Seu queijo artesanal maturado por dez meses alcançou a maior pontuação geral entre mil amostras inscritas no principal concurso de queijos das Américas. Para o produtor, o prêmio consolidou um processo de valorização que começou um ano antes, com a conquista de uma medalha de ouro na ExpoQueijo Brasil de 2024. “Muitas portas se abriram para o nosso queijo, que passou a ter muita procura e uma valorização significativa no preço”, afirma.
A Expoqueijo é realizada pela Bonare Eventos, conta com parceria de associações de produtores de queijo e tem o apoio do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seapa) e de suas vinculadas Emater-MG, Epamig-ILCT e IMA, da Secult, e da prefeitura de Araxá. Como sempre, a feira terá estrutura montada no pátio principal e nos salões do Grande Hotel e Termas de Araxá, patrimônio cultural e histórico de Minas Gerais, entre 25 e 28 de junho, com impacto positivo em áreas como turismo, varejo, agropecuária, logística, indústria alimentícia, cadeia de suprimentos e relações internacionais.
Segundo Jayme, o impacto da premiação alterou diretamente a dinâmica da produção familiar. “Antes do concurso, já vendíamos toda a produção. Depois do Super Ouro, houve aumento de 60% no valor do queijo e hoje trabalhamos com fila de espera. Mesmo dobrando a produção, ainda estamos longe de suprir a demanda”, relata.
A experiência do produtor mineiro é semelhante a de vencedores internacionais da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards. Desde a criação do concurso, apenas três países conquistaram o troféu Super Ouro. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022. A Argentina ficou com o título em 2023 e 2024. Já o Brasil entrou pela primeira vez na galeria de campeões em 2025.
Mais do que uma premiação, o Super Ouro transformou-se em uma espécie de selo internacional de excelência para produtores artesanais. Os queijos vencedores passam a integrar permanentemente a galeria histórica da competição e deixam de disputar as edições seguintes. Segundo a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, a proposta é preservar a autenticidade da conquista e incentivar a evolução contínua dos produtores.
“O Super Ouro representa o mais alto reconhecimento da ExpoQueijo Brasil. Quando um queijo conquista esse título, ele passa a fazer parte da história do concurso e entra definitivamente para o hall dos grandes campeões. O produtor pode continuar participando com outros produtos, maturações ou criações inéditas, mas aquele queijo vencedor deixa de competir. Isso valoriza a autenticidade da conquista e estimula a inovação constante dentro do universo queijeiro”, afirma.
Itália: tradição europeia consolidada em Araxá
Primeiro país a conquistar o Super Ouro, a Itália consolidou sua presença na ExpoQueijo Brasil com produtos oriundos de uma das regiões mais tradicionais da produção artesanal europeia. Apenas a cidade de Bérgamo reúne nove Denominações de Origem Protegida (DOP).
Pedro Domenghini Albano, representante da delegação italiana, afirma que as vitórias fortaleceram a conexão entre produtores italianos e o mercado brasileiro. “Estamos construindo uma conexão real entre o setor de laticínios da Itália e o Brasil. Vencer duas edições seguidas com queijos de Bérgamo foi uma emoção enorme”, destaca.
Argentina: reconhecimento internacional e valorização do terroir
A Argentina conquistou o Super Ouro em 2023 e 2024 com o queijo Cuatro Esquinas, produzido pelo queijeiro Mauricio Couly. Para ele, a vitória em Araxá representou reconhecimento internacional e valorização do trabalho desenvolvido na Patagônia argentina. “Ganhar durante dois anos consecutivos no Concurso Internacional da ExpoQueijo significou muito para nós como uma queijaria artesanal patagônica”, afirma. Segundo Couly, os prêmios ajudaram a ampliar a visibilidade dos queijos argentinos no cenário internacional.
O produtor afirma ainda que o reconhecimento elevou o nível de exigência da própria produção. “Depois de ganhar, entendemos que não se tratava apenas de fazer um bom queijo para uma competição, mas de sustentar um nível de excelência constante ao longo do tempo. Isso nos impulsionou a continuar investindo em maturação, microbiologia, manejo do leite, bem-estar animal e desenvolvimento técnico”, ressalta.
As informações são do Governo de Minas Gerais, adaptadas pela Equipe MilkPoint.