ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
FAÇA SEU LOGIN E ACESSE CONTEÚDOS EXCLUSIVOS

Acesso a matérias, novidades por newsletter, interação com as notícias e muito mais.

ENTRAR SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Impacto do estresse térmico na produção de queijos

VÁRIOS AUTORES

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/11/2021

4 MIN DE LEITURA

1
23

As mudanças climáticas estão entre as maiores ameaças das gerações atuais e futuras, com impacto na saúde pública, aos ecossistemas e à economia. Elas representam uma série de desafios para os pecuaristas e para toda a cadeia envolvida na produção de derivados lácteos.

Como um desses desafios, tem-se o estresse por calor em vacas leiteiras, o qual provoca impactos adversos tanto na quantidade quanto na qualidade do leite produzido. Esses impactos ocorrem por meio da redução da ingestão de alimentos, alteração da concentração de hormônios e alterações patológicas no úbere durante a mastite.

A redução no consumo de matéria seca por vacas sob estresse térmico é responsável por aproximadamente 40% a 50% da redução na produção de leite. A redução na ingestão é semelhante, mas animais sob estresse térmico têm nível de ácidos graxos não esterificados circulante mais baixo e maior eficácia da insulina.

Isso resulta na necessidade crescente de precursores de glicose para atender às necessidades de energia do animal. Essa deficiência de glicose na glândula mamária resulta na inibição da síntese de lactose, reduzindo assim, a produção de leite. Desde modo, em climas quentes e úmidos, as vacas leiteiras produzem menos leite e de menor qualidade, como já citado anteriormente.

Em vacas mantidas em condições de estresse por calor, tanto o teor de proteína do leite quanto de fração proteica de caseína tendem a diminuir, as quais compreendem cerca de 77% das proteínas totais do leite. Além disso, o estresse por calor também aumenta a concentração de ureia no leite.

Em relação aos impactos na produção de queijos, o menor teor de caseína aumenta o tempo de coagulação do leite. Além de retardar a coagulação, uma menor quantidade de caseínas também reduz o rendimento da fabricação, visto que as caseínas correspondem a fração proteica que coagula e permite a formação do gel, que prende as proteínas, gordura, lactose e sais minerais. Deste modo, quanto menor for o teor de caseína no leite, menor será o rendimento, uma vez que a caseína aumenta em níveis consideráveis a retenção de água no queijo.

Entre os vários fatores envolvidos no processo de fabricação de queijos, a composição da fração proteica e as mudanças sazonais na transformação do leite em queijo são mundialmente conhecidas. Diferentes regiões do mundo têm relatado esses impactos, o Sudoeste da Inglaterra é uma região vulnerável economicamente às mudanças climáticas, pela alta densidade do rebanho leiteiro e, portanto, resulta em alta perda de leite relacionada ao estresse térmico (FODOR et al., 2018).

Nos Estados Unidos, o estresse térmico ocasiona perdas econômicas anuais estimadas para a indústria pecuária na “casa de bilhões de dólares”. Dessas perdas, as maiores estão relacionadas à indústria de laticínios (ST-PIERRE et al., 2003).

O sistema de produção do queijo Grana Padano na Itália está em alto risco pelos efeitos diretos e indiretos das mudanças climáticas. A redução da precipitação e o aumento da temperatura podem ter impactos negativos na produção de leite e derivados (VITALI et al., 2019).

 

Consideração final

Em virtude das mudanças climáticas são necessários cada vez mais esforços para manter as boas condições de bem-estar animal. Além de melhorar o conforto, tais esforços melhoram a qualidade e composição do leite. Como consequência, também melhoram o processo e rendimento da fabricação queijos, podendo reduzir os custos de produção por quilo de queijo nos laticínios. 

 

Referências

COWLEY, F. C.; BARBER, D. G.; HOULIHAN, A. V.; POPPI, D. P. Immediate and residual effects of heat stress and restricted intake on milk protein and casein composition and energy metabolism. Journal of Dairy Science, v. 98, n. 4, p. 2356-2368, 2015.

FODOR, N.; FOSKOLOS, A.; TOPP, C. F.; MOORBY, J. M.; PÁSZTOR, L.; FOYER, C. H. Spatially explicit estimation of heat stress-related impacts of climate change on the milk production of dairy cows in the United Kingdom. PLoS One, v. 13, n. 5, e0197076, 2018.

MAHANNA, B. Effetti dello stress da caldo sulla bovina in lattazione. 2020. Disponível em: <https://www.ruminantia.it/effetti-dello-stress-da-caldo-sulla-bovina-in-lattazione/> Acesso em: 07 nov. 2021.

PRAGNA, P.; ARCHANA, P. R.; ALEENA, J.; SEJIAN, V.; KRISHNAN, G.; BAGATH, M.; BHATTA, R. Heat stress and dairy cow: Impact on both milk yield and composition. International Journal of Dairy Science, v. 12, n. 1, p. 1-11, 2017.

SIMMONS, D. A brief guide to the impacts of climate change on food production. 2019. Disponível em: <https://yaleclimateconnections.org/2019/09/a-brief-guide-to-the-impacts-of-climate-change-on-food-production/> Acesso em: 04 nov. 2021.

ST-PIERRE, N. R.; COBANOV, B.; SCHNITKEY, G. Economic losses from heat stress by US livestock industries. Journal of Dairy Science, v. 86, p. E52-E77, 2003.

A.; LORA, I.; FORMAGGIONI, P.; GOTTARDO, F. Impact of heat stress on milk and meat production. Animal Frontiers, v. 9, n. 1, p. 39-46, 2019.

VITALI, A.; SEGNALINI, M.; ESPOSITO, S.; LACETERA, N.; NARDONE, A.; BERNABUCCI, U. The changes of climate may threat the production of Grana Padano cheese: past, recent and future scenarios. Italian Journal of Animal Science, v. 18, n. 1, p. 922-933, 2019.,

*Fonte da foto do artigo: Freepik

ESTHER CRISTINA NEVES MEDEIROS

JOÃO ANTÔNIO

Engenheiro Agrônomo pela UEG Campus Ipameri, Mestre em Zootecnia pelo IF Goiano Campus Rio Verde, Doutorando em Ciências Agrárias- Agronomia pelo IF Goiano Campus Rio Verde.

THAMARA VENÂNCIO DE ALMEIDA

Médica Veterinária, Doutora em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás - Campus Samambaia, Goiânia, GO.

JUAN CARLOS ROBERTO SAAVEDRA MORE

Ingeniero Agroindustrial e Industrias Alimentarias, Universidad Nacional de Piura - Peru, Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás - Campus Samambaia, Goiânia, GO.

MARCO ANTÔNIO PEREIRA DA SILVA

Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

RICARDO APARECIDO SANTOS

CAIAPÔNIA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 16/11/2021

Excelente, parabéns a todos envolvidos.
MilkPoint AgriPoint