O processo afirma que o produto da Chobani é um rival direto do Oikos Pro, linha ultra-proteica da própria Danone — sucessora direta do Oikos lançado havia mais de uma década para concorrer com a Chobani no mercado de iogurte grego dos Estados Unidos. Segundo a denúncia, a Chobani usa uma porção de referência de 6,7 onças (cerca de 190 gramas) para anunciar 20 gramas de proteína por porção — acima do padrão de 5,3 onças (150 gramas) considerado de mercado pela Danone.
Nesse cálculo equivalente, o produto da concorrente teria menos de 18 gramas de proteína por porção, segundo a Just Food.
Por que a proteína se tornou campo de batalha?
A demanda por alimentos ricos em proteína cresceu junto com a popularização de medicamentos para perda de peso como Ozempic e Wegovy — tendência que a própria Danone já vinha capturando com sua linha de iogurtes proteicos antes mesmo do boom dos remédios.
Um estudo do Boston Consulting Group mostrou que, diferente de shakes proteicos, o iogurte é um dos poucos alimentos que mantêm aumento de consumo mesmo depois que o paciente para de usar o medicamento. "Alimentos ricos em proteína como iogurte ou carne parecem aumentar de frequência durante e ainda mais depois de parar de usar GLP-1", afirma Lauren Taylor, sócia-gerente do BCG.
A Danone afirma, no processo, que investiu em tecnologia para concentrar proteínas de caseína e soro do leite e atingir o patamar de 20 gramas na porção padrão. A empresa argumenta que a Chobani, ao usar uma porção maior como referência, consegue vender o produto a um preço mais baixo, sem o mesmo investimento tecnológico — e por isso teria conseguido driblar o preço do Oikos Pro.
A resposta da Chobani
O fundador e CEO da Chobani, o imigrante turco Hamdi Ulukaya, negou as acusações em entrevista à Reuters e disse que a Danone está "lançando coisas por aí" para criar manchetes negativas contra a empresa, fundada por ele em 2007 e ainda de capital fechado. "De certa forma, estou rindo disso", disse Ulukaya. "Nunca adicionamos proteína externa aos nossos produtos. Nunca vamos enganar ninguém."
A Danone, por sua vez, disse em nota que os consumidores devem poder comparar produtos com informações nutricionais "claras, precisas e consistentes" — e que a forma como a Chobani rotula seus produtos multiporção impede essa comparação justa.
Disputa judicial reflete perda de espaço da Danone
O embate ocorre num momento delicado para a Danone, que tem enfrentado dificuldade para acompanhar a demanda por iogurtes de alta proteína desde o segundo semestre de 2025.
Segundo dados da consultoria NielsenIQ compartilhados pela própria Chobani, a participação da concorrente americana no mercado dos Estados Unidos subiu de 21% para 26% em três anos, enquanto a fatia da Danone caiu de 30,7% para 25,8% no mesmo período.
Analistas do banco britânico Barclays já haviam alertado, em maio, que investidores estão impacientes com a falta de urgência da Danone para recuperar o negócio de lácteos nos Estados Unidos. "Concorrentes, principalmente a Chobani, estão fazendo um trabalho muito melhor e crescendo atualmente a mais de 20%", disse o banco, segundo a Reuters.
As ações da Danone acumulam queda de 15% no ano, contra alta de 11% do índice MSCI World.
Quarta batalha judicial desde 2016
Esta não é a primeira disputa entre as duas empresas, que já se enfrentaram antes até em comerciais rivais no intervalo do Super Bowl.
A Danone já processou a Chobani ao menos quatro vezes desde 2016 — a mais recente delas em 2025, sobre embalagens e slogans do café gelado La Colombe, marca da Chobani, que a Danone considerou semelhantes aos de sua própria marca Stok.
"A Danone processa a Chobani quatro ou cinco vezes por ano por tudo", disse Brad Charron, ex-executivo de marketing da Chobani que hoje comanda a marca de proteína vegetal Aloha, à Reuters. "Se você não consegue competir com eles, processa." Segundo Ulukaya, processos anteriores da Danone contra a empresa já foram rejeitados pela Justiça.
As informações são da Exame, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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