Redução do uso de plástico na fazenda de leite: pequenas ações, grandes impactos

Da silagem à ração, pequenas mudanças no manejo reduzem o uso de plástico na produção de leite e fortalecem a sustentabilidade no campo.

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A produção leiteira enfrenta um desafio crescente com a geração de resíduos plásticos, provenientes de embalagens de insumos agrícolas, medicamentos veterinários e utensílios descartáveis. A conscientização e mudanças na gestão podem reduzir esse volume, como a compra a granel e a reutilização de embalagens. Alternativas recicláveis, otimização de processos e educação dos colaboradores são essenciais para mitigar o impacto ambiental. Essas ações promovem sustentabilidade e podem otimizar custos, reforçando uma produção mais responsável.

A produção leiteira moderna, embora essencial para o abastecimento alimentar global, enfrenta um desafio crescente: a geração de resíduos plásticos. A quantidade de plástico utilizada e descartada nas fazendas de leite é substancial e muitas vezes subestimada, abrangendo desde embalagens de insumos agrícolas até materiais de uso diário. No entanto, pequenas ações e mudanças de hábito podem gerar grandes impactos na redução desse volume, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e a eficiência operacional.

 

Plástico e o armazenamento de alimentos na fazenda

O plástico se tornou onipresente na rotina de uma fazenda de leite, permeando diversas etapas do ciclo produtivo. As embalagens de ração, por exemplo, representam um volume significativo, sejam elas sacos de concentrados, suplementos minerais ou forragens pré-embaladas que nutrem o rebanho. Similarmente, os adubos e corretivos de solo, fundamentais para a fertilidade do pasto e das culturas forrageiras, frequentemente chegam em sacarias plásticas, que após o uso são descartadas, somando-se ao fluxo de resíduos. 

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Os filmes para silagem figuram como um dos maiores contribuintes para o volume de plástico, sendo largamente utilizados para envolver fardos e trincheiras, garantindo a conservação do alimento volumoso para os animais durante períodos de escassez ou baixa produção. 

 

Plástico na sanidade do rebanho 

Outra fonte importante são as embalagens de medicamentos veterinários, como frascos, seringas e invólucros de produtos essenciais para a saúde animal, que garantem o bem-estar do gado e a qualidade do leite.

Luvas descartáveis utilizadas na ordenha e nos procedimentos sanitários, embalagens de produtos de limpeza essenciais para a higiene do ambiente e dos equipamentos, e até mesmo algumas peças de equipamentos agrícolas que contêm componentes plásticos, somam-se a esse cenário complexo de resíduos. A diversidade e a quantidade desses materiais evidenciam a magnitude do desafio.

 

Caminhos para a redução do uso de plástico

A conscientização é o primeiro passo para a mudança, e a implementação de pequenas adaptações na gestão da fazenda pode resultar em uma redução notável do uso de plástico. Uma das iniciativas mais eficazes é a priorização de compras a granel para rações e adubos, sempre que possível. Adquirir esses insumos em grandes quantidades não só diminui o número de embalagens plásticas descartadas, mas também pode gerar economia para o produtor, otimizando o transporte e o armazenamento.

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Outra medida simples, porém impactante, é a reutilização de embalagens vazias para fins diversos dentro da própria fazenda. Sacos de ração limpos, por exemplo, podem ser utilizados para o armazenamento de ferramentas, a coleta de pequenos resíduos ou a separação de materiais, desde que sejam higienizados e seguros para o novo propósito, estendendo seu ciclo de vida útil.

No caso dos filmes de silagem, a busca por alternativas mais duráveis e recicláveis é fundamental para mitigar o impacto ambiental. Embora o custo inicial de filmes de maior qualidade ou de opções com maior teor de material reciclado possa ser ligeiramente superior, a durabilidade pode compensar a longo prazo, e a possibilidade de reciclagem ao final de sua vida útil reduz significativamente o acúmulo de resíduos no ambiente. 

A otimização do processo de ensilagem, garantindo a correta compactação e vedação do material ensilado, pode minimizar a necessidade de reparos e consequente descarte de pedaços de filme durante o processo. A segregação e descarte correto de todos os tipos de plástico, encaminhando-os para a reciclagem sempre que houver essa opção na região, é uma etapa crucial da gestão de resíduos. Muitas cooperativas e associações de produtores rurais têm desenvolvido programas de coleta seletiva para resíduos plásticos agrícolas, facilitando esse processo e incentivando a participação dos produtores.

Adicionalmente, a adoção de tecnologias e práticas que reduzam a necessidade de alguns insumos também pode impactar positivamente o uso de plástico, por exemplo, a utilização de sistemas de adubação de precisão, que aplicam fertilizantes de forma mais direcionada e eficiente, pode otimizar o uso de fertilizantes e, consequentemente, diminuir a demanda por suas embalagens. 

O uso racional de medicamentos, com base em diagnósticos precisos, programas de prevenção de doenças e a implementação de protocolos de biosseguridade, pode igualmente reduzir o volume de frascos e embalagens de produtos farmacêuticos descartados. 

A educação e o envolvimento de todos os colaboradores da fazenda são essenciais para o sucesso dessas iniciativas, incentivando a mentalidade de redução, reutilização e reciclagem no dia a dia e promovendo uma cultura de sustentabilidade em toda a propriedade.

A redução do uso de plástico na fazenda de leite é um desafio que demanda um olhar atento e ações coordenadas por parte dos produtores rurais e ao identificar as principais fontes de resíduos plásticos e implementar iniciativas simples, os produtores podem gerar grandes impactos positivos. Essas "pequenas ações" não apenas contribuem para a preservação do meio ambiente, mas também podem otimizar custos operacionais, agregar valor à produção e fortalecer a imagem de uma produção leiteira mais consciente, responsável e alinhada com as demandas de um mercado cada vez mais preocupado com a sustentabilidade. 

A sustentabilidade na atividade leiteira passa, inevitavelmente, pela gestão eficiente de seus resíduos plásticos, marcando um compromisso com o futuro do planeta e da própria atividade agrícola.

Agradecimentos:

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo n. 303505/2023-0), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) Chamada Pública FAPEG n. 21/2024 - Programa de Auxílio à Pesquisa Científica e Tecnológica - Edição 2024, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e IF Goiano - Campus Rio Verde pelo apoio financeiro a realização da pesquisa.

Referências bibliográficas

NARDI, A. C.; LOCH, P.; DE CONTO, A. G.; MENEGHATTI, M. R.; DE FARIÑA, L. O. Impactos ambientais da pecuária de leite da agricultura familiar. Revista Competitividade e Sustentabilidade, v. 3, n. 2, p. 49–66, 2016.

EMBRAPA GADO DE LEITE. Manejo sustentável de resíduos em fazendas leiteiras. Juiz de Fora, MG: Embrapa Gado de Leite, 2022. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1157073/manejo-de-dejetos-e-a-sustentabilidade-da-pecuaria-leiteira

IEA – INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Boletim de análise econômica para o agronegócio: desafios e oportunidades na produção sustentável. São Paulo, SP: IEA, 2023. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/artigosaia2.php?codTipo=2

MMA – MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Brasília, DF: MMA, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programa-projetos-acoes-obras-atividades/agendaambientalurbana/lixao-zero/plano_nacional_de_residuos_solidos-1.pdf

SEBRAE. Guia de boas práticas para a sustentabilidade na propriedade rural. Brasília, DF: Sebrae, 2023. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-sustentabilidade-rural,0320a5723ca63810VgnVCM100000d701210aRCRD

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Material escrito por:

Stefany Cristiny  Ferreira da Silva Gadêlha

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Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

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