RS: temperaturas elevadas e falta de chuva impactam volume e qualidade do leite

Dias quentes e escassez de chuva já reduzem a produção para cerca de 25 litros por vaca, abaixo dos 30 litros registrados em períodos sem estiagem. Pastagens fibrosas, menor consumo e estresse térmico explicam a queda no volume produzido.

Publicado por: MilkPoint

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A escassez de chuvas e o calor intenso têm causado perdas de até 17% na produção de leite no norte do Rio Grande do Sul, com muitos animais produzindo cerca de 25 litros por dia, abaixo da média habitual. O estresse térmico e a baixa qualidade do pasto são os principais fatores. Produtores estão ajustando a dieta com ração e silagem, mas isso eleva custos. Investimentos em irrigação têm ajudado alguns produtores a manter a qualidade do capim, embora o preço do leite ainda não seja viável economicamente.
A sequência de dias quentes e a baixa ocorrência de chuvas já provocam perdas de até 17% na produção leiteira no norte do Rio Grande do Sul. Em muitas propriedades, o volume caiu para cerca de 25 litros por animal, abaixo dos 30 litros observados em períodos sem estiagem.

O impacto é resultado de dois fatores principais: o estresse térmico e a dificuldade de rebrote das pastagens. Com menos chuva, o capim perde qualidade, torna-se mais fibroso e reduz o consumo pelos animais. A menor ingestão de alimento reflete diretamente na produção de leite.

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Em uma propriedade no interior de Marau, a família De Marchi precisou ajustar o manejo, reforçando a dieta com ração e silagem. Ainda assim, a produção segue abaixo do esperado.

"Diminuiu bastante a produção por causa do sol, não por falta de oferta de pasto. O pasto tem, mas elas acabam não comendo porque ele está fibroso, por falta de chuva. Hoje está fechando nos cerca de 25 litros devido ao calor e ao estresse das vacas; elas não comem pasto suficiente", afirma a produtora Nádia De Marchi.

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A silagem, técnica de conservação de forragem úmida, é uma alternativa comum em períodos de seca. No entanto, aumenta os custos, seja pela produção própria ou pela compra, além de alterar a rotina alimentar dos animais.

Investimento para enfrentar o clima

No município de Água Santa, onde a atividade leiteira é uma das principais fontes de renda rural, 114 propriedades têm no leite o carro-chefe da renda familiar, segundo a Emater/Ascar-RS.

O pecuarista Márcio Rodigheri investiu, há nove anos, em um sistema de irrigação para as áreas de pastagem. A estratégia permite manter a hidratação do capim e preservar a qualidade da alimentação mesmo em períodos de estiagem.

"Ter irrigação numa propriedade em um momento como esse é o que está salvando muitos produtores. Nós vamos ampliar a área irrigada da propriedade, para ver se conseguimos passar mais tranquilamente por esses anos ruins", diz o produtor.

Com duas horas de funcionamento, o sistema aplica cerca de 20 milímetros de água na área irrigada. Apesar disso, Rodigheri relata que o retorno financeiro não tem correspondido às expectativas devido ao valor pago pelo litro de leite.

"Esse mês já eu recebi R$ 1,95 ao litro, mas já teve meses piores, né? Eu cheguei a receber R$ 1,87 ao litro de leite. Nos últimos dois meses subiu um pouco, só que ainda não é viável", acrescenta.

As informações são do GZH, adaptadas pela equipe MilkPoint.

 

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