Efeitos do calor sobre a saúde, reprodução e produção de vacas leiteiras

Entenda como o estresse térmico compromete a produção e a reprodução de vacas leiteiras, afetando qualidade do leite e rentabilidade da fazenda.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O estresse térmico afeta a produção de vacas leiteiras, comprometendo seu bem-estar e produtividade, especialmente em climas quentes. Este fenômeno ocorre quando os bovinos não conseguem dissipar o calor, resultando em aumento da frequência respiratória e outros mecanismos fisiológicos. O estresse pode levar a falhas reprodutivas, problemas no desenvolvimento embrionário e na qualidade do leite, que pode apresentar menor teor de proteínas e gorduras. Medidas de conforto térmico são essenciais para mitigar esses impactos.

Você já reparou no seu gado, vacas com baixa produção em épocas mais quentes? Isso pode estar interligado ao estresse térmico, que é uma condição fisiológica adversa que ocorre quando um organismo é incapaz de dissipar o calor gerado pelo metabolismo, comprometendo suas funções biológicas normais.

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Esse fenômeno é especialmente relevante na pecuária leiteira, pois afeta diretamente a produtividade e o bem-estar dos animais. Quando expostos a temperaturas elevadas, os bovinos ativam mecanismos fisiológicos para  dissipar o calor excessivo, como o aumento da frequência respiratória e do suor,  porém, quando esses mecanismos não são suficientes, ocorre o estresse  térmico (PEGORINI, 2011). 

Figura 01. Vaca leiteira em estresse térmico pelo calor. Note: boca aberta, língua  para fora e aumento de salivação.  

Figura 1

As vacas leiteiras, por apresentarem alta produção metabólica, são particularmente suscetíveis a esse estresse, o que pode resultar em perdas  significativas para a indústria leiteira. 

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Esse tipo de estresse é comum em situações de ondas de calor repentinas, onde os animais não têm tempo suficiente para se adaptar ou quando a exposição ao calor excessivo ocorre de maneira contínua, provocando alterações hormonais que podem comprometer a eficiência produtiva e reprodutiva dos animais (PEGORINI, 2011).

A ocorrência do estresse térmico calórico agudo está diretamente associada a mudanças bruscas nas condições ambientais, especialmente em regiões com clima tropical e subtropical. Durante esses episódios, os bovinos  apresentam sinais evidentes de desconforto térmico, como a busca por sombra  e o aumento da ingestão de água (FIALHO et al., 2018). Além disso, há uma elevação da temperatura corporal, que pode desencadear quadros de hipertermia se não forem adotadas medidas de mitigação. Em situações extremas, esse tipo de estresse pode levar à exaustão térmica e até à morte dos animais, tornando essencial a implementação de estratégias para reduzir seus impactos. Em rebanhos leiteiros de alta produção, esse fenômeno compromete a ingestão de alimentos, reduzindo a disponibilidade de nutrientes essenciais para a lactação e a reprodução (PEGORINI, 2011). 

Entre os principais efeitos do estresse térmico na reprodução, destaca-se  a interferência nos hormônios reprodutivos, gerando um aumento da incidência  de falhas reprodutivas, tornando-se um desafio para a manutenção da eficiência produtiva das propriedades leiteiras (ROCHA et al., 2012). 

Estudos indicam que a elevação da temperatura corporal materna prejudica o ambiente uterino, comprometendo o desenvolvimento embrionário nas fases iniciais da gestação. Além disso, a deficiência na vascularização  placentária resulta em menor suprimento de nutrientes para o feto, o que pode levar a abortos espontâneos ou ao nascimento de bezerros com baixo peso (MOTTA NETO, 2017). 

A relação entre bem-estar animal e produtividade é amplamente estudada e evidencia que vacas submetidas a melhores condições ambientais apresentam maior produção leiteira, sendo que o estresse gerado por instalações inadequadas, manejo incorreto e interações humanas negativas pode  comprometer o consumo alimentar e o desempenho metabólico dos animais  (Ferreira et al., 2013). Além disso, ambientes desfavoráveis favorecem o  desenvolvimento de doenças, como mastite e claudicação, resultando em maiores custos com tratamento e redução da longevidade produtiva dos bovinos (Santos; Neves; Ribeiro, 2021). 

A composição do leite é sensível às condições ambientais e ao manejo dos animais. Estudos indicam que o estresse térmico, a superlotação e a falta de conforto afetam negativamente a produção e a qualidade do leite (Fonseca et  al., 2024). O leite de vacas submetidas a condições adversas pode apresentar menor teor de proteínas e gorduras, além de um aumento na presença de hormônios do estresse, que influenciam negativamente suas propriedades nutricionais e tecnológicas (Silva et al., 2022). Dessa forma, estratégias que garantam o conforto térmico, como sombreamento ou resfriamento artificial, e o manejo adequado dos animais são essenciais para assegurar a qualidade do leite.

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Material escrito por:

Beatriz Rossetti Sendin

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