O estresse térmico é um dos principais desafios da pecuária leiteira durante o verão, sobretudo em regiões quentes e úmidas. Vacas de alta produção, como as da raça holandesa, geram maior quantidade de calor metabólico e, por isso, têm mais dificuldade para dissipar esse excesso quando as temperaturas sobem.
A superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Maíza Scheleski da Rosa, explica que o conforto térmico desses animais ocorre em faixas semelhantes às de um dia de outono, entre 8 °C e 18 °C.
“Quanto mais leite a vaca produz, maior é o calor gerado pelo próprio metabolismo. Isso torna o animal mais sensível às altas temperaturas, principalmente quando há umidade elevada”, afirma.
Para avaliar o risco, o indicador mais adequado é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que combina temperatura e umidade em um único valor. “O ITU ideal para a raça é abaixo de 68. Quando a temperatura ultrapassa 20 °C, especialmente com umidade alta, a vaca já começa a sofrer com o calor”, explica.
Quando em estresse térmico, a vaca reduz o consumo de matéria seca e, como consequência, há queda na produção de leite. A fertilidade também pode ser comprometida, aumentam os problemas metabólicos e cresce a suscetibilidade a doenças.
Os sinais podem ser percebidos na rotina da fazenda. Respiração acelerada, salivação intensa e maior permanência em pé — com menos tempo deitada ruminando — indicam desconforto. “Esses comportamentos mostram que o animal está tentando dissipar calor e não está em condição ideal de conforto”, observa.
Medidas para reduzir o impacto
Algumas ações estruturais e de manejo ajudam a minimizar os efeitos do calor, tanto em sistemas confinados quanto a pasto.
Em galpões ou sistemas freestall, ventilação eficiente é fundamental, seja natural ou com ventiladores e exaustores. “Sempre que possível, também é indicado utilizar sistemas de resfriamento com aspersão de água associados à ventilação”, afirma Maíza.
Telhados com isolamento térmico e áreas adequadas de sombreamento contribuem para reduzir a carga térmica. O fornecimento constante de água limpa e fresca é indispensável.
Outra estratégia é ajustar o fornecimento da alimentação para os horários mais frescos do dia. “A vaca tende a comer melhor quando ela não está sofrendo com o calor”, explica.
Nos sistemas a pasto, sombra natural ou artificial e acesso contínuo à água de qualidade são medidas essenciais. Organizar atividades para o início da manhã ou final da tarde evita deslocamentos nos períodos mais quentes. O planejamento forrageiro também reduz caminhadas excessivas e, consequentemente, o estresse térmico.
A especialista reforça que os sinais clínicos não devem ser ignorados. “O conforto térmico não é um luxo, e sim uma necessidade, porque quando a vaca está confortável, ela está em bem-estar, ela come melhor, produz mais leite, reproduz com mais eficiência e permanece mais tempo no rebanho”, afirma.
As informações são do Gadolando, adaptadas pela equipe MilkPoint.