A Pasta terá estrutura inchada pela incorporação, ao atual cronograma, de órgãos como as Secretarias da Pesca e da Agricultura Familiar e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A equipe de transição chegou a discutir a mudança do nome do ministério para incorporar as novas funções.
No entanto, de acordo com o deputado estadual eleito Frederico D’Ávila (PSL-SP), que integra a equipe, “mataram no ninho essa ideia” após críticas feitas pelo setor agropecuário. “É até capaz que tirem o resto e fique só Ministério da Agricultura, já que o novo governo quer mais simplicidade”, disse.
Agricultura familiar apresenta demandas
Tereza Cristina se reuniu nesta última quinta-feira, 13, na sede do governo de transição, com representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e com o deputado Heitor Schuch (PSB-RS) para tratar de questões referentes à agricultura familiar. De acordo com o deputado, duas questões são fundamentais no momento: o preço do leite pago ao produtor e os recursos do ministério para a agricultura familiar.
No verão, o consumo de lácteos tende a diminuir e, neste ano de grande produção, os preços do leite ao produtor se enfraquecem. Schuch pediu ao novo governo que reduza a importação e que compre leite para programas sociais como forma de aumentar o ganho do produtor. “É preciso estancar a importação, que estava vindo muito forte; em segundo (lugar), o governo fazer uma compra governamental para os programas sociais e aliviar esse grande estoque de leite”, disse o deputado depois do encontro.
O parlamentar gaúcho pediu ainda recursos para a produção familiar. “No orçamento que está para ser votado, a agricultura familiar perde 27% da sua receita para subvenção. Tem que achar outras formas de trazer algum recurso para esse setor". Schuch disse que a futura ministra está disposta a ouvir todos os setores, mas não adiantou se as medidas serão tomadas.
Bolsonaro barra mudança do nome do Ministério da Agricultura
Diante de grande reação negativa do setor de agronegócios ao novo Ministério do Alimento e do Desenvolvimento Rural, o presidente eleito Jair Bolsonaro decidiu barrar a mudança e determinou que o nome da pasta continue sendo "Ministério da Agricultura", apurou o Valor.
Tereza Cristina já havia encaminhado a mudança de nome para a equipe de transição, como parte do desenho da nova estrutura do "superministério", que ficará com oito secretarias em vez das atuais cinco. A nova roupagem do ministério constará de uma Medida Provisória que o novo governo encaminhará em seus primeiros dias de gestão, com a nova estrutura administrativa de órgãos federais (fusão e extinção de ministérios).
Por trás do novo nome estava uma tentativa de expressar a diversidade de atribuições e responsabilidades do órgão, dentro de uma campanha institucional de comunicação que o agronegócio vem se esforçando na tentativa de se conectar mais com a sociedade. O novo nome estaria no mesmo contexto da peça publicitária "Agro é pop, Agro é Tech, Agro é tudo", veiculada na “TV Globo”.
Na última quarta-feira (12), Tereza Cristina disse em um evento que um dos maiores desafios do setor é se comunicar melhor.
Empresários e diversas entidades do segmento agropecuário, no entanto, reprovaram a ideia alegando que o nome do ministério é uma marca do país - a pasta é uma das mais antigas da República Federativa do Brasil e existe há 158 anos com o mesmo nome - e que o novo nome poderia causar confusões de conceito, já que outros órgãos de governo também cuidam do tema alimentação, como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa).
As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e Valor Econômico, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
