Lotação no confinamento leiteiro
Sabe-se que vacas com elevada aptidão leiteira quando confinadas passam em média de 50 a 60% do seu tempo deitadas e são motivadas a manter-se deitadas por 12 a 13 h/d e que a função fisiológica e a saúde podem ser prejudicadas quando os animais estão privados da possibilidade de se deitar. Vacas com restrições de acesso a deitar-se têm aumentos nas concentrações de cortisol, reduzindo as respostas aos desafios de ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) e reduzem as concentrações de hormônio de crescimento circulante (que direciona os nutrientes para produção de leite) quando comparadas com vacas livres para deitar. Além disso, a saúde dos cascos e a locomoção são igualmente comprometidas quando as vacas leiteiras gastam menos tempo deitada (FREGONESI et al., 2007).
Colocar até 20% a mais de vacas em relação ao número de baias disponíveis no free-stall tem sido prática adotada por vários produtores no intuito de aumentar o retorno sobre os investimentos. Entretanto, temos que tomar cuidado, pois há estudos que mostram que a superlotação do free-stall reduz o tempo para os animais deitarem e aumentam as interações agressivas entre os animais. Um exemplo disso é visto no trabalho realizado por Fregonesi e sua equipe, onde foram comparadas várias lotações de free-stalls, saindo da relação de 1 vaca para cada baia (100%) até 1,5 vacas por baia (150%). De modo geral, conforme apresentado na Tabela 1, o aumento da lotação acima de 100% (uma vaca/ baia), reduziu o tempo que a vaca permaneceu deitada e aumentou o tempo em que ela permaneceu em pé fora da baia, bem como o número de deslocamentos.
Tabela 1. Média do tempo gasto para a posição deitada, de pé com as pernas da frente na baia, em pé fora da baia, tempo que permanecem deitadas após a ordenha e o número de deslocamentos dentro do free-stalls.

Camas
Além de baias disponíveis, também temos que tomar cuidado com as camas do free-stall, pois como já abordado, vacas leiteiras permanecem cerca de 8 a 16 h/dia deitadas. Logo, a qualidade da cama se torna extremamente importante para os animais. Vale lembrar que as camas onde as vacas se deitam influencia no conforto dos animais, na saúde dos cascos e ainda na limpeza e saúde dos úberes. Os materiais utilizados nas camas devem ter algumas características como absorver a umidade do local, promover o amortecimento para o animal e prevenir a fricção.
São exemplos de alguns materiais utilizados como cama: pó de serra, maravalha de madeira, casca de amendoim, casca de arroz, casca de amêndoas, jornais picados, feno, pedra moída, esterco sólido seco, areia e colchões.
Independentemente do tipo escolhido de material da cama, seguem algumas dicas importantes que devem lembradas:
• Camas de materiais inorgânicos possuem a vantagem de reduzir o crescimento bacteriano.
• A limpeza e reposição do material das camas devem ser diários.
• Para camas de areia se utiliza de 18 a 30 kg/baia/dia.
• Após a reposição da cama, esta deve ser nivelada, mantendo inclinação de 1 -2 %.
REFERÊNCIAS
FREGONESI, J.A.; TUCKER, C.B.; WEARY, D.M. Overstocking Reduces Lying Time in Dairy Cows. Journal of Dairy Science, v.90, p.3349-3354, 2007.
FREGONESI, J. A., TUCKER, C.B.; WEARY, D.M.; FLOWER, F.C.; VITTIE, T. Effect of rubber flooring in front of the feed bunk on the time budgets of dairy cattle. Journal of Dairy Science, v.87, p.1203-1207, 2004.
SANTOS, F.A.P., CARARETO, R. PACHECO-JUNIOR, A.J.D. Conforto de Bovino Leiteiros em Sistemas Intensivos de Produção. Anais do 6º Simpósio sobre Bovinocultura Leiteira. Fealq. 2008.
