Uso de dados na indústria láctea: inteligência artificial conecta qualidade ao rendimento

Indicada ao Dairy Vision Awards, essa empresa brasileira transforma dados fragmentados em recomendações que conectam qualidade do leite ao rendimento industrial prático.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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A Artha Dairy Intelligence surgiu para resolver desafios em laticínios, facilitando a conexão entre dados de produção, qualidade e custos. Utilizando inteligência artificial, a empresa aborda a fragmentação de informações, traduz o desempenho técnico em resultados econômicos e minimiza a dependência de especialistas. Sua plataforma avança em três níveis de maturidade, gerando economias significativas. Recentemente indicada ao Dairy Vision Awards, a empresa planeja parcerias globais para expandir suas inovações na indústria láctea.
Nascida da vivência de seus fundadores no chão de fábrica e no atendimento técnico pelo Brasil, a Artha Dairy Intelligence surgiu para solucionar um desafio crônico em laticínios. A rotina industrial sempre gerou um volume imenso de registros de produção, qualidade e custos. Contudo, conectar essas métricas para embasar escolhas diárias demandava esforço demasiado e atrasava correções. Segundo a empresa, "havia muitos registros de produção, qualidade e custos, mas conectar essas informações para tomar uma decisão ainda exigia muito trabalho". Logo, as companhias "registravam muito, porém capturavam pouco valor do que registravam".

Essa dedicação exclusiva ao setor lácteo deriva das particularidades da matéria-prima. Afinal, duas cargas de leite compradas pelo mesmo preço podem entregar resultados industriais completamente diferentes. Inspirada em referências como Palantir e DTN, que integram dados climáticos, mercadológicos e operacionais, a empresa adota o conceito de inteligência de decisão. Em vez de apenas criar painéis de visualização do passado, a plataforma cruza dados internos e externos para entender o contexto. Dessa forma, a proposta é "transformar informação em recomendações práticas sobre onde agir, por que agir e qual impacto uma decisão pode gerar sobre qualidade, eficiência, margem e sustentabilidade".

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Para resolver os entraves diários, a inteligência artificial da startup atua sobre três gargalos estruturais das fábricas. Inicialmente, combate a fragmentação das informações entre o laboratório, a produção e o setor financeiro. Em seguida, ataca a dificuldade de traduzir o desempenho técnico em resultado econômico. Esse passo avalia quanto um leite específico realmente vale para a fábrica com base em sua composição e nos custos de captação. Por fim, a tecnologia reduz a dependência de poucos especialistas, uma vulnerabilidade que concentra a memória operacional e dificulta a consistência entre turnos. Ao reconhecer padrões e sinalizar desvios, o sistema deixa o profissional focado em avaliar o contexto com os dados já conciliados.

Na prática, a aplicação dessa arquitetura avança em três níveis de maturidade, respeitando a infraestrutura de cada laticínio. O estágio inicial organiza os registros pré-existentes para apoiar compras e eficiência, permitindo que a operação comece sem depender de uma digitalização total. Subsequente a isso, o segundo nível integra áreas distintas para comparar cenários, evidenciando perdas de rendimento e o impacto das variações da matéria-prima nas margens. Já no terceiro patamar, o sistema estabelece conexão direta com sensores e equipamentos de controle, o que habilita ações de máquina supervisionadas dentro de limites definidos pela gestão.

Resultados recentes evidenciam a validação econômica do modelo. Durante o trabalho em uma planta fabricante de queijos, com processamento de 40 mil litros diários, a startup cruzou o preço pago, a composição do leite e o rendimento previsto. Essa avaliação detalhada revelou que fornecedores com matéria-prima aparentemente mais barata geravam um custo final de produção mais alto. A partir da reestruturação da política de pagamento, estimou-se um potencial de ganho superior a R$ 500 mil por ano. Simultaneamente, em um segundo projeto voltado à estabilidade produtiva, a identificação de oscilações ocultas pelas médias de rendimento apontou uma oportunidade adicional próxima de R$ 300 mil anuais associada à redução da variabilidade entre os lotes.

Graças à construção dessa solução baseada na realidade nacional, a Artha foi indicada ao Dairy Vision Awards, premiação que ocorrerá no Dairy Vision, na categoria Inovação Tecnológica na Indústria. Visando o futuro, os próximos passos da companhia envolvem firmar parcerias com empresas globais para integrar novas gerações de sensores e modelos de aprendizado de máquina. O planejamento estratégico busca escalar a atuação por toda a cadeia decisória, desde a valorização do produtor até a definição de oportunidades de mercado. Assim, o reconhecimento demonstra a capacidade da inovação brasileira de liderar o desenvolvimento de tecnologias aplicáveis e competitivas para a indústria láctea global.

Não fique de fora: quem define o futuro da indústria láctea brasileira estará no Dairy Vision

Com o tema “O futuro em movimento — A hora de agregar valor aos lácteos”, o evento será realizado nos dias 27 e 28 de outubro, no Bourbon Resort Atibaia (SP), reunindo executivos e profissionais para uma imersão estratégica sobre os movimentos que estão moldando o futuro da indústria láctea.

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Material escrito por:

Maria Alice Trevizam

Maria Alice Trevizam

Editora de Conteúdo no MilkPoint e Jornalista pela PUC Campinas

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