Nascido em 2018, o coletivo francês Sororidade das Queijistas da Occitânia é fruto do encontro de três comerciantes de queijos de Toulouse: Colombe Giscard, Mathilde Portay e Julie Maréchal. Elas descobrem preocupações comuns: uma certa solidão enquanto empreendedoras mulheres e o sentimento de evoluir em um universo ainda muito masculino. "Nem sempre somos levadas a sério", compartilha Julie Sena, queijeira da loja Fronton e membro do grupo. "Alguns consideram que estamos brincando de ser queijista."
Rapidamente, outras se juntam a elas. Salões, concursos, estágios de formação ou simples trocas informais alimentam hoje esta rede de mulheres, com perfis variados. A base é clara: ajuda mútua, sem espírito de competição. "Não procuramos fazer melhor que as outras. Cada uma continua sendo ela mesma." As discussões são muito concretas: preço de compra, custos de transporte, encomendas conjuntas... "Falar sobre números, margens, rendimentos, isso exige uma verdadeira confiança", ela explica.
Fazer do nosso jeito
O funcionamento é flexível. Não formalizaram associação e não há condições impostas: "Nada se faz sem unanimidade e gostamos de fazer do nosso jeito." O grupo também soube mostrar solidariedade financeira, ajudando uma ou outra a superar uma fase difícil, como um problema de tesouraria causado por uma vitrine refrigerada em pane.
Entre as ações marcantes realizadas coletivamente, a operação "Pequenos seios", na ocasião do outubro rosa, no final de 2025, ilustra bem o espírito do grupo. "A minha melhor amiga teve câncer e removeu um seio. Pensei que podíamos fazer algo, à nossa maneira", conta Julie Sena. O projeto assume a forma de pequenos queijos em forma de seios, fabricados por uma produtora local. "Falei sobre isso ao grupo, foi um momento forte porque, na realidade, estávamos todas tocadas direta ou indiretamente. Todas concordaram na hora."
A iniciativa ultrapassa rapidamente as expectativas. "Não antecipamos uma coisa: os clientes compravam os queijos aos pares!", sorri Julie Sena. A operação gerou tanto vendas como doações complementares. "Nunca tinha tido tantas visualizações no Instagram, sentimos um verdadeiro entusiasmo, alegre e unificador." Os primeiros queijos esgotaram e uma segunda produtora foi convidada a colaborar. No total, foram vendidos 1.000 queijos. Durante o mês, a sororidade coletou cerca de 2.700 EUR, cada comerciante revertendo a sua parte para a associação da sua cidade responsável pelo outubro rosa.
Hoje, o círculo não procura crescer a todo o custo. A abertura a outras regiões, ou mesmo ao género masculino, é objeto de discussão, sem decisão tomada. "A proximidade geográfica facilita as trocas. Quanto à presença dos homens, é verdade que abordamos problemáticas profissionais que também lhes dizem respeito... mas uma parte de nós considera que o fazemos com uma sensibilidade diferente." Outras ideias circulam, como um grande buffet de queijos realizado coletivamente. Sem roteiro definido, o grupo avança ao ritmo das estações e da vida do comércio.
As informações são do blog Só Queijo do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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