Apesar do desempenho mais fraco em setembro, a produção acumulada nos três países permanece acima dos níveis registrados em 2025, sustentada pelos resultados positivos dos meses anteriores. O relatório também destaca que a composição do leite apresentou sinais de deterioração em alguns mercados, especialmente pela redução dos teores de gordura, o que limitou a disponibilidade de sólidos para a indústria.
Alemanha registra queda de 4,3% na captação
A Alemanha apresentou a maior retração entre os três países analisados. Em setembro, a captação de leite caiu 4,3% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando 2,52 milhões de toneladas. O resultado representa uma mudança significativa em relação a agosto, quando a produção alemã havia registrado crescimento de 3,1%.
Segundo a DCA Market Intelligence, a queda de setembro também reflete uma comparação com níveis elevados de produção registrados no ano anterior. A composição do leite permaneceu relativamente estável, com uma pequena redução no teor de gordura, de 0,2%, compensada pelo aumento de 0,3% no teor de proteína.
Mesmo assim, a produção de sólidos do leite caiu 4,3%, alcançando 191.319 toneladas, acompanhando a redução do volume captado. No segmento de leite orgânico, a captação cresceu apenas 0,4% em setembro, atingindo 121.830 toneladas. Entretanto, o desempenho positivo dos meses anteriores garantiu crescimento acumulado de 5,8% até setembro, com 1,21 milhão de toneladas. Já a captação convencional alcançou 25,49 milhões de toneladas no acumulado do ano, alta de 4,8% em relação ao mesmo período de 2025.
França mantém produção praticamente estável
Na França, a captação de leite chegou a 1,89 milhão de toneladas em setembro, aumento de apenas 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado representa uma desaceleração em comparação com agosto, mantendo a tendência de crescimento mais moderado. Entre as 12 regiões francesas analisadas, sete registraram queda na produção. Entretanto, essas reduções foram compensadas por aumentos expressivos em regiões como Hauts-de-France, com crescimento de 6,5%, e Grand Est, com alta de 6,4%.
Além da desaceleração no volume, a composição do leite apresentou piora. O teor de gordura caiu para 4,08%, uma redução de 0,5%, enquanto o teor de proteína permaneceu estável em 3,3%. Como resultado, a produção de sólidos do leite recuou 0,1%, totalizando 140.134 toneladas.
No segmento orgânico, a redução foi mais acentuada. A captação caiu 11,5% em setembro, atingindo 76.680 toneladas. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a produção orgânica francesa totalizou 834.965 toneladas, queda de 4,6% em relação a 2025. Em contrapartida, o leite convencional apresentou crescimento acumulado de 1,7%, alcançando 18,47 milhões de toneladas.
Polônia registra crescimento de apenas 0,4%
A produção de leite da Polônia também apresentou estabilidade em setembro, com crescimento de 0,4% em relação ao mesmo mês de 2025. A captação alcançou 1,11 milhão de toneladas, após registrar aumento de 0,3% em agosto. Apesar do avanço moderado, a composição do leite apresentou deterioração, com queda de 1% no teor de gordura e estabilidade no conteúdo de proteína. Como consequência, a produção de sólidos do leite recuou 0,3%, totalizando 82.230 toneladas.
No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, a captação polonesa cresceu 2,5%, chegando a 10,67 milhões de toneladas. A produção de sólidos aumentou 1,5% no mesmo período, alcançando 788.297 toneladas. Segundo a consultoria, o crescimento acumulado foi sustentado pelo desempenho mais forte registrado nos primeiros meses de 2026.
Preços do leite seguem pressionados
Além da desaceleração produtiva, o relatório destaca a continuidade da pressão sobre os preços pagos aos produtores europeus. Na Alemanha, o preço médio do leite convencional ficou em € 43,20 (US$ 48,10) por 100 quilos, uma redução de 20% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da queda anual, houve recuperação de 5% em comparação com o mês anterior. Na França, o preço médio recuou 10,1% na comparação anual, alcançando € 46,01 (US$ 51,22) por 100 quilos. Em relação a agosto, a recuperação foi de 3,4%.
Já na Polônia, o preço médio chegou a € 43,58 (US$ 48,52) por 100 quilos, uma queda de 17,7% em relação ao ano anterior, mesmo após aumento mensal de 5,1%. Os preços do leite orgânico também permaneceram pressionados em alguns mercados, embora continuassem superiores aos valores pagos pelo leite convencional. Na França, o leite orgânico apresentou preço médio de € 55,38 (US$ 61,66) por 100 quilos em setembro, enquanto na Alemanha o diferencial de preço entre o leite orgânico e o convencional alcançou seu maior nível do ano.
Redução nos custos de alimentação oferece algum alívio
A DCA Market Intelligence também identificou redução em determinados custos de produção nos países analisados. Na França, os índices de preços dos cereais, farelos e rações compostas registraram quedas anuais de 2,6%, 1,5% e 3,9%, respectivamente, no segundo trimestre.
Na Alemanha, as reduções foram mais expressivas, chegando a 9,5% nos cereais, 13,2% nos farelos e 4,6% nas rações compostas. Na Polônia, as quedas foram mais moderadas: 0,9% para cereais, 0,8% para farelos e 0,4% para rações compostas. Por outro lado, as despesas veterinárias apresentaram aumento em alguns mercados. Segundo a consultoria, a redução nos custos de alimentação trouxe algum alívio aos produtores, mas não foi suficiente para eliminar a pressão provocada pelos preços mais baixos do leite.
Crescimento acumulado ainda é positivo
Apesar da desaceleração observada em setembro, os dados indicam que a captação de leite nos três países permanece acima dos níveis registrados no ano anterior. Esse desempenho é resultado principalmente do crescimento observado nos primeiros meses de 2026.
Entretanto, a combinação de preços ao produtor significativamente inferiores aos de 2025, crescimento mais lento da captação e redução dos teores de gordura em alguns mercados representa um desafio para a continuidade da expansão produtiva. Na avaliação da DCA Market Intelligence, a pressão persistente sobre as margens dos produtores poderá limitar os incentivos para novos aumentos na produção durante o quarto trimestre de 2026.
As informações são do DCA Market Intelligence.
Vale a pena ler também:
Futuro do mercado mundial de queijos: Ásia impulsionará crescimento até 2030, aponta estudo