Sempre trabalhei com dietas de alta densidade no verão. Sempre busquei os padrões técnicos recomendados. Procuramos sempre trabalhar com relação volumoso x concentrado = 40:60 a 35:65, com teores de carboidratos não fibrosos (CNF) entre 38 a 40% fibra efetiva ao redor de 19 a 21, teores de amido entre 25 a 30% da MS, com energia entre 1.65 a 1.69 Mcal/kg MS e teores de NDT entre 73 a 75%, ou seja, dietas, efetivamente densas. Formulações com 11 a 13 kg de concentrado (incluindo polpa cítrica) mais caroço de algodão.
Temos notado que no verão, no entanto, a incidência de casos de laminite, em nossa propriedade tem aumentado. São vacas alojadas em regime de confinamento total, tipo free-stall, com camas de borracha. Mesmo "segurando" a dieta para evitar casos de acidose (obviamente), notamos oscilações no consumo MS. Talvez isso esteja associado a eventuais oscilações no pH ruminal, possivelmente em função de seleção da dieta por parte de alguns animais.
Conversando com especialistas e grandes produtores tenho perguntado sobre a produção efetiva de suas vacas (média) no verão. Com raríssimas exceções tenho encontrado rebanhos com média superior a 25 kg/cab/dia a partir de novembro. Não adianta "enganar" e querer contabilizar a média do "Lote 1" ou dos animais em início de lactação. Estou me referindo a média geral, do rebanho.
Se trabalharmos com desafio de 25 a 27 kg de leite no verão, veremos que não há necessidade de se trabalhar com dietas de elevada densidade, sendo possível atingir este nível de produção com dietas mais "verdes", ou seja, com maior inserção de volumoso. Comentando sobre o tema com colegas, temos chegado a conclusão que no verão, "acelerar" demais as vacas pode muitas vezes trazer mais prejuízos do que benefícios. Como nutricionistas, sabemos, obviamente que elevar a taxa de passagem no rúmen, aumentando o nível de concentrado e diminuindo a concentração de alimentos fibrosos na dieta, ocorre menor produção de calor e maior conforto para a vaca que, "teoricamente" consumiria mais MS. Será que, na prática, efetivamente ocorre um maior consumo?! Sempre acreditei que sim. Para dietas com silagem de milho (nosso caso o ano todo), fornecimento de 21 a 23 kg de silagem/cab/dia. Hoje, temos trabalhado, no verão, com 25 a 28 kg/cab/dia, sem problemas. Então, o que está acontecendo? Não é muito volumoso? Acredito, pela prática, que não. No verão temos que priorizar a saúde da vaca. E ela começa por um ambiente ruminal estável (o que é mais fácil de ser obtido e com menores riscos quando trabalhamos com maior participação de volumoso).
A analogia é que faço hoje é a a seguinte: andar por 10 km a 200 km/hora ou percorrer 600 km a 80 ou 100 km/hora? Eu fico com a menor velocidade e a saúde ruminal (constância). Mesmo com menos leite, individualmente falando.
Dietas com alta densidade no verão. Este é o caminho correto?!
Tradicionalmente, nutricionistas e especialistas recomendam aumentar a densidade de dietas para vacas especializadas almejando maior consumo e maior conforto. Isso é realmente o correto?!
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