Quais fatores influenciam na qualidade do leite?

Saiba como melhorar a qualidade do leite com controle da mastite, higiene na ordenha, nutrição equilibrada e apoio técnico especializado.

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A pecuária leiteira no Brasil, especialmente em Goiás, destaca-se pela produção de leite de qualidade, com a raça holandesa predominante. O mercado atual valoriza não só a quantidade, mas também a qualidade, avaliada por critérios como gordura, proteína e contagens bacterianas. Fatores como nutrição, manejo e sanidade influenciam essa qualidade. A mastite bovina e práticas inadequadas podem prejudicar a produção. A capacitação dos produtores e a adesão a programas de qualidade têm promovido avanços na região.

O mercado lácteo atual exige não apenas quantidade, mas sobretudo qualidade do leite, medido por critérios como teor de gordura, proteína, Contagem de células somáticas (CCS) e Contagem bacteriana totais (CBT) (BRASIL, 2018). Além da questão econômica, por meio da geração de emprego e renda para a população, o leite é ainda essencial no suprimento de alimentos (MATTE e JUNG, 2017; MÜLLER e REMPEL, 2021).

A composição do leite de vacas Holandesas geralmente apresenta valores médios de 3,2 a 3,8% de gordura e 3,0 a 3,4% de proteína, sendo influenciada por fatores como:

  • Genética,
  • Nutrição
  • Fase de lactação (MÜLLER et al, 2014).

A densidade, acidez e ponto de congelamento também são parâmetros analisados, com impactos sobre a estabilidade e aceitabilidade do produto pela indústria.

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A CCS é um importante indicador da saúde da glândula mamária, especialmente no diagnóstico de mastite subclínica. Segundo a Instrução Normativa nº 76 (BRASIL, 2018), os limites aceitáveis para CCS são de até 500 mil células/mL. 

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A CBT avalia a carga microbiana presente no leite, sendo influenciada pela higiene da ordenha, conservação do leite e sanidade do equipamento. A legislação brasileira estabelece o limite máximo de 300 mil UFC/mL (BRASIL, 2018). Propriedades que realizam o manejo correto, desinfecção de equipamento de ordenha e em outros casos a cloração da água, minimizando a contagem de microrganismos, para utilização nos processos de limpeza da mesma, alcançam melhores resultados de qualidade do leite (SILVA et al., 2018).

 

Fatores que influenciam a qualidade do leite

Dietas mal formuladas podem afetar diretamente a composição do leite. Desequilíbrios energéticos no pós-parto, por exemplo, podem levar à ocorrência de cetose subclínica, elevando a CCS e reduzindo os sólidos totais (PEREIRA ,2014). A adoção de dietas com bom balanceamento proteico-energético, associadas à oferta de volumoso de qualidade, é essencial para a manutenção da saúde do animal e da qualidade do leite.

A mastite bovina é uma doença multifatorial que causa grandes prejuízos na produção de leite, sendo frequentemente causada por estafilococos e estreptococos. Pode ser clínica ou subclínica, sendo esta última de difícil detecção. O diagnóstico utiliza testes como California Mastitis Test (CMT), Wisconsin Mastitis Test (WMT) e CCS. Medidas de controle e higiene durante a ordenha são essenciais para prevenir novas infecções e melhorar a saúde e produtividade do rebanho (PEREIRA et al, 2019). A adoção do protocolo de vaca seca e a cultura microbiológica são ferramentas recomendadas.

A estrutura da fazenda, principalmente no que se refere ao sistema de ordenha e à refrigeração do leite, influencia diretamente os níveis de CBT. É comum que pequenas propriedades da região apresentem ambientes com falhas de higiene, equipamentos sem a devida manutenção e interrupções na cadeia de frio. (REHAGRO, 2023).

Estudos conduzidos na região indicam variações significativas entre as propriedades, mesmo entre aquelas com animais da mesma raça e sistema produtivo semelhante. Essas variações são atribuídas principalmente à capacitação dos produtores, acesso à assistência técnica contínua e adoção de boas práticas agropecuárias (DO EGITO, 2023). A crescente adesão de produtores aos programas de qualidade do leite promovidos por cooperativas e instituições como o SENAR e EMBRAPA tem promovido avanços importantes.

 

Considerações finais

A qualidade do leite produzido é resultado de um conjunto de fatores interligados que envolvem genética, nutrição, sanidade, manejo e capacitação. A melhoria contínua depende de políticas públicas, incentivos à adoção de tecnologias e valorização do leite de qualidade na remuneração do produtor.

Referências bibliográficas

Boas práticas de ordenha: higiene, técnicas e equipamentos REHAGRO, 2023. Disponível:<https://rehagro.com.br/blog/boas-praticas-de ordenha/#:~:text=Ap%C3%B3s%20a%20ordenha%2C%20%C3%A9%20fundamental,inclusive%20da%20sala%20de%20espera.> Acesso em: 8, Julho 2025

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 76, de 26 de novembro de 2018. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 229, p. 8-11, 30 nov. 2018.

EGITO, Wellington Santos do et al. ESTUDO DE CASO EM UMA FAZENDA PRODUTORA DE LEITE LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE ITABERAÍ-GO. 2023.

GRANDE, P. A. et al. Efeito do balanço energético no período de transição sobre a produção e qualidade do leite em vacas Holandesas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 55, p. 1-10, 2020.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Produção da Pecuária Municipal 2023. Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/9107-producao-da-pecuaria-municipal.html?edicao=41350&t=destaques> Acesso em: 8 de Julho, 2025.

MARTINS, C. M. et al. Composição físico-química do leite de vacas Holandesas sob diferentes sistemas alimentares. Revista Ciência Animal Brasileira, v. 22, p. 1–9, 2021.

MATTE JUNIOR AA, JUNG CF. Produção leiteira no Brasil e características da bovino cultura leiteira no Rio Grande do Sul;19(1):34-47, 2017. DOI: https://doi.org/10.17058/agora.v19i1.8446. 

MÜLLER, Mylene; SUÑÉ, R. W.; DA PORCIÚNCULA, Gabriela Caillava. Composição do leite de vacas da raça Holandesa em sistema a pasto submetidas a diferentes níveis de suplementação.

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PEREIRA MV; et al. DIAGNÓSTICO E CONTROLE DE MASTITE BOVINA: uma revisão de literatura. Revista Agroveterinária Do Sul De Minas - ISSN: 2674-9661, 1(1), 41–54, 2019.

PEREIRA, C.H. Cetose em vacas leiteiras: tipos, patogenia e profilaxia. Seminário apresentado na disciplina Transtornos Metabólicos dos Animais Domésticos, Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. 6p.

PINHEIRO, R. R. et al. Manejo sanitário e controle da mastite em rebanhos leiteiros. Revista de Saúde Animal, v. 45, n. 2, p. 210–219, 2021.

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Material escrito por:

Eberton Carlos de Jesus

Eberton Carlos de Jesus

Mestrando do curso de Pós-Graduação em Zootecnia, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano Campus Rio Verde

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Keniston Freitas de Souza Cruvinel

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Mestrando do curso de Pós-Graduação em Zootecnia, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano Campus Rio Verde

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Kátia  cylene Guimarães

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