Timpanismo em bezerros: uma emergência silenciosa

Distensão abdominal, dor e risco de morte: entenda como o timpanismo compromete a saúde dos bezerros e o que fazer para prevenir esse grave problema.

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Timpanismo, ou meteorismo ruminal, é a retenção excessiva de gases no rúmen ou abomaso, causando distensão abdominal e risco de morte. Os tipos incluem primário (espumoso) e secundário (gasoso), além do abomasal em bezerros. Causas incluem dietas inadequadas e obstruções. Sintomas incluem dor abdominal e distensão visível. O tratamento envolve descompressão e suporte clínico. A prevenção exige manejo nutricional adequado e monitoramento constante, sendo crucial para reduzir a mortalidade em bezerros.

Timpanismo, também chamado de meteorismo ruminal, é uma condição na qual ocorre  retenção excessiva de gases no rúmen, retículo ou, nos bezerros jovens, no abomaso  (quarto estômago). Isso provoca distensão abdominal severa, desconforto respiratório,  dores e risco de morte por compressão diafragmática e choque (Panziera et al., 2016). 

 

Tipos de timpanismo 

  • Primário ou espumoso: formação de espuma estável no rúmen que impede  eructação, geralmente por dietas ricas em proteínas solúveis (leguminosas, grãos  finamente moídos) 
     
  • Secundário ou gasoso: acúmulo de gás livre devido a obstrução no esôfago,  falha de motilidade ou problemas anatômicos 
     
  • Abomasal (quarto estômago): específico de bezerros em lactação,quando há  fermentação de leite no abomaso, com risco de sepse e óbito rápido. Pode estar  associado a Clostridium perfringens, Sarcinia spp.  

 

Causas 

Timpanismo abomasal:

• Falha no fechamento da canaladura esofágica (ranhura natural na parede do  esôfago) permite que leite vá ao rúmen, fermentando e causando distensão. • Suspeita-se de supercrescimento bacteriano (ex.: C. perfringens) e liberação de  toxinas . 

• Sintomas evoluem rápido com risco de choque séptico como causa mais comum  de óbito . 

Timpanismo ruminal em bezerros desmame ou com grãos:

• Rações muito finas ou ricas em grãos aceleram fermentação, gerando espuma ou  gases livres . 

• Obstruções esofágicas ou motilidade deficiente prejudicam a eructação (arrotar).

 

Sinais clínicos 

• Abdome visivelmente distendido (especialmente no lado esquerdo ou região do  abomaso) 

• Dor abdominal, inquietação, relutância em ingerir leite, cólicas, respiração  ofegante 

• Ruídos metálicos ao tocar/bater o abdome 

• Em casos de timpanismo abomasal recusa ao leite, fraqueza rápida, febre,  presença de fezes escuras, pegajosas e com odor forte em alguns casos. 

 

Tratamento 

Timpanismo abomasal:

Urgência veterinária: cessar alimentação por via oral (leite, eletrólitos) enquanto  se trata . 

Descompressão por sonda: posicionar o bezerro com tronco elevado, inserir  sonda estendida até a última costela para aliviar gás . 

• Trocar fluidos e tratar choque e desequilíbrios metabólicos com antibióticos sob  orientação do médico veterinário. 

• Em casos graves, laparotomia 

Timpanismo ruminal (espumoso ou gasoso):

Espumoso: agentes antiespumantes (poloxaleno, dimeticona, óleos  vegetais/minerais) por sonda 

Gasoso: liberação com sonda. 

Alternativa emergencial: rumenotomia (ntervenção cirúrgica realizada em  ruminantes para acessar o rúmen) 

 

Prevenção e importância 

Cria colostral eficiente: boas práticas de higiene e ingestão adequada reduzem  desequilíbrios microbianos 

Alimentação controlada: evitar volumes grandes, leite frio ou dietas finas;  integrar sólidos para desenvolvimento ruminal .

Dieta balanceada: evitar leguminosas puras e grãos moídos demais, introduzir  fibras, usar ionóforos e óleos como aditivos anti-espuma . 

Monitoramento constante: observar bezerros após mudança de dieta, estado de  saúde e sinais clínicos precoces . 

 

O timpanismo em bezerros com até 12 meses de idade configura uma emergência  veterinária que demanda intervenção rápida e precisa. Trata-se de uma condição  responsável por elevada mortalidade aguda, queda no desempenho zootécnico, prejuízo  ao bem-estar animal e perdas econômicas relevantes em sistemas de produção leiteira e  de corte. O diagnóstico correto do tipo de timpanismo — abomasal, espumoso ou  gasoso — aliado a um tratamento imediato e adequado (como paracentese, passagem de  sonda, uso de agentes antiespumantes e suporte clínico) é crucial para conter a evolução  do quadro.  

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Medidas preventivas, como o fornecimento adequado de colostro, boas práticas de  manejo e higiene e controle de dietas de risco, são essenciais para mitigar a incidência  da enfermidade. O timpanismo abomasal, em especial, é uma das principais causas de  mortalidade precoce em bezerras leiteiras, comprometendo a reposição do plantel e  elevando os custos com intervenções de urgência. Sua prevenção exige um manejo  sanitário e nutricional criterioso, aliado à vigilância clínica constante.

Referências bibliográficas

RADOSTITS, O. M. et al. Veterinary Medicine: a textbook of the diseases of cattle, horses, sheep, pigs, and goats. 10. ed. Saunders, 2007.

PANZIERA, W. et al. Aspectos clínico-patológicos do timpanismo abomasal em bezerros. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 36, n. 3, p. 189-194, 2016.

DALTO, A. G. R. et al. Timpanismo espumoso em bovinos alimentados com Trifolium. Vet em Foco, UFRGS, 2009.

LIMA, A. Y. et al. Indigestão vagal em ruminantes. Revista Agronomia Acadêmica, 2022.

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Material escrito por:

NATHALIE LIMA CEZAR

NATHALIE LIMA CEZAR

Médica veterinária, mestranda do Programa de Pós-graduação em Zootecnia do IF Goiano - Campus Rio Verde

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FABIANA RAMOS DOS SANTOS

FABIANA RAMOS DOS SANTOS

Zootecnista, mestrado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, doutorado em Ciência Animal na UFG, professora do IF Goiano campus Rio Verde

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Marco Antônio Pereira da Silva

Marco Antônio Pereira da Silva

Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

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