Agora, segundo o comissário de desenvolvimento de lácteos, M. Rameshkumar, o governo decidiu dar mais tempo para as cooperativas de leite, adiando a medida para 1o de maio. "As cooperativas de leite informaram que precisam de mais tempo para instalar a infra-estrutura necessária para vender leite em suas regiões".
De acordo com algumas fontes do setor, a verdadeira razão deste adiamento é que o governo não quer entrar em desentendimento com os produtores de leite, com medo de perder seus votos nas próximas eleições. As cooperativas de leite na Índia formam um poderoso lobby político.
Atualmente, o governo de Maharashtra tem o compromisso de comprar todo o leite vendido pelas cooperativas. Desta forma, o governo compra, em média, 165 mil litros de leite diariamente, de 65 cooperativas - no valor de US$ 41 milhões por ano.
Cerca de 45 mil litros de leite produzidos diariamente são usados para produção de manteiga e leite em pó. Essa produção de derivados custa ao governo 5 rupees por litro (US$ 0,10/litro). No ano de 2001-02, o governo produziu 17 mil toneladas de leite em pó e 13 mil toneladas de manteiga, das quais cerca de 3 mil toneladas de cada produto não foram vendidas. Segundo funcionários do governo, esses grandes estoques acabam deprimindo o mercado, fazendo com que o governo tenha prejuízo.
Este quadro reforça a necessidade de aumentar o consumo local de leite, já que não há expectativa de aumento significativo nas exportações. "As exportações não podem crescer exponencialmente, mas as vendas locais podem", disse um especialista do setor.
As cooperativas de Maharashtra não trabalham da mesma forma que as de Gujarat, que são agrupadas em uma unidade central, denominada Amul, cujo comando total está nas mãos dos produtores de leite. As primeiras são controladas pelo governo. Isso faz com que a política da região enfraqueça a performance de produção do setor. Há carência de responsabilidade e ausência de visão de crescimento, segundo um especialista do setor, muitas vezes colocadas de lado em função de interesses políticos.
Essa situação afeta o bem estar dos produtores de leite que, apesar de receberem um alto preço pelo leite produzido - similar ao recebido pelos produtores de Gujarat -, não têm nenhum benefício concedido pela cooperativa.
Amul
A Amul agrupa 2,12 milhões de produtores, da união de cooperativas de leite de 12 distritos do Estado de Gujarat. Dele faz parte a Federação de Comercialização de Leite das Cooperativas de Gujarat (GCMMF), a maior organização destinada à comercialização de produtos alimentícios da Índia. Neste modelo, os produtores recebem uma parte de todo o lucro obtido com as vendas e os investimentos feitos.
A Amul vem apresentando resultados bastante satisfatórios nos últimos anos, como mostra a tabela abaixo:

Além disso, a GCMMF é a maior exportadora de produtos lácteos da Índia. Seu bom desempenho nos últimos 5 anos, nas exportações, fez com que o governo indiano lhe concedesse o Prêmio APEDA do Governo da Índia pela Excelência nas Exportações de Produtos Lácteos. Os produtos Amul estão, inclusive, sendo vendidos para o mercado dos Estados Unidos, após parceria feita com este país, que resultou na empresa Kanan Dairy Products Inc. Abaixo estão alguns produtos e algumas campanhas feitas pela Amul.





Fonte: The Times of India e Amul (www.amul.com), adaptado por Equipe Milkpoint