Estratégias para manejo nutricional do nitrogênio e do fósforo oferecido a vacas leiteiras em fazendas comerciais

As fazendas leiteiras contribuem grandemente para a poluição com nitrogênio e fósforo. Visando minimizar esse efeito, a otimização do manejo alimentar tem sido descrito como a estratégia chave para diminuir as suas respectivas excreções no esterco.

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As fazendas leiteiras contribuem grandemente para a poluição com nitrogênio e fósforo. Visando minimizar esse efeito, a otimização do manejo alimentar tem sido descrito como a estratégia chave para diminuir as suas respectivas excreções no esterco.

Um dos maiores objetivos dos órgãos Europeus ligados à agricultura e pecuária é o desenvolvimento de fazendas com sistemas de produção sustentáveis. A eficiência de uso dos nutrientes é uma das maiores vantagens para sistemas de produção sustentáveis, uma vez que o uso ineficiente dos nutrientes não só resulta em perdas excessivas, que podem ser potencialmente prejudiciais, como também afeta o desempenho econômico.

As atividades de uma fazenda leiteira tem sido descritas como contribuidoras para poluição por N (nitrogênio) e P (fósforo). A poluição por N afeta a água pelo lixiviamento de nitrato, que contribui para a eutrofização do lençol freático, bem como também do ar com alguns compostos gasosos, tais como NH3, N2O e NO. O acumulo de P tem como principal dano a contaminação do lençol freático.

A pesquisa ainda não tem todas as respostas para esse assunto. Ainda não existem evidências claras de que melhorando o manejo nutricional se minimizará a excreção de N e P a níveis significativos. Assim, um estudo de um ano de duração com 76 fazendas comerciais européias foi conduzido com o objetivo de determinar a eficiência de utilização do N e do P por vacas em lactação e identificar fatores dietéticos e de manejo que ajudem a melhorar a eficiência de utilização destes nutrientes.

Os autores do estudo usaram o sistema computacional de CNCPS (Cornell Net Carbohydrate and Protein System) para simular uma "vaca média" em cada fazenda. As fazendas tinham de 19 a 596 vacas (87 vacas em média), produziam de 5.713 a 12.165 quilos de leite por ano (média de 9.057 kg ou 39,7 kg/dia).

Balanço de Nitrogênio

Foi observado que, na média, a ingestão foi de 562 g de N por dia, com uma estimativa pelo CNCPS de que supria a demanda para produção de proteína microbiana e ainda tinha um excesso de 7,4%. A maior produção de leite (39,9 kg/dia) correspondeu à fazenda que utilizava ração total a base de silagem de milho, com uma média de ingestão de N de 608 g/vaca.

Em média, a eficiência de utilização do nitrogênio foi de 25,8%, variando de 19,2 a 32,3%. O teor de proteína do leite não esteve correlacionado com a ingestão de N ou produção de leite, e, a variabilidade na eficiência de utilização do N no leite dependeu da ingestão de N proveniente da ração (Figura 1), indicativo de que a nutrição protéica poderia ser melhorada.

Figura 1
Figura 1. Produção média de leite vs eficiência de utilização do Nitrogênio.

O nitrogênio uréico do leite é outro favor proposto como um indicador do status de nutrição protéica e eficiência de utilização de N em vacas leiteiras. Na média o valor encontrado foi de 10,4 mg/dL, variando de 3,8 a 15,5 mg/dL. Neste estudo, esta variável não se mostrou um estimador acurado para explicar a hipótese em questão.

Os autores observaram que pelas estimativas, 76,4% do N ingerido estava sendo excretado pelas fezes e urina, valor esse que se aproxima muito de outros dados já relatados na literatura.

Balanço de fósforo

O consumo médio de P foi de 84,8 g/dia, valor esse muito similar a outros estudos relatados na literatura. Esse valor observado excede o requerimento em 68% segundo simulação feita no software do CNCPS. Estudos prévios têm relatado que é comum uma superalimentação de P em fazendas comerciais. É exatamente a redução na superalimentação de P que se baseia a melhoria na eficiência de utilização de fósforo. A quantidade de P no leite é praticamente constante, mas na urina o P pode variar desde quantidades insignificantes a 500 mg/L.

A média de utilização do P foi de 31,9%, com uma variação de 19,3 a 44,7%. A maior eficiência foi observada nas rações contendo 0,39% de P, que permitia uma produção de mais de 30 kg/dia de leite. Não foi observada correlação entre o P dietético e a produção de leite. Segundo dados de pesquisa, melhoria na eficiência de utilização do N pode melhorar a eficiência de utilização de P. Este estudo observou que 69,9% do P ingerido era excretado nas fezes.

Considerações finais

O balanceamento da ração dos animais, principalmente aquela feita mais rotineiramente, tentando ajustar as flutuações na oferta de forragem, pode contribuir para a melhoria da eficiência de utilização do nitrogênio, diminuindo a sua excreção. O fósforo nutricional pode ser melhorado pela suplementação mineral do concentrado.

Melhoria na eficiência de utilização do nitrogênio contribui para a melhoria da utilização do fósforo, apesar do uso de silagem de gramíneas e concentrados comerciais com alto teor de fósforo.

Estratégias de manejo tais como a divisão dos animais em diferentes grupos de alimentação, formulação de dieta e seleção de sistemas de alimentação nem sempre são critérios seguros para promover uma melhoria na utilização de N e P em fazendas comerciais. Quando a excreção de um nutriente é considerada levando-se em consideração todo o rebanho em lactação e a área da fazenda utilizada, o nível de intensificação tem se mostrado o maior fator afetando a excreção de N e P.

A manipulação dietética do N pode explicar apenas 11% de sua variação, e o P dietético apenas 17%, quanto à excreção por hectare. Contudo, o nível de intensificação pode limitar o efeito da estratégia nutricional quanto ao nível de excreção de N e P na fazenda.

Fonte:

Adaptado de:
H. ARRIAGA, M. PINTO, S. CALSAMIGLIA, P. MERINO. Nutritional and management strategies on nitrogen and phosphorus use efficiency of lactating dairy cattle on commercial farms: An environmental perspective. Journal of Dairy Science, Vol. 92, n. 1, 2009.
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Material escrito por:

Junio Cesar Martinez

Junio Cesar Martinez

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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