O leite longa vida começa a ganhar nova roupagem no Brasil. A embalagem plástica vem invadindo, timidamente, o espaço até agora cativo das caixas multicamadas, fabricadas no Brasil somente pela Tetra Pak.
A novidade será introduzida no País pela multinacional italiana Parmalat, que no ano passado inaugurou o novo nicho na Itália. Na França, as garrafas plásticas de leite longa vida, fabricadas por várias empresas, já representam 30% das vendas desse tipo de produto.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da Parmalat no Brasil, a empresa não se manifestará sobre o assunto antes do lançamento, programado para daqui a quinze dias. Mas as embalagens plásticas já estão em prateleiras de supermercados gaúchos, em Porto Alegre, há pelo menos um mês.
A inciativa da Parmalat no mercado de embalagens nacional representa o desatar das amarras que a indústria tinha com apenas um fornecedor: a Tetra Pak.
O diretor de Marketing e Desenvolvimento de Negócios da Tetra Pak, Paulo Rochet, afirma que a empresa está preparada para acompanhar a tendência de mercado, bastando importar a tecnologia de sua matriz, na Europa. ''Temos um projeto arrojado para embalagens plásticas e estamos aptos a operar no novo nicho, desde que a análise custo-benefício dê resultado positivo'', assinala o executivo.
Fontes do mercado dizem que talvez a Tetra Pak não tenha tido todo o retorno do investimento feito na produção das caixinhas que revolucionaram o mercado há cerca de dez anos. Segundo Paulo Rochet, a produção das embalagens plásticas para longa vida exige investimentos e pode ser mais cara do que a das caixinhas multicamadas - que utilizam alumínio por dentro, papelão por fora, sobre um filme de polietileno de baixa densidade linear (PEBDL). Para a Tetra Pak, a Parmalat é uma cliente expressiva, mas a empresa não diz se é a maior.
Fontes do setor químico afirmam que a própria filial da Parmalat em Carazinho (RS) possui cinco máquinas co-extrusoras e sopradoras, adquiridas da italiana Techne, para a produção das embalagens. A indústria de máquinas é responsável também pelo fornecimento à matriz da Parmalat em Parma, Itália. Essas máquinas poderão fabricar embalagens em seis camadas, ideais para envasar leite aditivado, como é o caso do Ômega 3, outro produto da Parmalat.
A capacidade instalada atual da Parmalat para produção das embalagens é de 10,8 milhões de unidades de envase de um litro de leite por mês. Isso se a indústria funcionar 24 horas por dia. Cada máquina tem capacidade mínima para a produção de três mil unidades/hora, e as cinco juntas podem fabricar 360 mil garrafas por dia em regime ininterrupto.
A garrafa é feita em três camadas, todas de polietileno de alta densidade (PEAD). De acordo com o mercado, tudo indica que o fornecedor do plástico seja a Ipiranga Petroquímica, do pólo de Triunfo (RS).
Proteção contra bactérias
O preenchimento das embalagens é automático e em ambiente estéril, o que garante a não proliferação de microorganismos que comprometeriam a qualidade e prazo de validade do leite. Este processo de envase garante a estabilidade do leite, protegido inclusive dos raios ultravioleta, por duas camadas brancas (interna e externa) e uma no meio, na cor preta, que compõem a embalagem.
As duas tampas, uma de alumínio, interna e outra de polipropileno, externa, garantem a preservação do leite antes e depois do início do consumo. A tampa proporciona uma vantagem sobre as caixinhas, que devem ser cortadas.
Segundo fontes do mercado, o mix de embalagens que a Parmalat começa a formar não indica uma substituição geral das caixinhas Tetra Pak. O custo de produção de uma ou outra embalagem é praticamente igual. A grande vantagem do plástico, por sua vez, é a versatilidade para personalizar a embalagem.
As caixas são padrão, enquanto as garrafas plásticas podem adquirir várias formas, a ponto de a própria marca ser identificada pela anatomia da embalagem. O caso mais famoso é o da Coca-Cola. Daí a mudança de conceito representada pela introdução da nova embalagem.
A Tetra Pak sozinha vende cerca de 7 bilhões de embalagens multicamadas por ano no Brasil. Segundo dados da própria empresa, 15% das caixas no pós-consumo são recicladas. A Parmalat é líder nacional em leite longa vida, com 20% a 25% desse mercado, conforme dados da empresa de pesquisas Datamark.
O mercado brasileiro de leite longa vida deu um salto dos 187 milhões de litros, em 1990, para 3,9 bilhões, em 2001. O leite, cuja embalagem permite duração de seis meses fora da geladeira, detém 73% do mercado, no valor anual de R$ 18 bilhões, da indústria ao consumidor final.
A composição da nova embalagem, unicamente com a resina PEAD, facilita o trabalho da reciclagem. O plástico pode ser usado novamente para a fabricação de baldes, cabides, frascos para xampus e desodorantes, por exemplo. Mas o plástico reciclado não pode ser usado para a fabricação do mesmo tipo de embalagem original.
Fonte: Folha de Londrina (por Viviane Mottin), adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat substitui caixinha longa vida
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