A raça Assaf: melhoramento sem preconceitos
Uma ovelha Assaf produz de 400 a 600 litros por lactação (padronizada em 210 dias), uma média diária de 2,7 litros nos sistemas intensivos. A raça se adapta bem aos sistemas semi intensivos e tem muito baixa estacionalidade. A média de cordeiros é de 1,6 por parto, parecida com a da nossa Morada Nova. Isto fez com as Assaf fossem cobiçadas por todos os interessados em produzir leite de ovelha no mundo e a raça foi exportada para diversos países (dizem que até para o Peru e o Chile), mas especialmente para Portugal e Espanha.
Publicado em: - 3 minutos de leitura
A raça Assaf é uma raça sintética, assim como a Dorper. A Assaf é o resultado do cruzamento das raças Awassi, originária do Oriente Médio e da alemã/holandesa Ostfriesisches Milchschaf, ou East Friesian ou "aportuguesando" Frísia do Leste.
A raça Awassi tem origem controversa, mas aparentemente é iraquiana e espalhou-se para os países vizinhos. Os israelenses fizeram um intenso trabalho de seleção para conformação de úbere e produção de leite nessa raça, até que ela se tornasse uma das principais raças leiteiras no mundo. Há quem afirme que a Awassi Melhorada (Improved Awassi) já é a raça ovina que mais produz leite. Por outro lado, as ovelhas East Friesian já eram conhecidas há séculos por sua alta produção leiteira e sua incrível prolificidade.
Pois bem, as ovelhas Awassi, adaptadas ao clima e vegetação do deserto, com suas caudas gordas (um macho adulto pode ter mais de 10 quilos de gordura na cauda) são criadas extensivamente, na tradição dos povos do Oriente Médio. As East Friesian são consideradas ovelhas de quintal, de criações pequenas e cuidados individualizados. Com o intuito de produzir leite em sistemas mais intensivos e de melhorar a prolificidade das Awassi, pesquisadores Israelenses iniciaram, na década de 1950, cruzamentos entre as duas raças.
Ninguém estava preocupado com o tamanho da orelha, com a cor da lã, com a cor dos cascos ou presença de chifres, o objetivo era produzir leite e bons cordeiros para abate.
O resultado disso é que as ovelhas Assaf são bem feias, boas leiteiras e boas parideiras. Uma ovelha Assaf produz de 400 a 600 litros por lactação (padronizada em 210 dias), uma média diária de 2,7 litros nos sistemas intensivos. A raça se adapta bem aos sistemas semi intensivos e tem muito baixa estacionalidade. A média de cordeiros é de 1,6 por parto, parecida com a da nossa Morada Nova. Isto fez com as Assaf fossem cobiçadas por todos os interessados em produzir leite de ovelha no mundo e a raça foi exportada para diversos países (dizem que até para o Peru e o Chile), mas especialmente para Portugal e Espanha.
Recentemente os israelenses introduziram o gene FecB (o gene da prolificidade dos Merinos Booroola) nas Awassi Melhoradas e nas Assaf, gerando as linhagens Afec Awassi e a Afec Assaf. Isto elevou a prolificidade em ambas as raças para 2 cordeiros por parto, em média. Pois é isso mesmo, cruzaram Merino Booroola com os dois xodós da ovinocultura israelense e ninguém deu chilique. Aliás só se aplaudem as atitudes desses pesquisadores e cada vez mais os produtores de leite ovino cobiçam as duas raças trabalhadas em Israel. Isto tudo é fruto de objetividade e trabalho árduo.
Tanto em Israel como na Espanha, onde há pouco tempo a raça Assaf foi reconhecida, o trabalho continua. As lactações são controladas e a seleção é feita de acordo com a produção e a lucratividade desses animais. Ninguém duvide que, se alguma outra característica importante tiver que ser incorporada ou melhorada nas Assaf e nas Awassi, os israelenses lançarão mão de novos cruzamentos e mais seleção.
Enquanto isso, no reino dos brasucas, certamente há interessados em importar "Assafs" e "Awassis" de algum lugar, mas quando esses animais chegarem aqui vão inventar regras e padrões que nada têm a ver com a produtividade e a lucratividade dos animais, e acima de tudo irão "proteger" a pureza da raça, para depois de muitos anos se vangloriarem, como fazem alguns criadores de raças bovinas, de terem o rebanho mais puro que no próprio país de origem, mesmo que isso não sirva para nada.
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Material escrito por:
Octávio Rossi de Morais
Melhoramento Genético de Caprinos e Ovinos - Embrapa
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!
UTINGA - BAHIA
EM 30/09/2018
ITAJUÍPE - BAHIA
EM 27/03/2018
Vi que tem interesse na importação da raça leiteira Assaf, favor me adicionar no WhatsApp: 071 99210-6123
Estamos fazendo um grupo para importação.
Grato,
Silas Vasconcelos
ITAJUÍPE - BAHIA
EM 27/03/2018
Qual seu WhatsApp? Estamos fazendo um grupo.
Chama por favor no whatsapp: 071 99210-6123
Obrigado,
Silas
ITAJUÍPE - BAHIA
EM 25/07/2017
Alguém teria interesse em importar sêmen de Assaf? Caso sim, favor enviar-me um whatsapp 071 99210-6123 ou um e-mail: silasvasconcelos1988@gmail.com.
Pretendo fazer um grupo para baratear os custos.
Abraços,
Silas

CANANÉIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE LEITE
EM 09/07/2015
Tenho a pretensão em importar embriões/sêmen de Israel ou Austrália.
A Embrapa pode oferecer algum suporte técnico?
Meu e-mail para contato é: technosplanta@hotmail.com
Cordialmente,
Josué Borges
SALVADOR - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/05/2014

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/05/2013
Senhores gostaria de parabenisar a todos pela preocupação e interesse na ovinocultura, principalmente a leiteira, concordo que o produtor de leite não se apegue a detalhes de fenótipo na sua criação e sim com a produção de leite, porem quem quer criar com o objetivo de vender raça (genética) tem a obrigação de manter o padrão racial e a pureza da raça, não esquecendo que: a produção de leite, longevidade da lactação, força leiteira, aprumos, fertilidade, prolificidade, etc. são características importantes tanto para a atividade leiteira como manutenção da pureza genética da maioria das raças.
Posicionamento da orelha, pescoço, cauda, etc. são característica insignificante para quem quer produzir leite, mais este mesmo produtor de leite não utilizaria um East Frisian deslanado, preto, com orelhas pendentes para melhorar a capacidade produtiva de seu rebanho leiteiro. Vejo na bovinocultura leiteira a preocupação de produtores muitas vezes semi-analfabetos em utilizarem animais puros e avaliados para melhorarem suas matrizes mestiças.
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 31/01/2013

PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 21/01/2013

CASCAVEL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 13/11/2012

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 16/06/2012
Abraços ,Carlos Felipe Tavares Monteiro.
tavaresm@powerline.com.br
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 19/05/2009

LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 16/05/2009
Concordo totalmente com você Octávio.
Enquanto os criadores nacionais ficarem se preocupando com tamanho de orelha, ou área de pintas, ao inves de realizarem um trabalho sério, com índices de seleção específicos para produção de carne, a ovinoculura continuará sempre sendo o negócio do futuro e não do presente
Mais uma vez, parabenizo-o pelo artigo.

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 25/04/2009
tenho grande interesse em conhecer um pouco mais sobre a ovinocultura leiteira, mas tenho poucas noticias sobre algo do tipo aqui em MG.