Soro salgado de queijo vira combustível em projeto universitário do Reino Unido

O trabalho demonstrou a conversão em combustível, mas a universidade não informou a escala do processamento nem apresentou resultados de produção comercial.

Publicado por: MilkPoint

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A Universidade Heriot-Watt, em parceria com a Take Root Bio, anunciou a conversão de soro salgado da fabricação de queijo em bioetanol, um projeto que visa aproveitar um subproduto difícil de gerenciar. O Reino Unido produz cerca de 95 mil toneladas desse soro anualmente. Embora o projeto tenha demonstrado viabilidade, não foram divulgados detalhes sobre a escala de produção ou os microrganismos utilizados. A parceria também considera aplicar técnicas similares a outros subprodutos alimentares.
A Universidade Heriot-Watt e a empresa Take Root Bio conseguiram transformar soro salgado da fabricação de queijo em bioetanol. O resultado foi anunciado pela universidade em 3 de agosto de 2026, em um projeto que busca aproveitar componentes de um subproduto difícil e custoso de manejar.

O Reino Unido gera cerca de 95 mil toneladas desse soro por ano na produção de cheddar e queijos semelhantes. A combinação de açúcares do leite com elevado teor de sal dificulta sua gestão e cria um problema recorrente para os produtores.

O trabalho demonstrou a conversão em combustível, mas a universidade não informou a escala do processamento nem apresentou resultados de produção comercial. A redução de custos para os laticínios e a ampliação do modelo aparecem como possibilidades a desenvolver.

Soro salgado de queijo vira combustível em projeto universitário do Reino Unido

Foto: Jason Riedy / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O projeto envolveu o Centro Internacional de Cervejaria e Destilação, o ICBD, da Heriot-Watt. A aproximação com a Take Root Bio foi articulada pelo Centro de Inovação em Biotecnologia Industrial, o IBioIC, que também apoiou a iniciativa.

A parceria reuniu a experiência da empresa em sistemas de reaproveitamento de recursos e o conhecimento da universidade em processos biológicos. O foco foi encontrar uma maneira de transformar os açúcares presentes no soro salgado em bioetanol.

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Não foram detalhados os microrganismos empregados, o tratamento dado ao sal ou a quantidade de combustível obtida por volume de soro. Por isso, o resultado anunciado permite identificar uma rota de aproveitamento, sem estabelecer seu rendimento ou custo de produção.

Soro salgado de queijo vira combustível em projeto universitário do Reino Unido

Foto: U.S. Department of Agriculture / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Além do bioetanol, o processo deixa um fluxo secundário de material que pode, potencialmente, ser recuperado e reutilizado. A composição e o destino desse material não foram especificados. Shiwen Zhuang, especialista em desenvolvimento de fermentação da Heriot-Watt, explicou que o trabalho permitiu investigar como processos biológicos poderiam recuperar parte do valor presente no soro e aliviar as dificuldades associadas ao descarte.

Um único produtor pode gerar milhares de litros por semana

Soro salgado de queijo vira combustível em projeto universitário do Reino Unido

Foto: Graeme Yuill / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A dimensão do problema vai além do volume anual estimado para o Reino Unido. Um único produtor de laticínios pode gerar dezenas de milhares de litros de soro salgado por semana, segundo a universidade. Esse volume precisa ser manejado continuamente. A proposta da parceria é aproveitar os componentes do subproduto para fornecer matéria-prima a novos produtos de origem biológica, criando uma possível fonte de valor para um material que hoje representa despesas de gestão.

A estimativa de 95 mil toneladas anuais se refere especificamente ao soro salgado proveniente da fabricação de cheddar e queijos semelhantes. Ela dimensiona a disponibilidade desse subproduto no país, sem indicar quanto foi processado pelo projeto.

Jane White, especialista em valorização de resíduos da Heriot-Watt, destacou que a indústria de alimentos e bebidas gera diversos subprodutos que ainda contêm componentes aproveitáveis. A dificuldade de manejo, explicou, torna esses materiais candidatos a processos biológicos capazes de recuperar parte desse valor.

Experiência com alimentos no espaço orienta o reaproveitamento

A participação da Take Root Bio tem origem em trabalhos voltados à produção e à reciclagem de alimentos em ambientes espaciais. Segundo seu fundador, Kirk Siderman-Wolter, a empresa começou investigando como pessoas poderiam cultivar alimentos no espaço, onde cada recurso precisa ser aproveitado com cuidado.

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Nos sistemas desenvolvidos pela companhia, os materiais permanecem em uso pelo maior tempo possível. A saída de um processo pode servir de entrada para outro, formando uma sequência de aproveitamentos.

Esse princípio orientou a investigação com o soro salgado. A empresa buscou uma utilização para um material produzido em grande volume e que impõe custos aos laticínios. A possibilidade de recuperar o fluxo secundário também faz parte dessa abordagem. Seu reaproveitamento, porém, permanece como uma perspectiva apresentada pelo projeto.

Unidades móveis podem aproximar a produção dos laticínios

A Take Root Bio avalia se unidades móveis poderiam ser instaladas perto dos locais onde os subprodutos são gerados. A intenção é diminuir a necessidade de transporte e facilitar a expansão do modelo.

A proximidade entre geração e processamento é uma das questões consideradas para tornar a proposta aplicável a mais produtores. Não há unidades móveis já em operação nem um cronograma de implantação.

Os possíveis ganhos econômicos e ambientais também não foram quantificados. A expectativa da empresa é que o aproveitamento do soro possa reduzir despesas de manejo e gerar um produto com valor comercial.

Pesquisa deve avançar para resíduos de frutas e hortaliças

A parceria pretende investigar se técnicas semelhantes podem ser aplicadas a outros subprodutos alimentares e agrícolas. Entre os materiais mencionados estão resíduos do processamento de frutas e hortaliças.

Essa ampliação ainda será estudada. O resultado com o soro salgado fornece um ponto de partida para avaliar outras matérias-primas, cujas características precisam ser consideradas em cada processo. O trabalho integra a atuação da Heriot-Watt em economia circular e eficiência no uso de recursos. A próxima frente anunciada pela universidade e pela Take Root Bio é verificar quais outros subprodutos podem ser aproveitados por rotas biológicas semelhantes. Você acha que o Brasil deveria aproveitar o soro do queijo para fazer combustível? Deixe sua opinião nos comentários.

As informações são do Click Petróleo e Gás.

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