Estrutura geral de um programa de melhoramento

Os programas não podem se restringir somente à seleção dos animais. É preciso, depois de escolhidos os reprodutores, fazer uso correto deles. Os reprodutores, como vimos no artigo anterior, são classificados de acordo com seu valor genético. Os animais superiores devem ser usados nos rebanhos núcleo, ou elite. Os animais melhoradores, que, porém, não estão no topo da classificação, deverão ser usados nos rebanhos multiplicadores.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Os programas não podem se restringir somente à seleção dos animais. É preciso, depois de escolhidos os reprodutores, fazer uso correto deles. Os reprodutores, como vimos no artigo anterior, são classificados de acordo com seu valor genético. Os animais superiores devem ser usados nos rebanhos núcleo, ou elite. Os animais melhoradores, que, porém, não estão no topo da classificação, deverão ser usados nos rebanhos multiplicadores.

Os rebanhos multplicadores também podem usar os animais do topo da lista, quando houver disponibilidade de sêmen para inseminação artificial, ou reprodutores melhoradores que já foram utilizados nos rebanhos elite e já foram repostos por outros mais jovens e melhores. O rebanho multiplicador produz reprodutores melhoradores para os rebanhos comerciais.

A estrutura deve ser assim:

Figura 1

As setas representam a passagem de reprodutores e, em conseqüência, de genes, de um estrato para o outro. Notem que existem setas para cima. Isso quer dizer que, se nos rebanhos comerciais e multiplicadores surgirem animais muito superiores, eles podem ser utilizados no núcleo. É o que se chama de núcleo aberto.

Isto é importante, pois as populações dos rebanhos comerciais e multiplicadores são bem maiores, aumentando a chance de surgimento de animais com grande valor genético. Além disso, com o núcleo aberto, fica mais fácil controlar a consangüinidade.

As setas mais largas significam que o fluxo principal é de cima para baixo, ou seja, o melhoramento é alcançado nos estratos superiores e repassado aos inferiores da pirâmide.

O rebanho comercial pode lançar mão de cruzamentos, para melhorar a eficiência produtiva e econômica. Neste caso, o ideal é que existam duas ou mais pirâmides, representando o melhoramento de cada uma das raças utilizadas. Não haverá, nesse caso, passagem de reprodutores do rebanho comercial para os rebanhos superiores, por motivos óbvios.

Cada estrato cumpre, portanto, um papel importante dentro da cadeia. Não se pode pensar em melhoramento sem esse tipo de estrutura. As funções de cada estrato serão:

Rebanho núcleo ou elite: fazer a seleção dos animais por meio de avaliação objetiva, como mostrado no artigo anterior. A seleção será dirigida para aquilo que o rebanho comercial necessita.

Rebanho multiplicador: tem o papel de aumentar o número de reprodutores melhoradores, para disponibilizá-los para os rebanhos comerciais. O rebanho multiplicador adquire reprodutores ou sêmen do rebanho elite, utiliza esse material em suas ovelhas e produz reprodutores para os rebanhos comerciais. Nesse estrato também deve haver avaliação dos animais que serão disponibilizados, porém com menor intensidade. Como são colocados mais reprodutores a venda, e a intensidade de seleção é menor, os reprodutores terão preços compatíveis com o que os rebanhos comerciais podem pagar.

Rebanho comercial: tem o papel crucial de colocar o produto no mercado consumidor, seja ele carne, lã, leite ou pele. É o estrato que sente diretamente as pressões do mercado e que pode fornecer dados para o cálculo dos valores econômicos das características. Tem o papel de verificar e demandar o que deve ser melhorado e de adquirir dos rebanhos multiplicadores ou elite, reprodutores melhoradores avaliados.

Assim acontecerá a passagem dos genes mais favoráveis de estrato para estrato. As mudanças de mercado irão conduzir as mudanças de atitude e as alterações necessárias ao programa.

Para o bom funcionamento do programa todos os estratos devem cuidar de fazer suas anotações zootécnicas e econômicas.

O Brasil precisa e tem condições de implantar programas de melhoramento genético, mas infelizmente não o faz. Como bem diz o Prof. Fernando Madalena, um dos grandes nomes do melhoramento genético no Brasil e no mundo: "Quem não faz melhoramento genético,tem que comprar. "Infelizmente, se não começarmos a fazer, logo estaremos comprando reprodutores melhorados até mesmo das nossas raças nativas. Nem sei se são informações confiáveis, mas sempre que ouço alguma notícia de que algum país adquiriu exemplares de Santa Inês, fico pensando o que é isso que irá acontecer.
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Material escrito por:

Octávio Rossi de Morais

Octávio Rossi de Morais

Melhoramento Genético de Caprinos e Ovinos - Embrapa

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Juliana Dayara
JULIANA DAYARA

EM 12/04/2019

muito claro a explicação, parabéns Embrapa pelo excelente profissional.
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