Sendo assim, o preço do leite calculado para o ano 2000 está na tabela abaixo.
Tabela 1 - Preço do leite pago ao produtor pelas principais companhias de lácteos na UE (em US$/100 kg)*

* Preço por 100 quilos de leite padrão, com 4,20% de gordura, 3,35% de proteína, contagem de bactéria total de 50 mil por ml, contagem de células somáticas de 300 mil por ml e fornecimento anual de 350 mil quilos, taxa de importação e tarifas excluídas, pagamento suplementar pela distribuição de lucros no final do ano incluídos.
1 Média aritmética
2 Cálculo baseado nas publicações mensais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de preços do leite do tipo Class III, com 4,20% de gordura, 3,35% de proteína e contagem de células somáticas de 300 mil por ml.
3 Baseado nos preços divulgados pela New Zealand Dairy Group
A média do preço do leite pago ao produtor nas 16 companhias européias em 2000 foi de US$ 26,71 por 100 quilos. Isso denota um aumento de 2,3% com relação aos preços pagos em 1999. Em 2000, houve uma recuperação dos preços dos produtos lácteos, especialmente do leite em pó desnatado, na segunda metade do ano. Os preços no mercado mundial dos produtos europeus também aumentaram, devido ao enfraquecimento do euro frente ao dólar norte-americano.
A Parmalat da Itália está no topo da lista, seguida pelos preços pagos pela Arla Foods aos produtores da Suécia. As empresas que pagaram menos a seus produtores foram as britânicas Express Dairies e Milk Marque/Axis. A diferença entre o maior e o menor preço pago pelo produto foi de US$ 10,84 por 100 quilos.
Em outras comparações de preços feitas anteriormente, a Itália já tinha se revelado como o país que paga os maiores preços aos produtores da Europa. Isso ocorre por diversos motivos, entre eles, o fato de a Itália ser um importador líquido de produtos lácteos. Cerca de metade dos produtos fabricados do país são queijos denominados PDO (Protected Designation of Origin - Designação Protegida de Origem), como o queijo parmesão.
Isso significa que há pouco leite para ser utilizado pelas companhias de lácteos na fabricação de outros produtos. Uma parte relativamente grande do mercado de leite fluido na Itália, área onde a determinação de preços é mais importante, foi regulamentada há pouco tempo. Outro fator que influencia nos preços da matéria-prima é o fato do leite italiano ter pequenas quantidades de gordura e proteína, o que significa que a média de preços atualmente paga aos produtores do país foi menor do que a calculada sobre o leite padrão.
Se não tivesse ocorrido o fortalecimento da libra britânica, os preços do leite pagos pelas companhias britânicas seriam ainda menores do que o mostrado na tabela. O baixo preço pago pelo leite no Reino Unido pode ser devido à ineficiente estrutura de produção de lácteos no país, causada pelo sistema de fixação de preços utilizado no passado. Antes, todo o leite era obrigatoriamente coletado e vendido pelos Conselhos de Comercialização de Leite do país. Os altos preços pagos pelo leite fluido possibilitavam que os produtores britânicos vendessem o restante do leite para os processadores de queijos e outros produtos a baixos preços. Esse sistema não incentivou esses processadores a investir e a se tornar mais competitivos. A abolição dos Conselhos de Comercialização de Leite e o grande acesso que o país começou a ter a produtos lácteos de outros países forçou essas companhias a competirem com mais força no mercado britânico.
Os resultados da Arla Suécia foram influenciados pelo desenvolvimento do valor da moeda sueca, a krona sueca. Em 2000, o valor da krona sueca aumentou 4,3%, o que se refletiu em um aumento quase igual nos preços pagos pelo leite, em euro. No entanto, em 2000, o preço pago pelo leite na moeda nacional não apresentou muitas mudanças com relação ao preço pago em 1999.
Os altos preços pagos pelo leite na Suécia e na Finlândia podem indicar a existência de uma preferência dos consumidores pelos produtos domésticos, além do efeito do isolamento geográfico desses dois países.
Já a grande variação existente entre o preço pago pelo leite pela belga Belgomilk, quando comparado com o preço pago em 1999 (aumento de 11,4%) foi resultado dos baixos preços pagos em 1999, devido à crise da dioxina, ocorrida neste país. Em 2000, os preços dos produtos básicos, como o leite em pó e a manteiga na Bélgica, foram relativamente altos, razão que justifica o aumento dos preços do leite.
A companhia alemã Campina não lucrou muito com o aumento dos preços das commodities, como a manteiga e o leite em pó desnatado, devido à sua estratégia de aumentar o valor agregado de seus produtos. Além disso, suas atividades na Alemanha levaram tempo para se tornar rentáveis. O baixo ranking da Campina em 2000, com relação a 1999, é uma expressão de sua estratégia e de suas atividades.
Na União Européia, o leite pode ser pago de duas formas, ou seja, através do pagamento definitivo por conta (pagamentos mensais), ou através do pagamento suplementar, pago após o término do ano fiscal pelas companhias, principalmente pelas cooperativas de leite. Eventualmente, algumas companhias privadas pagam este suplemento por razões competitivas.
As cooperativas holandesas e escandinavas (com exceção da Arla Suécia) apresentam pagamentos suplementares relativamente altos. A Campina paga 90% do preço do leite como forma definitiva, mensal, e os 10% restantes são pagamentos suplementares. Para a Friesland Coberco (FCDF), essas porcentagens são de 95% e 5%. Os pagamentos suplementares da Glanbia foram temporários até 2000.
As cooperativas alemãs Nordmilch e Humana eG fazem pagamentos adicionais durante o ano. Esses pagamentos são retrospectivamente adicionados aos preços mensais pagos pelo leite.
Devido ao fato de todo o rendimento da empresa ter sido reservado à nova companhia, Axis, a Milk Marque não fez pagamentos suplementares (distribuição de lucros) em 2000.
Gráfico 1 - Preços pagos pelo leite em 2000 por 16 companhias da União Européia (US$/100 kg)

Para ler o trabalho completo, clique em: www.milkprices.nl - background - annual report 2000
Fonte: LTO Nederland e European Dairy Farmers (EDF), adaptado por Equipe MilkPoint