Uso do caroço e farelo de algodão na alimentação de ovinos e caprinos
A cultura do algodão (<i>Gossypium hirsutum</i>) é uma das mais importantes do Brasil e do mundo, sendo cultivado para obtenção de fibra destinada à indústria têxtil e suas sementes são utilizadas diretamente na extração de óleo vegetal ou na alimentação animal. Esta cultura gera diversos subprodutos, como o caroço, a torta e o farelo de algodão, sendo este último obtido após extração do óleo e moagem fina, e que representa a segunda maior fonte de proteína destinada aos animais, ficando atrás apenas do farelo de soja.
Publicado em: - Atualizado em: - 3 minutos de leitura
O farelo de algodão apresenta boa aceitabilidade pelos animais, é rico em fósforo e pobre em lisina, triptofano, vitamina D e pró-vitamina A (LANA, 2000). Possui enormes variações em sua composição química, devido à forma de processamento, cultivar e quantidade de cascas incluídas, o que acarreta em falta de padronização da composição dos produtos encontrados no mercado, dificultando a formulação de rações. Geralmente, encontra-se disponível em duas formas, uma sem casca e outra rica em casca, que é recomendada para alimentação de ruminantes. O farelo de algodão sem casca apresenta 43% de proteína bruta, enquanto que o farelo com casca apresenta de 25 a 36% de PB expressos na matéria seca (LANA, 2005).
Normalmente, no Brasil são comercializados farelos com 28% e 38% de proteína bruta. A qualidade final do farelo de algodão é determinada pela quantidade de casca incluída, sendo que a inclusão de casca aumenta o conteúdo de fibra bruta e diminui os níveis de proteína, digestibilidade da proteína e energia metabolizável, entretanto, essa casca é importante por contribuir com a disponibilidade de fibra na dieta e para manter a saúde do rúmen. O farelo de algodão pode ser utilizado para todas as categorias, inclusive machos reprodutores, pois apresenta-se detoxificado.
O caroço de algodão é um alimento com moderado nível de proteína, elevado teor de gordura, fibra e energia. Existem dois tipos disponíveis: alto em línter (fibra curta aderida às sementes facilmente digestível para os ruminantes), de cor branca, e baixo em línter, de cor preta. O preto contém de 50 a 100 g/kg menos fibra e maior concentração de gordura e de proteína (EZEQUIEL, 2001a). Os problemas provocados pelo uso do caroço de algodão são atribuídos ao gossipol e aos ácidos graxos ciclopropenóides.
O gossipol é um alcalóide polifenólico de cor amarela encontrado nas sementes em formas de grânulos (LANA, 2000). Entretanto, os ruminantes possuem capacidade de detoxificação do gossipol, sendo essa capacidade dada pela ligação de proteínas solúveis dentro do rúmen ao gossipol livre, tornando-os menos susceptíveis a intoxicações, já que o gossipol ligado à proteína é fisiologicamente inativo (Risco et al., 1992).
Apesar da capacidade dos ruminantes em detoxificar o gossipol, alguns estudos mostraram redução da fertilidade de reprodutores alimentados com caroço de algodão. Nos machos, o gossipol pode provocar alterações sobre a cauda dos espermatozóides, aumento do diâmetro do lúmen dos túbulos seminíferos, diminuição de camadas celulares e epitélio seminífero e do tamanho das células de Sertoli. Entretanto, em estudos realizados em fêmeas, não houve efeitos do gossipol sobre a fertilidade, ciclicidade e morfologia dos ovários. Novas variedades de semente de algodão estão sendo desenvolvidas, contendo menor conteúdo de gossipol.
EZEQUIEL et al. (2001b), utilizando borregos da raça Ideal, alimentados com rações isoprotéicas constituídas de feno de capim de Rhodes, milho e diferentes fontes protéicas (farelo de algodão, uréia ou levedura de cana de açúcar), avaliaram a digestibilidade da proteína e da energia e o balanço de nitrogênio, e observaram que a utilização de farelo de algodão diminuiu a digestibilidade da energia em relação a dietas com levedura de cana de açúcar ou uréia (58,8; 63,3 e 63,7%, respectivamente). As recomendações feitas por PIRES et al. (1997) para quantidades máximas de caroço de algodão na dieta é de 15%, o que minimiza os efeitos prejudiciais do excesso de gordura sobre a digestibilidade da fibra.
Referências bibliográficas
ANDRIGUETTO, J.M.; PERLEY, L. MINARDI, I et al. Nutrição Animal. As bases e os fundamentos da nutrição animal. Os alimentos. Vol. 1. 4ª edição. Nobel, 1981. 396p.
EZEQUIEL, J.M.B. Uso de caroço de algodão na alimentação animal. In: SIMPÓSIO SOBRE INGREDIENTES NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL, 2001. Anais... Campinas, 2001a. p.135-150.
EZEQUIEL, J.M.B.; MATARAZZO, S.V.; SALMAN, A.K.D. et al. Digestibilidade aparente da energia e da fibra de dietas para ovinos contendo uréia, amiréia ou farelo de algodão. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.1, p.231-235, 2001b.
LANA, R.P. Sistema Viçosa de formulação de rações. Viçosa: UFV, 2000, 60 p.
LANA, R.P. Nutrição e alimentação animal (mitos e realidades). Viçosa: UFV, 2005. 344p.
PIRES, A.V. et al. Effects of heat treatments and physical processing of cottonseed on the digestibility and production performance by lactating cows. Journal of Dairy Science, v.76, n.6, p.880-902, 1993.
RISCO, C.A.; HOLMBERG, C.A.; KUTCHES, A. Effect of graded concentration of gossipol on calf performance: toxicological and pathological considerations. Journal Dairy Science. 75(10): 2787-2798, 1992.
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Material escrito por:
Greicy Mitzi Bezerra Moreno
Acessar todos os materiais
Oscar Boaventura Neto
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!

TERRA NOVA - PERNAMBUCO - OVINOS/CAPRINOS
EM 14/06/2025
Gostaria de saber se estou agindo certo.
CAIÇARA - PARAIBA - OVINOS/CAPRINOS
EM 05/05/2020
EM 04/10/2019

URANDI - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS
EM 06/09/2019
Posso continuar?

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - OVINOS/CAPRINOS
EM 13/03/2019

EM 09/09/2018
Estou com 60 (sessenta) dias dando em média (300g-dia) de caroço para reprodutores (caprinos e ovinos) devido a fraqueza causada pela seca (falta de pasto-norte da Bahia). Posso continuar ou preciso parar? A fertilidade dos reprodutores está prejudicada, ou em tempo posso parar.
Obrigado,
Atenciosamnte,
José Rocha.

EM 21/08/2017

SÃO LOURENÇO DA MATA - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE
EM 02/06/2014
Prenhes
Amamnentação
Engorda
Obg

PRIMAVERA DO LESTE - MATO GROSSO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 10/08/2012

CANINDÉ - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 14/10/2011
ARAPIRACA - ALAGOAS - PESQUISA/ENSINO
EM 12/04/2010
Não recomendaria fornecer caroço de algodão para reprodutores, pelos problemas relacionados a fertilidade que esse alimento pode causar.
Atenciosamente
Greicy Moreno

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 26/03/2010
Para rações de engorda, qual seria a % de caroço na dieta total?
Obrigado,
Atenciosamnte,
Luciano.

QUERÊNCIA - MATO GROSSO
EM 19/03/2010
Gostaria de saber, em % na dieta, qual o máximo de caroço que posso usar na dieta de reprodutores?
Obrigado