. & Sanders, M. E. (2014). The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 11, 506-514.

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