Segundo o Índice de Captação do Cepea, o volume captado em agosto foi 4,2% superior ao de julho (apenas 0,9% inferior em relação ao ano passado). Agentes do setor consultados pelo MilkPoint informaram que a produção nas regiões SE e CO está crescendo, mas de forma mais amena quando comparada ao ano anterior - as chuvas fortes e frequentes têm dificultado o pastejo do gado e manejo; no sul, a produção de feno vem sendo prejudicada.
Gráfico 1. Preço do leite ao produtor e variação da captação em relação ao mesmo m~es do ano anterior.

No setor atacadista, as cotações também não são animadoras. O preço do leite UHT, que despontou entre os meses de março a junho, vem caindo desde julho, oscilando atualmente entre R$ 1,15 e R$ 1,25/litro (com citação de negócios até abaixo de R$ 1,10), segundo as fontes consultadas pelo MilkPoint. Os queijos também mostram queda de preços, influenciada também pela maior produção na região Norte e o aumento das importações - nos meses de agosto e setembro, foram importadas 5,2 mil toneladas de queijos (no mesmo período do ano passado, o volume importado foi de 729 toneladas). A mussarela está sendo vendida, em média, entre R$ 6,50 e R$ 7,00/kg, mas segundo as mesmas fontes, há produto importado sendo vendido abaixo de R$ 6,00/kg. O leite em pó se mantém estável, com valores entre R$ 6,30 a R$ 6,80/kg. O mercado do leite spot (comercializado entre as indústrias) ajustou para baixo os preços para a 2ª quinzena, ao redor de R$ 0,60/litro (na 1ª quinzena, as fontes consultadas falaram em negócios a R$ 0,63 - R$ 0,65/litro).
O que traz uma visão mais otimista para o setor lácteo, neste momento, é o mercado internacional. De julho a outubro, os leilões da Fonterra acumulam alta de 65% nos preços do leite em pó integral, com preço médio dos contratos a US$ 3.022/ton no último leilão. Na Europa, os preços também estão em alta nas últimas quinzenas, com o leite em pó superando os US$ 3 mil. A disponibilidade de manteiga na UE está baixa, puxando fortemente os preços para cima (US$ 4.237,5/ton).
Essa alta de preços nos últimos meses - que surpreendeu muitos analistas que acreditavam em uma recuperação de preços apenas no 2º semestre de 2010 - se deve à retomada da demanda, aliada ao início lento da safra na Nova Zelândia (apesar da produção já ter dado sinais de reação) e desvalorização do dólar americano. Informações do Dairy Industry Newsletter indicam que uma das razões para esses reajustes de preços na União Europeia deve-se à corrida dos compradores em garantir produto para entrega de contratos já fechados, à medida que a produção de leite cai além das expectativas (devido à greve dos produtores de leite).
Gráfico 2. Preços do leite em pó integral no Oeste da Europa, na Oceania e nos leilões da Fonterra, em US$/tonelada.

Em relação às importações de leite em pó de países do Mercosul, as licenças têm sido liberadas lentamente, e a entrada de leite em pó controlada. Em setembro, foram importadas 6,32 mil toneladas de leite em pó - 42,3% da Argentina (preço médio de US$ 2.470/t) e 57,7% do Uruguai (em média, US$ 2.200/t).
Nesse cenário, se os preços externos se mantiverem nos US$ 3.000/ton ou mais, e as importações controladas, é possível que no final desse ano e no início do ano que vem voltemos a participar do mercado internacional, embora seja fundamental buscar novas alternativas que não a Venezuela, que foi quem fez a diferença para o Brasil em 2008. Nesses preços e câmbio atual, o preço médio de equivalência ficaria entre R$ 0,55 e 0,60/litro, o que permitiria a exportação de leite oriundo de regiões de preços historicamente mais baixos, como o Sul do país.
Com a queda nos preços internos, a aposta agora, talvez, seja esperar que os preços externos continuem reagindo, à medida que a demanda se recupera no mundo e a oferta cresce menos, seja em função do clima na Nova Zelândia, seja em função do desestímulo que finalmente vem afetando a produção. Os preços ao produtor, nos próximos meses, dependerão principalmente dos seguintes fatores: oferta interna; preços externos e importações. O câmbio e a demanda não devem ter grandes alterações, sendo menos influentes na direção do mercado.
Uma possibilidade relativamente plausível nesse momento reside na combinação crescimento moderado da oferta interna e externa ,aliada a amenização da crise no mercado externo e consequente retomada da demanda e, com isso, nova elevação de preços em dólar a partir de março, implicando em um cenário marcado pela volatilidade de preços.
