O sorvete surgiu há aproximadamente 4 mil anos atrás na China, sendo feito à base de arroz e leite, produto extremamente caro, era congelado na neve - muito tempo antes da origem da geladeira. Curioso o fato que os chineses conseguiam conservar a neve durante o verão, podendo se refrescarem com essa sobremesa deliciosa.
A apreciação do sorvete se disseminou entre a nobreza, sendo um símbolo de status social e ao longo do tempo foi se popularizando e se tornando acessível. Na Itália, Marco Polo, conheceu uma variedade de cremes de frutas congeladas e incorporou na sobremesa. Em 1660, Procopio Coltelli abriu em Paris uma cafeteria que vendia sorvete, o Café Procope, a primeira sorveteria do mundo.
No Brasil a sobremesa foi incorporada em meados do século XIX, em 1834, quando uma embarcação de blocos de gelo chegou na Cidade Maravilhosa. Alguns comerciantes empreenderam e compraram o carregamento, passando a vender sorvetes de frutas, mas devido à falta de conservação era necessário consumir o produto na hora.
O primeiro anúncio de sorvete registrado no Brasil foi veiculado no jornal “A Província de São Paulo” com a manchete: “Sorvetes - todos os dias às 15 horas, na Rua direita, n. 14”.
A popularidade da sobremesa no país se tornou tão significante que foi homenageada com o Dia Nacional do Sorvete, um dia após o fim do inverno e começo da primavera, no dia 23 de setembro.
A indústria de sorvete inovou quanto à variedade de texturas, cores, sabores e formas. Hoje é possível encontrar no mercado: raspadinha de gelo, sorvete de massa, geladinho, gelato, sorbets, picolé, paleta mexicana, frozen yogurt e até sorvetes terapêuticos - com probióticos e prebióticos.
Mundialmente o sorvete se tornou tão popular que no ranking do país que mais consome o produto está a Nova Zelândia. O cidadão neozelandês toma em média 26 litros de sorvete por ano, enquanto o brasileiro consome 6 litros.
O sorvete contém triptofano em sua composição, aminoácido comprovado cientificamente que combate a agressividade e favorece a calma, aumentando a produção de serotonina, aliviando o estresse, relaxando e contribuindo para uma melhor qualidade de sono. Para complementar as pesquisas, no Instituto de Psiquiatria de Londres, os pesquisadores rastrearam a atividade cerebral de pessoas que consumiram sorvete de baunilha e descobriram que a sobremesa tem efeito imediato no cérebro, ativando a “zona de felicidade”.
A verdade é que não importa a sua origem, o sorvete faz bem para a saúde mental das pessoas, trazendo bem-estar, promovendo sensação de felicidade e alívio do estresse, quando é apreciado. Rico em fontes de energia, é um alimento com muitos benefícios, contém em sua composição: cálcio, vitaminas, gorduras, proteínas, lipídios, minerais, fósforo e outros componentes fundamentais.
Nos últimos anos as temperaturas estão cada vez mais elevadas e a sensação térmica cada vez maior. Para isso, nada melhor para amenizar o calor do que consumir sorvete, apreciando com moderação essa sobremesa refrescante e saborosa.
Agradecimentos
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo n. 303505/2023-0), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e IF Goiano - Campus Rio Verde pelo apoio a realização da pesquisa.
Referências Bibliográficas
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FISPAL SORVETES. O Brasil está no Top 10 entre os países que mais consomem sorvete do mundo; saiba como a indústria está posicionada nacionalmente entre a produção e o consumo da sobremesa e o que esperar das principais tendências do mercado. Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS). 2023, Disponível em:
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