O que acontece com o rúmen durante o período seco?
Ele também descansa, segundo pesquisadores da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos. O lado negativo disso é que o rúmen leva cerca de um mês após o parto para recuperar sua vitalidade e função metabólica, de acordo com um estudo recentemente publicado no Journal of Dairy Science.
O objetivo do estudo foi determinar o impacto de encurtar ou até eliminar o período seco na função do rúmen e no desenvolvimento das papilas ruminais. As papilas – projeções em forma de dedos no revestimento da parede do rúmen – são mecanismos importantes para facilitar a absorção de ácidos graxos voláteis (AGVs) no rúmen. Quanto maior a área de superfície criada por papilas bem desenvolvidas, maior a capacidade do rúmen de absorver AGVs e sintetizar leite e seus componentes.
Os autores observaram que o principal fator que impulsiona a proliferação das papilas ruminais é a ingestão de matéria orgânica fermentável no rúmen, que é tipicamente reduzida nas dietas tradicionais para vacas secas.
O estudo
Doze vacas Holandesas prenhes, com cânulas instaladas no rúmen, no final de suas primeiras lactações, foram selecionadas para o estudo. Esses animais faziam parte de um grupo maior de 168 vacas avaliadas em um estudo nutricional mais amplo. Elas foram divididas em três grupos de tratamento, com quatro vacas em cada grupo:
-
Período seco tradicional, de 60 dias.
-
Período seco curto, de 30 dias.
-
Sem período seco.
Todas as vacas foram monitoradas por 8 semanas antes da data esperada do parto até 8 semanas após o parto. Dietas consistentes, à base de forragens, foram oferecidas a todas as vacas nas fases de lactação, secagem e pós-parto. O grupo sem período seco recebeu apenas as dietas para vacas lactantes e frescas.
Resultados
-
Pré-parto, a ingestão de matéria seca (IMS) e a produção de leite foram maiores para vacas com período seco curto ou inexistente, em comparação com vacas com período seco convencional de 60 dias.
-
Pós-parto, a IMS foi maior para vacas com período seco curto em relação às vacas com período seco convencional.
-
A concentração de glicose plasmática no pós-parto foi maior para vacas sem período seco, em comparação com ambos os grupos com período seco.
-
A área de superfície das papilas ruminais diminuiu à medida que o período seco avançava. Dez dias antes do parto, a área de superfície das papilas era maior nas vacas sem período seco, e essa diferença ainda estava presente três dias após o parto.
-
Vacas com período seco curto apresentaram um aumento mais rápido nas dimensões das papilas após o parto, em comparação com aquelas com período seco convencional.
-
O grupo com período seco de 60 dias recuperou a área de superfície das papilas, equiparando-se aos outros dois grupos, aos 28 dias de lactação.
Acredita-se que a adaptação mais rápida do rúmen no pós-parto esteja relacionada ao aumento da IMS nas primeiras semanas após o parto para vacas com período seco curto. No entanto, isso não resultou em melhor estado metabólico ou maior produção de leite.
Conclusões e implicações
Os autores não recomendaram diretamente a gestão de vacas com períodos secos mais curtos ou inexistentes, alertando que isso poderia gerar consequências indesejáveis. “Embora este não tenha sido o foco do estudo, é importante considerar os efeitos da duração do período seco na produção de leite no pós-parto e na composição do colostro”, afirmaram. “Sem um período seco, as vacas produzirão menos leite na próxima lactação e terão concentrações mais baixas de IgG e IgM no colostro.”
Contudo, os resultados sobre a condição das papilas ruminais e a ingestão de matéria seca trazem insights interessantes. Os autores sugeriram pesquisas adicionais para explorar como ajustes na duração do período seco e/ou na composição da dieta pré-parto poderiam sustentar um estado mais estável do rúmen e facilitar a transição para a próxima lactação.
Referências bibliográficas
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.