Embora a uréia seja muito importante na nutrição de ruminantes, alguns cuidados são necessários. A uréia nunca poderá substituir completamente uma fonte de proteína verdadeira; e, a vaca sempre responderá pelo menos 10% melhor quando fonte de proteína verdadeira é oferecida, em comparação a fontes de nitrogênio não protéico. Então, é importante saber quanto de uréia (fonte de nitrogênio não protéico) e quanto de farelo de soja (fonte de proteína verdadeira) se deve usar em dietas para vacas em lactação.
Neste sentido, um estudo interessante foi publicado na mais importante revista científica voltada para gado de leite, a revista Journal of Dairy Science. Os pesquisadores formularam dietas com diferentes níveis de uréia, estudo este que apresentarei a vocês. Na Tabela 1 estão apresentadas as dietas estudadas. Foram utilizadas 12 vacas holandesas, com aproximadamente 46 dias em lactação, produzindo em média 40 kg de leite/dia e pesando em média 634 kg de Peso vivo para o ensaio metabólico. Para o ensaio de desempenho foram utilizadas mais 16 vacas também holandesas, com 39 dias em lactação, produzindo 39 kg/leite/dia e pesando 589 kg/PV. Basicamente os pesquisadores se limitaram a incluir uréia e diminuir proteína verdadeira na dieta destes animais.
Tabela 1. Composição das dietas.

Vários efeitos foram observados neste estudo com níveis de uréia e farelo de soja. Conforme apresentado na Tabela 2, foi detectada redução linear no consumo de alimento, ganho de peso, produção de leite, produção de leite corrigido para gordura, produções de gordura, proteína verdadeira e lactose. Por outro lado, aumentou linearmente a concentração de uréia no leite e no plasma sanguíneo das vacas. Muito desta depressão na produção de leite e de seus componentes, com o aumento da quantidade de uréia na dieta, pode ser atribuído ao menor consumo de alimento, conforme pode ser observado na Tabela 2.
Na Tabela 3 estão apresentados alguns parâmetros metabólicos deste estudo. Pode-se verificar que o pH não foi afetado, mas por outro lado, aumentou as concentrações de amônia e diminuiu a produção de proteína microbiana, e consequentemente, o fluxo de nitrogênio para ao trato digestivo.
Tabela 2. Efeito da fonte de proteína degradável no rúmen na produção de leite, excreção e digestibilidade aparente.

Tabela 3. Avaliações de parâmetros metabólicos.

Considerações finais
Este estudo mostra que as fontes de nitrogênio não protéico, mais especificamente a uréia, é um ingrediente de grande interesse na alimentação de vacas leiteiras, mas que o seu uso, principalmente em altas concentrações na dieta, pode incorrer em queda do desempenho. Assim, substituir parte de uma fonte de proteína verdadeira por uréia poderá diminuir o consumo de alimento, a produção de leite e de seus componentes, poderá afetar o ganho de peso, as excreções de nitrogênio para o meio ambiente e as concentrações de nitrogênio na forma de uréia no leite e no plasma sanguíneo dos animais, bem como o fluxo de aminoácidos essenciais e não essenciais para o intestino.
Em outras palavras, a utilização de altas concentrações de uréia diminui a formação de proteína microbiana no rúmen. Como a uréia tem preço mais atrativo do que fontes de proteína verdadeira, a estratégia é balancear a dieta com quantidade de uréia suficiente para baratear o custo da ração, mas que não atinja concentrações que poderá vir a causar severa diminuição no desempenho animal.
Fonte:
BRODERICK, G.A., REYNAL, S.M. Effect of source of rumen-degraded protein on production and ruminal metabolism in lactating dairy cows. J. Dairy Sci. 92:2822-2834, 2009.
