Essa dedicação exclusiva ao setor lácteo deriva das particularidades da matéria-prima. Afinal, duas cargas de leite compradas pelo mesmo preço podem entregar resultados industriais completamente diferentes. Inspirada em referências como Palantir e DTN, que integram dados climáticos, mercadológicos e operacionais, a empresa adota o conceito de inteligência de decisão. Em vez de apenas criar painéis de visualização do passado, a plataforma cruza dados internos e externos para entender o contexto. Dessa forma, a proposta é "transformar informação em recomendações práticas sobre onde agir, por que agir e qual impacto uma decisão pode gerar sobre qualidade, eficiência, margem e sustentabilidade".
Para resolver os entraves diários, a inteligência artificial da startup atua sobre três gargalos estruturais das fábricas. Inicialmente, combate a fragmentação das informações entre o laboratório, a produção e o setor financeiro. Em seguida, ataca a dificuldade de traduzir o desempenho técnico em resultado econômico. Esse passo avalia quanto um leite específico realmente vale para a fábrica com base em sua composição e nos custos de captação. Por fim, a tecnologia reduz a dependência de poucos especialistas, uma vulnerabilidade que concentra a memória operacional e dificulta a consistência entre turnos. Ao reconhecer padrões e sinalizar desvios, o sistema deixa o profissional focado em avaliar o contexto com os dados já conciliados.
Na prática, a aplicação dessa arquitetura avança em três níveis de maturidade, respeitando a infraestrutura de cada laticínio. O estágio inicial organiza os registros pré-existentes para apoiar compras e eficiência, permitindo que a operação comece sem depender de uma digitalização total. Subsequente a isso, o segundo nível integra áreas distintas para comparar cenários, evidenciando perdas de rendimento e o impacto das variações da matéria-prima nas margens. Já no terceiro patamar, o sistema estabelece conexão direta com sensores e equipamentos de controle, o que habilita ações de máquina supervisionadas dentro de limites definidos pela gestão.
Resultados recentes evidenciam a validação econômica do modelo. Durante o trabalho em uma planta fabricante de queijos, com processamento de 40 mil litros diários, a startup cruzou o preço pago, a composição do leite e o rendimento previsto. Essa avaliação detalhada revelou que fornecedores com matéria-prima aparentemente mais barata geravam um custo final de produção mais alto. A partir da reestruturação da política de pagamento, estimou-se um potencial de ganho superior a R$ 500 mil por ano. Simultaneamente, em um segundo projeto voltado à estabilidade produtiva, a identificação de oscilações ocultas pelas médias de rendimento apontou uma oportunidade adicional próxima de R$ 300 mil anuais associada à redução da variabilidade entre os lotes.
Graças à construção dessa solução baseada na realidade nacional, a Artha foi indicada ao Dairy Vision Awards, premiação que ocorrerá no Dairy Vision, na categoria Inovação Tecnológica na Indústria. Visando o futuro, os próximos passos da companhia envolvem firmar parcerias com empresas globais para integrar novas gerações de sensores e modelos de aprendizado de máquina. O planejamento estratégico busca escalar a atuação por toda a cadeia decisória, desde a valorização do produtor até a definição de oportunidades de mercado. Assim, o reconhecimento demonstra a capacidade da inovação brasileira de liderar o desenvolvimento de tecnologias aplicáveis e competitivas para a indústria láctea global.
Não fique de fora: quem define o futuro da indústria láctea brasileira estará no Dairy Vision
Com o tema “O futuro em movimento — A hora de agregar valor aos lácteos”, o evento será realizado nos dias 27 e 28 de outubro, no Bourbon Resort Atibaia (SP), reunindo executivos e profissionais para uma imersão estratégica sobre os movimentos que estão moldando o futuro da indústria láctea.
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