SC: setor leiteiro pode se recuperar em 2026, aponta Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa

A divulgação dos dados do quarto trimestre de 2025 pelo IBGE confirmou o aumento da captação de leite no país: o volume anual alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% frente a 2024, indicando retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço mais moderado.

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Os dados do IBGE indicam um aumento na captação de leite no Brasil, alcançando 27,51 bilhões de litros em 2025, um crescimento de 8,4% em relação a 2024. Minas Gerais lidera a produção, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. A recuperação dos preços do leite ao produtor começou em fevereiro de 2026, após um período de queda. No comércio exterior, o Brasil manteve um déficit na balança láctea, com importações aumentando. Em Santa Catarina, os preços do leite mostram sinais de recuperação, embora ainda estejam abaixo dos níveis de 2025.

A divulgação dos dados do quarto trimestre de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou o aumento da captação de leite no país. As informações integram o Boletim Agropecuário de abril, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que reúne dados atualizados sobre produção, preços, clima e mercado e serve como indicador do desempenho do agronegócio catarinense.

O volume anual alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% frente a 2024, indicando retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço mais moderado. Minas Gerais manteve a liderança, com 24% da captação total, seguido pelo Paraná. O Rio Grande do Sul retomou a terceira posição no ranking, enquanto Santa Catarina ficou em quarto lugar, com 3,5 bilhões de litros e alta de 6,4%, mantendo participação próxima de 13% do total brasileiro e evidenciando possível estabilidade da estrutura produtiva estadual.

A analista da Epagri/Cepa, Andrea Castelo Branco, avalia que a recuperação dos preços do leite ao produtor, a partir de fevereiro de 2026, ocorre após oito meses de queda provocados principalmente pelo aumento da oferta. Em 2025, a captação nacional cresceu 8,4%, ampliando a disponibilidade interna e pressionando os valores pagos, enquanto as importações, apesar de contribuírem para o aumento da oferta,  tiveram influência menor por ficarem abaixo do volume registrado em 2024.

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“A reação dos preços observada a partir de fevereiro reflete um processo de ajuste depois de um período prolongado de excesso de oferta. O crescimento da produção em 2025 foi o principal fator de pressão baixista. Para 2026, a recuperação vai depender do equilíbrio entre oferta e demanda e, em estados como Santa Catarina, tende a ser mais gradual se a produção seguir elevada”, afirma.

Mercado externo

No comércio exterior, a balança láctea brasileira permaneceu deficitária em março de 2026. As exportações somaram 3,2 mil toneladas, volume estável em relação a fevereiro, mas 4% inferior ao registrado um ano antes. A receita recuou tanto na comparação mensal quanto interanual. As importações, por sua vez, avançaram quase 30% frente a fevereiro e março de 2025, totalizando 28,3 mil toneladas, com forte predominância do leite em pó, o que ampliou o saldo negativo da balança.

Em Santa Catarina, as exportações de lácteos alcançaram 75,5 toneladas em março de 2026. Embora o volume tenha recuado na comparação mensal, o resultado representa crescimento expressivo frente a março de 2025. As importações somaram 639 toneladas, acima de fevereiro, mas bem abaixo do observado um ano antes. O estado registrou déficit comercial de aproximadamente 563 toneladas no mês, maior que o de fevereiro, porém cerca de 40% menor do que o registrado em março de 2025, sinalizando alguma melhora relativa no desempenho externo.

Castelo Branco destaca que a ampliação de mercados para o leite passa pelo fortalecimento das exportações, mas o Brasil e Santa Catarina ainda apresentam baixa competitividade internacional. De acordo com a analista, os preços internos elevados, influenciados pelos custos de produção e um moeda relativamente valorizada, encarecem o produto brasileiro no exterior, enquanto países como a Argentina se beneficiam da desvalorização cambial. Entretanto, apesar da desvalorização cambial estimular exportações, gera efeitos indesejáveis, como o aumento do custo dos bens e serviços importados, não se configurando, portanto, como uma estratégia sustentável isoladamente. 

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“A estratégia mais sólida é ampliar a eficiência produtiva, com redução de custos e ganho de escala. Sistemas mais eficientes, como o modelo de produção à base de pasto preconizado pela Epagri, são fundamentais para fortalecer a competitividade da cadeia láctea sem depender exclusivamente do câmbio”, pontua Andrea.

Preços

No cenário estadual, os preços do leite cru em Santa Catarina mostram reação em 2026. O Conseleite/SC projetou valor de referência próximo de R$ 2,33 por litro para abril, enquanto os dados da Epagri/Cepa indicam preço médio de R$ 2,35 nos primeiros dias do mês. A recuperação é gradual e ocorre após as mínimas observadas no início do ano, mas ainda não recompõe as perdas acumuladas, já que os valores seguem cerca de 17% abaixo dos registrados em abril de 2025.

Os derivados do leite também apresentaram valorização no atacado nos primeiros meses de 2026. Leite UHT, mussarela e queijo prato tiveram altas sucessivas entre fevereiro e abril, reforçando o processo de recomposição de preços ao longo da cadeia. O leite em pó mostrou comportamento mais estável, com oscilações moderadas. Regionalmente, a maioria das praças catarinenses registrou aumento mensal no preço pago ao produtor em março, embora, na comparação com o mesmo mês de 2025, os valores ainda permaneçam em patamares inferiores, evidenciando que a recuperação do setor segue em curso, mas ainda incompleta.

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense.

As informações são do Epagri.

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