Fazenda leiteira substitui 30% do milho da dieta por farinha e reduz custos com alimentação

Na Browns Dairy, em Oklahoma, subproduto de moinho de trigo ajuda a economizar cerca de um terço dos gastos com milho; manejo da dieta e disponibilidade do ingrediente exigem atenção.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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A busca por alternativas para reduzir os custos com alimentação levou uma fazenda leiteira de Oklahoma, nos Estados Unidos, a incorporar um ingrediente pouco convencional à dieta das vacas: a farinha. Há cerca de cinco anos, Lance e Jamie Brown utilizam um subproduto da indústria moageira para substituir parte do milho fornecido ao rebanho de 250 vacas da raça Holandesa. Segundo Lance, a estratégia permitiu reduzir em aproximadamente um terço os gastos com milho.

Localizada em Blanchard, a cerca de 48 quilômetros a sudoeste de Oklahoma City, a Browns Dairy é uma propriedade familiar administrada pela terceira geração. A operação conta com aproximadamente 142 hectares de milho, 40 hectares de alfafa e áreas de pastagem de trigo. A família também cuida da criação das próprias novilhas, integrando diferentes etapas da produção.

Figura 1

A decisão de buscar alternativas para a alimentação ganhou força entre 2021 e 2022, quando os preços do milho estavam elevados. Foi então que o corretor de ração apresentou a Lance a possibilidade de utilizar farinha proveniente da Shawnee Mills, um moinho localizado a cerca de 30 minutos da fazenda. O ingrediente é gerado durante as mudanças de produção e a limpeza dos equipamentos do moinho. Por não atender aos requisitos para comercialização como farinha destinada ao consumo humano, esse material pode ser aproveitado na alimentação animal.

Atualmente, a farinha substitui cerca de 30% da porção de milho da dieta total fornecida às vacas. Quando o cereal estava particularmente caro, a família chegou a reduzir ainda mais sua participação na alimentação.

Adaptação da dieta exige monitoramento

Embora a alternativa tenha contribuído para diminuir os gastos, a incorporação da farinha exigiu ajustes graduais. Lance acompanha os níveis de amido da dieta e observa a resposta dos animais, incluindo a consistência das fezes, para identificar possíveis alterações no funcionamento do rúmen.

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A adaptação é importante porque mudanças bruscas na composição da dieta podem comprometer a fermentação ruminal e afetar a produção de leite. Por isso, a experiência da Browns Dairy evidencia que a substituição de ingredientes deve considerar não apenas o preço, mas também o equilíbrio nutricional da ração e a resposta do rebanho.

O manejo da farinha também apresenta particularidades operacionais. O produto chega à propriedade em grandes embalagens de papelão transportadas por caminhão e é descarregado com o auxílio de uma empilhadeira. Depois, o material é transferido para o espaço de armazenamento e incorporado à mistura da dieta. Por ser um pó fino, a farinha pode ser espalhada pelo vento durante o descarregamento e a mistura, provocando perdas. Para minimizar o problema, a família utiliza quebra-ventos próximos à misturadora. Além disso, após aproximadamente uma semana de armazenamento, o material tende a ficar mais pegajoso, o que reduz sua dispersão.

Outro desafio é a irregularidade do fornecimento. A disponibilidade depende do cronograma de produção do moinho, de modo que a fazenda pode receber vários caminhões de uma só vez e, depois, passar semanas sem novas entregas. Na época da reportagem do Dairy Herd, Lance estava havia cerca de um mês sem receber farinha, apesar de tentar encontrar novos lotes. Essa dependência reforça a importância de avaliar a regularidade da oferta antes de incorporar um ingrediente alternativo de forma significativa à dieta do rebanho.

Figura 2

Seca aumenta a pressão sobre os custos de alimentação

Além dos desafios relacionados à ração, a família enfrenta os efeitos da seca sobre a produção de forragem e a disponibilidade de água. Com o crescimento mais lento das pastagens, a fazenda precisou começar a fornecer feno entre seis e oito semanas antes do habitual, aumentando a pressão sobre os estoques. A falta de chuva também impediu o plantio de uma área de alfafa planejada para a propriedade. Com isso, Lance prevê a necessidade de comprar feno de alfafa no próximo ano, acrescentando uma despesa não prevista ao orçamento alimentar.

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Para preservar os estoques disponíveis, a família passou a utilizar os restos da colheita de milho como área de pastejo para as novilhas e aumentou o fornecimento de silagem aos animais jovens.

Mesmo diante das dificuldades, as condições mais secas permitiram realizar trabalhos no campo que seriam mais complicados com o solo úmido, como a limpeza de valas e o reparo de terraços. “Você simplesmente se prepara para lidar com a situação da melhor maneira possível”, afirmou Lance, ao explicar que a família procura aproveitar os recursos disponíveis e fazer os ajustes necessários até que as condições permitam retomar a produção de forragem.

Tecnologia e planejamento para a próxima geração

A redução dos custos com alimentação faz parte de um esforço mais amplo para manter a eficiência da propriedade e preparar a operação para o futuro. Lance pretende investir em melhorias no conforto térmico das vacas, incluindo ventiladores e nebulizadores adicionais no galpão de confinamento, além de ampliar o uso de tecnologias que contribuam para a eficiência do sistema. A fazenda possui instalações com capacidade para 400 vacas, e a família considera a possibilidade de ampliar o rebanho. Nesse planejamento, a criação de bezerras e novilhas tem papel importante.

Jamie, que assumiu a responsabilidade pela criação dos animais jovens depois de deixar a carreira de bombeira e paramédica, acompanha o desenvolvimento das bezerras e busca garantir que estejam saudáveis para futuras etapas da produção. “Essas bezerras são o futuro do nosso rebanho, e o trabalho que investimos neles agora dará frutos nos próximos anos”, destacou Jamie.

Além da rotina na fazenda, ela compartilha a experiência da família em vídeos no YouTube, mostrando desde os cuidados com os animais até decisões de manejo e práticas menos conhecidas da produção leiteira. Um dos conteúdos apresentou justamente a entrega e o descarregamento da farinha utilizada na alimentação, despertando o interesse do público. A iniciativa também levou a Dairy Farmers of America a convidá-la para produzir conteúdo sobre a prática.

 

A experiência da Browns Dairy mostra como a busca por alternativas alimentares pode fazer parte da estratégia de gestão de uma fazenda leiteira. O aproveitamento de subprodutos industriais, no entanto, depende de condições específicas de preço, composição nutricional, logística e disponibilidade. Na propriedade, a combinação entre ajustes na dieta, aproveitamento dos recursos forrageiros e planejamento de longo prazo ajuda a família a enfrentar os desafios econômicos e climáticos sem perder de vista a continuidade do negócio.

Figura 3

As informações são do Dairy Herd, traduzidas e a adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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