Agora, pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém encontraram uma solução surpreendente. O novo estudo mostra que células-tronco mesenquimais (MSCs, na sigla em inglês) e suas secreções podem ajudar a proteger as células mamárias do estresse enquanto aumentam a produção de gordura no leite. As descobertas, publicadas na revista Stem Cell Research & Therapy, apontam para um futuro com vacas mais resilientes e leite mais rico e saudável.
Células-tronco, qualidade do leite e bem-estar animal
O estudo, liderado pela pesquisadora associada Dra. Roni Tadmor-Levi, pelo mestrando Lior Sharabi e pela professora Nurit Argov-Argaman, da Faculdade Robert H. Smith de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da universidade, investigou como as MSCs e seu “secretoma” — o conjunto de moléculas sinalizadoras que liberam — afetam as células epiteliais mamárias bovinas.
Quando essas células-tronco ou suas secreções foram introduzidas em células produtoras de leite no laboratório, os pesquisadores observaram dois efeitos principais:
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Uma redução na inflamação, mesmo sob estresse simulado
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Um aumento na atividade de genes relacionados à gordura e na produção de triglicerídeos
“É a primeira vez que alguém demonstra o efeito lipogênico das células-tronco”, disse Tadmor-Levi. “Além do efeito redutor do estresse que foi observado, em todas as condições testadas, as MSCs ou até mesmo apenas seu ‘secretoma’ induziram um aumento na lipogênese.”
A alta produção de leite impõe uma enorme pressão sobre o organismo da vaca, frequentemente levando a inflamações crônicas e doenças como a mastite, que reduzem tanto a produção quanto o bem-estar do animal.
Ao acalmar as células estressadas e ajudá-las a manter a produção de gordura, os fatores derivados das MSCs podem desempenhar um papel crítico para melhorar a produção, a qualidade do leite e a saúde animal. Ainda mais promissor: esses efeitos foram alcançados sem contato direto entre as células — o que significa que as moléculas benéficas poderiam, potencialmente, ser colhidas e administradas por meio de um aditivo alimentar ou suplemento.
“A gordura do leite não é apenas questão de cremosidade — ela é uma fonte importante de energia, vitaminas lipossolúveis como A e D, e ácidos graxos essenciais”, disse a professora Argov-Argaman. “Aumentar o teor de gordura naturalmente pode tornar o leite mais nutritivo sem aditivos ou processamento pesado.”
Essa pesquisa pode sinalizar um avanço importante na gestão leiteira de precisão — usando compostos bioativos naturais para apoiar a resiliência animal durante períodos intensos de lactação.
“Isso vai além de aumentar a produção”, afirmou a professora Argov-Argaman. “É sobre proteger a saúde da vaca e produzir um leite melhor para todos. Estamos usando a biologia para trabalhar com o sistema da vaca — e não contra ele.”
As informações são do Phys.org, traduzidas pela equipe MilkPoint