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Micotoxinas em vacas leiteiras: seus efeitos e aditivos inativadores

VÁRIOS AUTORES

FAMÍLIA DO LEITE

EM 03/02/2021

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 02/02/2021

Micotoxinas são um grupo de metabólitos secundários produzidos por vários fungos. Quais são os efeitos que essas micotoxinas podem causar em vacas leiteiras? E quais aditivos são capazes de inativar esses efeitos?

Micotoxinas são um diverso grupo de metabólitos secundários produzidos por vários fungos filamentosos pertencentes aos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium que podem ser tóxicos se ingeridos por humanos e/ou animais. Micotoxinas são, em sua maioria, muito estáveis e podem ser detectadas em rações e forrageiras.

Dentre as micotoxinas, aquelas produzidas pelo gênero Fusarium são detectadas em vários alimentos pois seus esporos estão amplamente espalhados e livres para contaminar alimentos e plantações, tanto em climas quentes como temperados.

De acordo com Fink-Gremmels (2008) várias micotoxinas são inativadas pela microbiota ruminal, porém ainda ocorre passagem de micotoxinas intactas, ou convertidas em metabólitos com alguma atividade biológica. Consequentemente, ocorre alteração da diversidade da flora ruminal, uma vez que essas micotoxinas podem ter atividade antimicrobiana e modulação do sistema imune do animal, mesmo em pequenas quantidades.

Nesse contexto, após a ingestão da micotoxina deoxinivalenol (DON), produzida pelo Fusarium, animais podem apresentar uma série de sintomas, tais como: problemas gastrointestinais, imunossupressão e queda geral do desempenho, advindo da diminuição da ingestão de matéria seca.

Os mecanismos biológicos acerca deste quadro clínico não são completamente entendidos, contudo o desequilíbrio na microbiota ruminal, o aumento da permeabilidade do rúmen, e lesão nas mucosas são sinais comuns. De acordo com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, a ingestão do DON por vacas leiteiras pode causar falta de apetite, redução do consumo alimentar e atividade ruminal e quadro de imunossupressão.

Outra classe de micotoxina produzida pelo Fusarium, são as fuminisinas (FB) que são citotóxicas, hepatotóxicas e nefrotóxicas. Apesar de seus mecanismos serem incertos, as mucosas do animal absorvem a FB e estas podem alterar algumas rotas metabólicas levando a uma condição de imunossupressão no intestino, devido a diminuição da expressão de proteínas importantes no reconhecimento de patógenos e no início da cascata inflamatória.

Uma alternativa para diminuir o efeito negativo das micotoxinas é usar aditivos inativadores de micotoxinas. Um deles, o Mycofix, se baseia em 3 propriedades: (1) Os componentes inorgânicos adsorvem micotoxinas, como a Aflatoxinina (AF), (2) A Eubacterium atua em micotoxinas inalteradas pelos componentes inorgânicos, e os biotransformam em metabólitos não-tóxicos, por meio da fumonisina-esterase, uma enzima que hidrolisa completamente (HFB) ou parcialmente (pHFB) as FB (3) Fitosubstâncias presentes geram um efeito protetivo no animal.

Um estudo conduzido na Itália com 12 animais da raça Holandesa avaliou os efeitos da contaminação da dieta por micotoxinas - em concentrações abaixo do que é considerado máximo pela recomendação Americana e Europeia- produzidas pelo gênero Fusarium no comportamento alimentar, atividade ruminal, produção, composição e coagulação do leite, sistema imune e como o uso de inativadores de Micotoxinas podem prevenir seus efeitos negativos (Gallo et al., 2020).

Foi concluído que mesmo em baixas concentrações, a contaminação por micotoxinas afeta aspectos nutricionais, clínicos e produtivos dos animais; com o uso de aditivos adsorventes na dieta, alguns dos efeitos negativos foram suprimidos. O experimento foi feito em 3 períodos de 21 dias em que os animais foram direcionados a 3 tratamentos diferentes.

O tratamento controle (CTR) consistiu em uma dieta contaminada com 340,5 µg de DON/kg na matéria seca e 127,9 µg FB/kg na matéria seca. O segundo tratamento (MTX) consistiu em uma dieta com maior teor de contaminação, mas ainda abaixo do que é aceito pela União Europeia, 733,0 µg de DON/kg de matéria seca e 994,4 µg de FB/kg de matéria seca. O terceiro tratamento (MDP) também com quantidades mais altas de micotoxinas, 897,3 µg de DON/kg de MS e 1.247,1 µg de FB/kg na matéria seca, porém com a adição de aditivo inativador de micotoxinas, 35 g/animal por dia.

Tabela 1. Efeito de dieta contaminada por micotoxinas no peso corporal, ingestão de matéria seca, eficiência alimentar, escore de condição corporal, ruminação, digestibilidade da MS e digestibilidade da FDN

Tabela 2. Produção e composição de leite, propriedades coagulativas de Rennet em vacas leiteiras que receberam dietas contaminadas.

A composição da dieta foi a mesma para todos os tratamentos, a diferença se deu de acordo com a adição de micotoxinas em diferentes quantidades.

Foi feita análise semanal das amostras de cada tratamento, para nutrientes, composição química e nível de contaminação. Além disso, para análise do efeito das micotoxinas no animal foi coletado sangue (D0, D14 e D21), leite (D0, D14 e D21), líquido ruminal (D21) e fezes (D0 e D21).

Em comparação com o controle, vacas do tratamento MTX que possuía nível de contaminação intermediária e sem aditivos para micotoxinas apresentaram menor eficiência alimentar (-2,7%), menor digestibilidade da MS (-3,7%) e menor digestibilidade de FDN (-9,5%).

Já o tratamento com maior nível de contaminação e aditivo para micotoxinas (MDP) apresentou a maior digestibilidade, de forma que o aumento na digestibilidade foi de 2 e 2,5% na MS e FDN, respectivamente. Com relação a produção de leite, os animais nos grupos MTX e MDP apresentaram menor produção do que o grupo controle, -1,34 e -1,18 kg/d, respectivamente.

Esses resultados mostram que as vacas leiteiras que receberam dieta contaminada com níveis abaixo das recomendações europeias vigentes de micotoxinas apresentaram efeitos adversos em seu desempenho.

De fato, a presença de micotoxinas de Fusarium, como DON e FB, mesmo que em quantidades menores, afetou negativamente a digestibilidade da dieta, produção do leite, as propriedades coagulativas de Rennet, e alterou a expressão de enzimas do fígado. O uso do aditivo inativador de micotoxinas conteve os efeitos negativos na digestibilidade, qualidade do leite e resposta imune, porém ainda assim houve queda na produção de leite e eficiência alimentar dos animais.

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Leia também: 

Autores
Polyana Pizzi Rotta
Caio Augustus Diamantino
Bernardo Magalhães Martins

Referências:

Gallo, A. Minuti, P. Bani, T. Bertuzzi, F. Piccioli Cappelli, B. Doupovec, J. Faas, D. Schatzmayr, and E. Trevisi. 2020. Aditivo inativador de micotoxinas contém efeitos adversos de contaminação regular por Fusarium. J. Dairy Sci. 103:11314–11331

Fink-Gremmels, J. 2008b. Revisão: Micotoxinas e transferência para o leite. Food Addit. Contam. Part A Chem. Anal. Control Expo. Risk Assess. 25:172–180.

POLYANA PIZZI ROTTA

Professora de Produção e Nutrição de Bovinos de Leite da UFV e coordenadora do Programa Família do Leite

BERNARDO MAGALHÃES MARTINS

Zootecnista da UFV e técnico do Programa Família do Leite

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RODRIGO DE SOUZA COSTA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 08/02/2021

Parabéns pelo brilhante texto. Sem dúvida, esse inimigo invisível é um dos fatores que afetam a longevidade e a produção.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/02/2021

Vilões microscópicos!
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