O Reino Unido gera cerca de 95 mil toneladas desse soro por ano na produção de cheddar e queijos semelhantes. A combinação de açúcares do leite com elevado teor de sal dificulta sua gestão e cria um problema recorrente para os produtores.
O trabalho demonstrou a conversão em combustível, mas a universidade não informou a escala do processamento nem apresentou resultados de produção comercial. A redução de custos para os laticínios e a ampliação do modelo aparecem como possibilidades a desenvolver.
Foto: Jason Riedy / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O projeto envolveu o Centro Internacional de Cervejaria e Destilação, o ICBD, da Heriot-Watt. A aproximação com a Take Root Bio foi articulada pelo Centro de Inovação em Biotecnologia Industrial, o IBioIC, que também apoiou a iniciativa.
A parceria reuniu a experiência da empresa em sistemas de reaproveitamento de recursos e o conhecimento da universidade em processos biológicos. O foco foi encontrar uma maneira de transformar os açúcares presentes no soro salgado em bioetanol.
Não foram detalhados os microrganismos empregados, o tratamento dado ao sal ou a quantidade de combustível obtida por volume de soro. Por isso, o resultado anunciado permite identificar uma rota de aproveitamento, sem estabelecer seu rendimento ou custo de produção.
Foto: U.S. Department of Agriculture / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Além do bioetanol, o processo deixa um fluxo secundário de material que pode, potencialmente, ser recuperado e reutilizado. A composição e o destino desse material não foram especificados. Shiwen Zhuang, especialista em desenvolvimento de fermentação da Heriot-Watt, explicou que o trabalho permitiu investigar como processos biológicos poderiam recuperar parte do valor presente no soro e aliviar as dificuldades associadas ao descarte.
Um único produtor pode gerar milhares de litros por semana
Foto: Graeme Yuill / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
A dimensão do problema vai além do volume anual estimado para o Reino Unido. Um único produtor de laticínios pode gerar dezenas de milhares de litros de soro salgado por semana, segundo a universidade. Esse volume precisa ser manejado continuamente. A proposta da parceria é aproveitar os componentes do subproduto para fornecer matéria-prima a novos produtos de origem biológica, criando uma possível fonte de valor para um material que hoje representa despesas de gestão.
A estimativa de 95 mil toneladas anuais se refere especificamente ao soro salgado proveniente da fabricação de cheddar e queijos semelhantes. Ela dimensiona a disponibilidade desse subproduto no país, sem indicar quanto foi processado pelo projeto.
Jane White, especialista em valorização de resíduos da Heriot-Watt, destacou que a indústria de alimentos e bebidas gera diversos subprodutos que ainda contêm componentes aproveitáveis. A dificuldade de manejo, explicou, torna esses materiais candidatos a processos biológicos capazes de recuperar parte desse valor.
Experiência com alimentos no espaço orienta o reaproveitamento
A participação da Take Root Bio tem origem em trabalhos voltados à produção e à reciclagem de alimentos em ambientes espaciais. Segundo seu fundador, Kirk Siderman-Wolter, a empresa começou investigando como pessoas poderiam cultivar alimentos no espaço, onde cada recurso precisa ser aproveitado com cuidado.
Nos sistemas desenvolvidos pela companhia, os materiais permanecem em uso pelo maior tempo possível. A saída de um processo pode servir de entrada para outro, formando uma sequência de aproveitamentos.
Esse princípio orientou a investigação com o soro salgado. A empresa buscou uma utilização para um material produzido em grande volume e que impõe custos aos laticínios. A possibilidade de recuperar o fluxo secundário também faz parte dessa abordagem. Seu reaproveitamento, porém, permanece como uma perspectiva apresentada pelo projeto.
Unidades móveis podem aproximar a produção dos laticínios
A Take Root Bio avalia se unidades móveis poderiam ser instaladas perto dos locais onde os subprodutos são gerados. A intenção é diminuir a necessidade de transporte e facilitar a expansão do modelo.
A proximidade entre geração e processamento é uma das questões consideradas para tornar a proposta aplicável a mais produtores. Não há unidades móveis já em operação nem um cronograma de implantação.
Os possíveis ganhos econômicos e ambientais também não foram quantificados. A expectativa da empresa é que o aproveitamento do soro possa reduzir despesas de manejo e gerar um produto com valor comercial.
Pesquisa deve avançar para resíduos de frutas e hortaliças
A parceria pretende investigar se técnicas semelhantes podem ser aplicadas a outros subprodutos alimentares e agrícolas. Entre os materiais mencionados estão resíduos do processamento de frutas e hortaliças.
Essa ampliação ainda será estudada. O resultado com o soro salgado fornece um ponto de partida para avaliar outras matérias-primas, cujas características precisam ser consideradas em cada processo. O trabalho integra a atuação da Heriot-Watt em economia circular e eficiência no uso de recursos. A próxima frente anunciada pela universidade e pela Take Root Bio é verificar quais outros subprodutos podem ser aproveitados por rotas biológicas semelhantes. Você acha que o Brasil deveria aproveitar o soro do queijo para fazer combustível? Deixe sua opinião nos comentários.
As informações são do Click Petróleo e Gás.
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